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Publicado: agosto 19, 2017 em Cinema, Festivais no Radar
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¾ (2017 – BUL) 

O búlgaro Ilian Metev volta a se destacar no cenário dos festivais internacionais, após seu filme meio documental A Ultima Ambulancia de Sofia. Dessa vez, como o grande vencedor da mostra Cineasta do Presente, no Festival de Locarno. Planos longos, acompanhando os irmãos caminhando, na volta da escola, ou passeando pelo parque com o avô. É uma pegada completamente diferente do seu tedioso filme-denuncia da saúde pública búlgara.

Um retrato das relações familiares, singelo e falsamente despretensioso. A dificuldade de se relacionar, seja na irmã que quer ser pianista, e sofre a pressão da audição que se aproxima, mas o irmão (mais jovem) só quer provoca-la. Seja no pai professor, mas que age ainda refutando a vida adulta e suas responsabilidades. Familias são assim, esse misto de sentimentos, relacionamentos confusos e afetuosos, e nesse emaranhado de emoções, Metev realiza um filme puro, saboroso, e tão verossímil quanto delicado. Não inova, não inventa, apenas dá liberdades a seus personagens se desenvolverem, frente às câmeras.

Verão Danado (2017 – POR) 

Está acontecendo a 70ª edição do Festival de Locarno, e em primeira mão assistimos a estreia na direção do português Pedro Cabeleira, um dos destaques da seção Cineasti del Presente. O jovem cineasta realiza um filme todo engajado em suas convicções, mesmo com pouco dinheiro e muita gente que acaba de se formar em cinema, e que sabe falar muito bem com o público da sua idade (na casa dos 20 anos).

Chico (Pedro Marujo) é o mais próximo que temos de um protagonista. Recém formado em Filosofia, se muda para Lisboa. É alguém “se enturmando” enquanto a abstrata câmera de Cabeleira capta as interrelações de forma sensorial. Pequenas reuniões de amigos em casa, ou festas com musica eletrônica, tensões sexuais, álcool e drogas, em meio a conversas, momentos, o tempo que passa. Tudo isso captado por muitos planos sequencias e uma preocupação de testemunhar, de capturar a essência. Nada do que é dito é muito importante, os gestos, os olhares, os momentos é que ditam a verdadeira importância desses encontros, dos interesses, das paixões e desejos.

Não é um filme sobre sexo, como Kids ou Shortbus, ele é apenas figura presente. Cabeleira está realmente traduzindo momentos importantes de uma geração “curtindo a vida”, e nisso ele é preciso e lírico. As motivações sã parecidas, a imaturidade e a descobertas são quase senhores do destino desses personagens tão solares, espontâneos e cheios de vida.