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Say Anything… (1989 – EUA) 

Seria provocativo dizer que Cameron Crowe ainda não realizou um filme tão bom quanto sua estreia? Talvez Quase Famosos possa rivalizar e causar discussão, mas sua comédia romântica, ingênua, funciona tão bem dentro dos clichês do gênero, e praticamente marcou a assinatura que encontramos na maior parte dos filmes do diretor.

A trama adolescente em que Lloyd (John Cusack) tenta conquistar o coração da estudante determinada Diane Ione Skye), guarda pequenos momentos inesquecíveis da representação da paixão, e também da explosividade da felicidade juvenil, e da pressão paterna pelas responsabilidades contra as paixonites adolescentes.

Crowe dosa bem a mão quando trata da relação pai e filha, e das transformações a qual passa essa relação enquanto se descobre outro lado do pai e a filha aprende as desenvolturas do amor. Enquanto isso, o inquieto Lloyd vive passionalmente todas as fases de seu relacionamento, seja através da música, das influencias da amizades, mas principalmente no aprendizado da convivência. E dentro dessa complexa equação, Crowe constrói um desses romances saborosos, imperfeitos, mas que carregam muito além do que as simples idas e vindas do amor.

IMG_6285.dngThe Conjuring (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

James Wan é o novo queridinho do público para filmes de terror. Nascido na Malásia, estudou cinema na Austrália e lá começou sua carreira, até chegar aos EUA e filmar o primeiro Jogos Mortais. Mas, foi com Sobrenatural que seu nome voltou a se fortalecer. E a sacada de James Wan é de não ir além do fácil. Cinema de horror é atmosfera, o quanto mais se consegue prender o público, causar alguns sustos, maior seu grau de sucesso.

Tendo Patrick Wilson como seu ator-fetiche, James Wan vai de casas mal-assombradas por fantasmas e exorcismos, porões e armários sinistros, sempre conseguindo grudar os olhos de seu público frente aos acontecimentos sobrenaturais e aparições de fantasmas. Neste filme, é a casa nova de Carolyn (Lili Taylor) e Roger (Ron Livingston) que se manifesta após se mudarem com suas filhas. O casal Ed (Wilson e Lorraine (Vera Farmiga)) são os “caça-fantasmas” de prontidão. De resto, basta mergulhar na atmosfera tensa e deixar o coração palpitar um pouco, pelos clichês James Wan sabe o que está fazendo.

arizonadreamArizona Dream (1993 – EUA/FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Não poderia ter sido mais equivocada a investida do diretor bósnio Emir Kusturica em solo americano. Com roteiro seu, em parceria com David Atkins, o filme afundou mesmo com um elenco de atores renomados. Diria ser uma comédia equivocada. Sem risos, uma trama exageradamente surreal e um conjunto de personagens histéricos, guiados por seus sonhos delirantes. Kusturica abusa do andar em círculos e do desapego à realidade. Não consegue equilibrar suas ideias num raciocínio possível, parece mergulhar no próprio sonho que seu roteiro inventou, apoiando-se nas excentricidades de seus personagens para buscar maior dinamismo.

Uma idealização do sonho americano de uma geração que desejou negar o “american way of life”, o conforto financeiro dos mais velhos e a frustração da juventude. Kusturica vende a ideia de que o destino de todos é ser cópia de seus pais, como se as origens fossem uma raiz que não lhes deixa alternativa. O tio (Vincent Gallo) que tenta convencer o sobrinho (Johnny Depp) voltar a morar no Arizona para viver da venda de Cadillacs (negócio da família). Um peixe com os dois olhos do mesmo lado, o Alasca e a vida dos esquimós, o desejo de voar, e um triângulo amoroso amalucado (com Faye Dunaway e Lili Taylor), o filme cai em obviedades que não condizem com seus elementos tão surreais.