Posts com Tag ‘Louis Malle’

Perdas e Danos

Publicado: outubro 18, 2010 em Uncategorized
Tags:, ,

Damage (1992 – ING)
 
Louis Malle sabia como poucos adentrar na vida da burguesia européia, normalmente escandalizando com temas ligados ao sexo. Aqui o peso do drama recai sob cada fotograma, aliado pela música, pelas feições sempre sisudas do parlamentar inglês (Jeremy Irons), pela sua relação formal com esposa e filhos. Surge a belíssima Anna Barton, jovem, decidida, apresenta-se como nova namorada de seu filho e com o flerte avassalador leva o sogro a loucura. Não teremos explicação sobre as razões que levaram Anna a isso, Malle concentra-se no triângulo amoroso, na necessidade que Barton encontra em oferecer sexo ao sogro enquanto o relacionamento com o namorado/filho fortalecesse a cada semana. Nesse aspecto a carga dramática vira-se contra o homem integro, de respeito irretocável na política, completamente inebriado por uma paixão duas vezes proibida, e Louis Malle não economiza esforços para intensificar tal paixão, com loucuras desenfreadas, ciúmes e o sexo carnal em completa evidência. Sensação do público com um copo de uísque nas mãos e um violino triste ao fundo, apenas aguardando o que de trágico acontecerá: o escândalo da descoberta/a morte de alguém/, apenas questão de tempo enquanto a dureza aristocrática dos personagens sobrevive às custas de desejo.

osamantesLes Amants (1958 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Uma ode a liberdade social e sexual feminina. Muito além de um filme sobre infidelidade feminina, na alta sociedade francesa, a fita destaca-se por retratar os primeiros passos da indpedência de escolha, desse feminimsmo orquestrado pelo impuslso sexual. O choque é inevitável, no filme, personagens admiram-se com a mulher que toma decisões individualistas e despreocupadas, na platéia é o seio desnudo de Jeanne Moreau que causa espanto, por tremendo atrevimento numa cena lírica, doce.

Jeanne Tournier (Jeanne Moreau) é casada com um importante editor de um jornal de Dijon. Entediada com sua vida, no interior da França, hospeda-se, frequentemente, na casa de sua grande amiga, Maggy Thiebaut-Leroy, em Paris. Na cidade-luz, convive na alta-sociedade, e mantém affair, com o galanteador jogador de pólo Raoul Flores (José Luis de Villalonga). Logicamente a situação tornar-se-á insustentável, cansado de não dispor da esposa em casa, Henri (Alain Cuny) implica com as viagens, cada vez mais frequentes. Deseja um jantar, em sua casa, com presença de Raoul e Maggy. É nesse ponto que entra de supetão na história o arqueólogo Bernard (Jean-Marc Bory).

Baseando-se no livro Point de Lendemain, escrito por Dominique Vivant, Louis Malle causa no público a sensação de estar dançando uma valsa durante a projeção, tal clima levemente envolvente o diretor imprime. Se a posição libertária da época não fosse tão importante, o filme pareceria fútil, tal qual a sociedade retratada. Ainda que coberto de alguns requintes e narrado de forma ajustada. Mas é na audácia que a obra ganha importância relevante, e é com Bernard que o enredo ganha contraponto. Nas diferenças sociais e ideológicas, o amor prova que esses pontos pouca diferença fazem.

O romantismo dessa fase do filme transborda pela tela, as sensações intensas vividas pelos personagens encontram o público ávido por elas. Se bem que, desde o início do jantar, na casa dos Tounier, o filme ganha diálogos e um jogo de palavras ásperas, que guardadas as devidas proporções, poderiam estar incluídas no célebre Quem Têm Medo de Virginia Woolf?. Se a futilidade da egocêntrica Jeanne Tournier, que nem à filha dedica atenção, contamina a primeira metade, o transbordar de amor retratado pela diva Jeanne Moreau perfaz o que se esperava de Louis Malle. Um belo filme se olhado de maneira diferenciada.