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Call Me By Your Name (2017 – EUA) 

Com I Am Love e A Bigger Splash, o diretor Luca Guadagnino já vinha capturando a burguesia com olhos nem tão críticos, aproveitando de sua beleza para desenvolver histórias e personagens. Podem ter sido bons laboratórios para o que veria a seguir, já que seu novo filme tem arrebatado plateias, causado comoção numa forma identificação imediata com anseios e expectativas que só mesmo o cinema consegue corresponder.

Verão de 1983 na Itália, uma família de intelectuais recebe um visitante acadêmico americano, Oliver (Armie Hammer). O foco central está sob o filho de 17 anos, Elio (Timothée Chalamet), que se relaciona com amigos da região, descobre o sexo, enquanto desperta uma forte atração pelo visitante. Guadagnino estabelece os laços afetivos sem nenhuma preocupação com preconceito, são pessoas livres, que se apaixonam pelo sexo oposto ou não, com naturalidade. Talvez seja a principal fortaleza do filme, o amor, sem se preocupar com convenções.

O verão transcorre entre passeios de bicicleta, livros à beira da piscina, festas no vilarejo, e o simples florescer de Elio transcorrendo a nossa frente, de maneira fascinante. O desejo, o sexo, são o combustível dessa história tão sensível, de joguinhos amorosos, de libido latente. E a complexidade em dar espaço a tantos personagens e interrelacionamentos, e em buscar permear com a rotina culturamente rica da família. Alegria e sofrimento, descobertas e experimentações, tudo condensado no momento-chave, numa conversa pai e filho que é de uma sensibilidade e compreensão indescritíveis. E que venha o Oscar.


Festival: Sundance

Mostra: Premières

I Am Love

Publicado: março 29, 2011 em Cinema
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Lo Sono L’Amore (2009 – ITA) 

O que tem de suntuoso, tem também de sutil e pomposo. Luca Guadagnino consegue misturar tão bem esses adjetivos como numa das receitas do chef de cozinha (Antonio Biscaglia) que chega para chacoalhar com as estruturas de uma família italiana tradicionalíssima. Rapidamente se torna o melhor amigo de Edoardo (Flavio Parenti), enquanto isso, acompanhamos, pausadamente, a vida serena na alta sociedade italiana, pela perspectiva de Emma (Tilda Swinton, incrível), mãe de Edoardo.

De toda classe e elegância para uma paixão avassaladora, Guadagnino concebe seu filme de maneira límpida, dá gosto notar o romance surgir, aquelas lindas paisagens, mas nada se compara à utilização exagerada (sim, exagerada e segura, perfeita) da música em momentos cruciais. Os acordes berrando em nossos ouvidos, a troca de olhar entre mãe e filha, Guadagnino guarda entre os pequenos e grandes momentos numa história já bem malhada no cinema, com uma roupagem atual, mesmo que numa estrutura familiar tão clássica, bola dentro.