Posts com Tag ‘Louis Malle’

Loucuras de uma Primavera

Publicado: fevereiro 13, 2022 em Cinema
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May Fools (1990 – FRA)

França, Maio de 68, nas ruas de Paris os movimentos estudantis fervilhando. No campo, uma família burguesa se encontra para o funeral da mãe enquanto brigam pela herança. Toques de absurdo com pitadas de discussão política dessa classe média com muita opinião, mas que pouco se envolve realmente com essas questões, preferindo sempre seus piqueniques, jantares e piano. Questões sexuais, infidelidades, de maneira bem-humorada e leve Louis Malle deixa uma visão ácida dos que vivem numa bolha, a bolha da razão.

Lacombe, Lucien

Publicado: janeiro 17, 2022 em Cinema
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Lacombe, Lucien (1974 – FRA)

O desejo pelo poder acima do idealismo. O jovem Lucien Lacombe queria entrar na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, não foi aceito e foi parar na polícia alemã. Era só um garoto que buscava seu espaço, autoafirmação, e através de sua truculência que ele se impõe. E é assim também que ele desenvolve esse relacionamento amoroso com uma judia. O filme de Louis Malle é sobre alguém que queria seu espaço, que queria lutar, não importava o lado, ele queria estar no jogo.

Perdas e Danos

Publicado: outubro 18, 2010 em Uncategorized
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Damage (1992 – ING)
 
Louis Malle sabia como poucos adentrar na vida da burguesia européia, normalmente escandalizando com temas ligados ao sexo. Aqui o peso do drama recai sob cada fotograma, aliado pela música, pelas feições sempre sisudas do parlamentar inglês (Jeremy Irons), pela sua relação formal com esposa e filhos. Surge a belíssima Anna Barton, jovem, decidida, apresenta-se como nova namorada de seu filho e com o flerte avassalador leva o sogro a loucura. Não teremos explicação sobre as razões que levaram Anna a isso, Malle concentra-se no triângulo amoroso, na necessidade que Barton encontra em oferecer sexo ao sogro enquanto o relacionamento com o namorado/filho fortalecesse a cada semana. Nesse aspecto a carga dramática vira-se contra o homem integro, de respeito irretocável na política, completamente inebriado por uma paixão duas vezes proibida, e Louis Malle não economiza esforços para intensificar tal paixão, com loucuras desenfreadas, ciúmes e o sexo carnal em completa evidência. Sensação do público com um copo de uísque nas mãos e um violino triste ao fundo, apenas aguardando o que de trágico acontecerá: o escândalo da descoberta/a morte de alguém/, apenas questão de tempo enquanto a dureza aristocrática dos personagens sobrevive às custas de desejo.

osamantesLes Amants (1958 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Uma ode a liberdade social e sexual feminina. Muito além de um filme sobre infidelidade feminina, na alta sociedade francesa, a fita destaca-se por retratar os primeiros passos da indpedência de escolha, desse feminimsmo orquestrado pelo impuslso sexual. O choque é inevitável, no filme, personagens admiram-se com a mulher que toma decisões individualistas e despreocupadas, na platéia é o seio desnudo de Jeanne Moreau que causa espanto, por tremendo atrevimento numa cena lírica, doce.

Jeanne Tournier (Jeanne Moreau) é casada com um importante editor de um jornal de Dijon. Entediada com sua vida, no interior da França, hospeda-se, frequentemente, na casa de sua grande amiga, Maggy Thiebaut-Leroy, em Paris. Na cidade-luz, convive na alta-sociedade, e mantém affair, com o galanteador jogador de pólo Raoul Flores (José Luis de Villalonga). Logicamente a situação tornar-se-á insustentável, cansado de não dispor da esposa em casa, Henri (Alain Cuny) implica com as viagens, cada vez mais frequentes. Deseja um jantar, em sua casa, com presença de Raoul e Maggy. É nesse ponto que entra de supetão na história o arqueólogo Bernard (Jean-Marc Bory).

Baseando-se no livro Point de Lendemain, escrito por Dominique Vivant, Louis Malle causa no público a sensação de estar dançando uma valsa durante a projeção, tal clima levemente envolvente o diretor imprime. Se a posição libertária da época não fosse tão importante, o filme pareceria fútil, tal qual a sociedade retratada. Ainda que coberto de alguns requintes e narrado de forma ajustada. Mas é na audácia que a obra ganha importância relevante, e é com Bernard que o enredo ganha contraponto. Nas diferenças sociais e ideológicas, o amor prova que esses pontos pouca diferença fazem.

O romantismo dessa fase do filme transborda pela tela, as sensações intensas vividas pelos personagens encontram o público ávido por elas. Se bem que, desde o início do jantar, na casa dos Tounier, o filme ganha diálogos e um jogo de palavras ásperas, que guardadas as devidas proporções, poderiam estar incluídas no célebre Quem Têm Medo de Virginia Woolf?. Se a futilidade da egocêntrica Jeanne Tournier, que nem à filha dedica atenção, contamina a primeira metade, o transbordar de amor retratado pela diva Jeanne Moreau perfaz o que se esperava de Louis Malle. Um belo filme se olhado de maneira diferenciada.