Posts com Tag ‘Liam Neeson’

Silêncio

Publicado: março 25, 2017 em Cinema
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Silence (2016 – EUA) 

Martin Scorsese volta a tratar questões religiosas em seus filmes, após Dalai Lama (Kundun) e Jesus (A Última Tentação de Cristo), a fé volta como tema central na história de perseguição dos japoneses aos padres jesuítas portugueses que foram pregar o catolicismos no século XVII. De um lado, o absurdo da violência como única forma de coibir o estrangeiro e sua cultura oposta às crenças locais. De outro, a arrogância cristã de entregar sua crença como a verdade única e irrefutável.

Os melhroes momentos do filme são do confronto de ideias entre governantes japoneses e jesuítas. Nessa nova adaptação do livro de Shusaku Endo, o cineasta americano vai além na trama do que na versão de 1971 de Masahiro Shinoda. Sem economizar na violência chocante, Scorsese deixa tudo límpido e esclarecido, quebrando um pouco do ar reflexivo que Shinoda oferece ao parar a história num ponto mais crucial, algo parecido com que fez em sua versão da saga de Jesus Cristo.

De todos os modos, ambos os filmes não só levantam a dualidade dos lados frente a questão da liberdade de crenças do povo, e a necessidade de violência cruel em frear o opositor, mas também o quanto a fé e suas crenças devem ser colocados acima de tudo, de forma a prejudicar não só a si mesmo, como a outros envolvidos. Negar sua fé, humilhar seus símbolos, sofrer dor física pela inquisição dos que não acreditam em seu Deus, Scorsese impõe a visão ocidental da perseguição e da humilhação que amputa a fé pelo silêncio

Caçada Mortal

Publicado: dezembro 17, 2014 em Cinema
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cacadamortalA Walk Among the Tombstones (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Pode ser implicância minha, mas ainda não consigo visualizar a lógica que levaram a carreira do irlandês, dos dramas “consagrados” (quem se lembra de Nell ou A Lista de Schindler?), para o cinema de ação. Principalmente porque Neeson se tornou um astro, com arma empunhada, mas, tal qual boa parte dos atores do gênero, ele criou um personagem sólido, e o repete a cada filme, não importa o roteiro, nem o diretor. É uma personificação de um personagem único, não importa a situação-limite que se encontra.

E, nesse ponto, a estreia na direção do roteirista Scott Frank, é apenas mais um filme de ação bem desenvolvido tecnicamente. A fotografia é bonita, principalmente em como ele capta a noite, a movimentação na chuva, é tudo muito bonito. Apesar disso, são os mesmos clichês de sempre (principalmente a do herói carregado por erros do passado, sua imperfeição), descuido com arestas, tudo em prol de mais tiros, mais reviravoltas que possam causar mais brigas. Até quando vai o hiato de astros do cinema de ação?

Sem Escalas

Publicado: março 10, 2014 em Cinema
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semescalasNon-Stop (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

 

Para vender a trama, o herói é quase transformado em vilão, também nasce um projeto de romance (com Julianne Moore), e uma espantosa de capacidade de criar situações cuja realidade só cabe dentro do próprio filme. É uma festa, Liam Neeson pinta e borda, a gravidade parece estar sempre ao seu favor, por mais que o mundo esteja contra ele. Praticamente uma aula de investigação, com o peso do mundo sob suas costas, dentro de um avião voando pelo Atlântico, tiros e bomba-relógio,lutas de faca, traições, ocorre de tudo.

Apesar desse exagero o thriller de Jaume Collet-Serra é bem eficiente. Uma série de assassinatos ocorrendo a cada 20 minutos, dentro daquele avião, e o filme consegue esconder o engenhoso serial killer até os momentos finais. Um roteiro enxuto e bem tramado dessa forma não é tão fácil de ser encontrado. Tirando isso, o que resta? Um herói típico (Liam Neeson) e algumas peripécias absurdas.

Batman Begins (2005 – EUA) 

Christopher Nolan reinicia a saga de Batman no cinema, pautando a história sob o medo, conduzindo o super-herói pelo processo de desmistificação de seus pesadelos. A lenga-lenga (para alguns) do início, que compreende a morte dos pais e a fase em que Bruce Wayne aprende artes marciais, e principalmente o processo de autoconhecimento, por mais bem colocada no contexto, chega a ser aborrecedora. Muito da culpa é do próprio Christian Bale, e sua face de canastrão. O rapaz equilibra-se entre o preciso e o não convincente, além de algumas das razões de seu personagem serem inconsistentes. Outra opção de Nolan foi a descentralização do vilão, temos três em níveis diferentes, o Espantalho, que deveria ser o principal, perde terreno para o carismático personagem de Liam Neeson, e por mais aterrorizante que possa parecer deixa o embate derradeiro para o líder da Liga das Sombras na cena do metrô.

A preocupação em rechear o filme com coadjuvantes de luxo tem acertos e exageros, Ken Watanabe entra apenas com seu nome, enquanto Michael Caine esbanja desenvoltura, e um típico humor britânico impagável (que não funciona com outros atores). Katie Holmes é um poço de graciosidade, porém em momento algum o romance com Wayne decola (não por culpa da moça). São essas pequenas coisas que diminuem o impacto do filme que promete reiniciar com sucesso a história cinematográfica do homem-morcego.

No quesito ação, não há nada a se queixar de Nolan. O diretor oferece esse lado extremamente humano de Batman, essa ausência de superpoderes que é substituída por armas mirabolantes, tornando assim o personagem mais próximo do público, quase algo crível. O batmóvel aparece para arrepiar os fãs, com um estilo bem diferente daquele usual, quase um tanque de guerra. As lutas têm cortes bruscos demais, mesmo assim funcionam com precisão milimétrica na arte de entreter. Nolan se notabilizar por ums dos maiores criadoes de entretenimento do cinema atual. O clima dark de toda a narrativa oferece aos morcegos função  chave para o surgimento de Batman, mas pode representar o tom dessa criação autoral de Nolan.

maridoseesposasHusbands and Wives (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Woody Allen apresenta um formato diferente de seus filmes, um falso documentário sobre matrimônios, apontando problemas mais reais dos casamentos atuais. As inseguranças expostas sem julgamentos, os fatos são contados sem a busca pelo dono da razão. Maridos e esposas é divertido por ser tão real. E essa sensação de veracidade é intensificada pela câmera na mão, as tomadas tremidas. Dizem as más línguas que muitas das situações narradas foram vividas por Woody Allen, em seu casamento com Mia Farrow.

O filme começa com um longo plano-sequencia, câmera na mão, a imagem é mio suja e os personagens e objetos atrapalham um pouco a cena. Nessa cena estão os casais Gabe Roth (Woody Allen) e Judy Roth (Mia Farrow), e Jack (Sydney Pollack) e Sally (Judy Davis). São muito próximos, mas aquele encontro é para informar que Jack e Sally estão em processo de divórcio. A informação pega o outro casal de surpresa, causa estranheza.

A partir daí, o filme é narrado por depoimentos dos quatro, respondendo perguntas de um entrevistador, relembrando fatos. Tais depoimentos servem para resgatar todos os tipos de problemas comuns em matrimônios, como crises entre os casais, a atração dos homens por mulheres mais jovens, a busca de mulheres por outros amores, a briga entre ex-casados. Tudo tratado de maneira simples, em diálogos bem elaborados. E como na vida, o vai e vem leva cada um destes personagens ao seu rumo, cada qual com suas características e diferenças em personalidades. E seguem rumos que muitas vezes ninguém imaginaria. Traições, flertes, vidas amorosas expostas num belo filme de Woody Allen.

starwarsIStar Wars: Episode I – The Phantom Menace (1999 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E aguardadíssimo retorno da saga Star Wars, a mais poderosa franquia do cinema. Há tempos que o primeiro filme da série havia sido numero como IV, portanto havia uma trilogia a ser filmado, que contasse o antes. Em entrevistas, George Lucas disse ter preferido alterar a ordem porque imaginava que a tecnologia dos anos 70-80 não lhe daria o suporte desejado. Finalmente chega a hora de retomar a saga, e entender de onde surgiu a lenda Darth Vader.

A história é sempre a mesma, algum plano mirabolante, de um grupo, para invadir e dominar outro grupo (ou planeta). Aqui a Federação impôs um bloqueio ao planeta Naboo, e o senador Palpatine (Ian McDiarmid) finge proteger Naboo e a Rainha Amidala (Natalie Portman), quando é um dos líderes da invasão. Entram em cena Jedis para proteger Naboo, e um jovem garoto escravo, Anakin Skywalker (Jake Lloyd), piloto de corridas de pod, que o destino faz ajudá-los nessa empreitada. Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) sente uma presença forte da Força no garoto, ele pode ser o escolhido, aquele que trará equilíbrio e passa ser treinado nas práticas Jedi.

E o resultado é a dominação dos efeitos especiais. Depois da burocrática iniciação da trama, com acordos comerciais e explicações demais, o filme vive apenas das possibilidades que os efeitos oferecem. Os personagens não são nada carismáticos, a trama infantilizada. Sobrevive da sombra da saga, funcionando como trampolim para os dois próximos filmes. A corrida de pod é um dos momentos melhores, porém é a luta dos Jedis, contra Darth Maul, e seu sabre de dois lados, o grande momento deste filme decepcionante.