Posts com Tag ‘Luis Buñuel’

Tristana, Uma Paixão Mórbida

Publicado: agosto 2, 2021 em Cinema
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Tristana (1970 – ESP)

Este grande clássico marca o reencontro do cineasta Luis Buñuel com Catherine Deneuve após A Bela da Tarde, e sempre chama a atenção quando o cineasta espanhol usa também da narrativa mais clássica, ainda que sempre se destaque por criticas cruéis à sociedade. Aqui, seu alvo central é a Igreja católica que aceita que o tutor (Fernando Rey) de uma jovem (Deneuve) a tome por sua amante, quando se encanta por sua beleza.

É a política da aceitação da sociedade, o homem mais velho pode decidir por seus desejos, a jovem precisa aceitar e seguir a cartilha da etiqueta da aristocracia. Mas, ela se apaixona, e as consequências dessa realação se tornam desastrosas, até o final surpreendente que remete a uma inexplicável mistura de nojo e sensação de afeto familiar.

O Discreto Charme da Burguesia

Publicado: junho 16, 2011 em Uncategorized
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Le Charme Discret de la Bourgeoisie (1972 – FRA)

 

 Em outra de suas brincadeiras críticas com pitadas surrealistas, alvejando a burguesia, Luis Buñuel multiplica sua genialidade sem nunca perder o tom. Futilidade e hipocrisia perambulam livremente por esse conjunto de personagens que nunca consegue reunir-se num jantar tranquilamente. A série de acontecimentos envolvendo cada uma das tentativas serve para Buñuel descarregar toda sua sensibilidade crítica de forma, genuína, implacável, dentro da discrição desses homens da sociedade rebuscados por vinhos e etiquetas. Coisas como o homem escorraçado quando vestido de jardineiro e super-bem recebido ao se vestir de padre ou os comentários que o exército americano erra os alvos na guerra do Vietña por conta da maconha que consomem são pequenas demonstrações do leque de humor fino e elegante destilado por Buñuel. Apetite sexual, ditaduras latinas, religião, são tantos temas, e a elegância dos traficantes de droga então, só Buñuel seria capaz de algo tão perspicaz.

 

 

Belle de Jour (1967 – FRA) 

Existe mulher no mundo capaz de identificar melhor a burguesia do que Catherine Deneuve? Falo isso no que se refere à elegância, postura, sutileza de movimentos e tom de voz. Ela é a própria personificação da aristocracia, do lado bom da aristocracia. Um simples desabotoar, um mero toque na campainha, a classe está nos pequenos gestos. Ver Deneuve em trajes de um jogo de tênis é uma visão indescritível, é a naturalidade da situação o ponto de maior exacerbação, tem gente que nasceu para aristocracia (outro exemplo é Charlotte Rampling, porém sem a beleza hipnotizante de Deneuve).

Recém-casada, bem de vida, um marido amoroso, Sèverine não deveria ter nada a se queixar. Frígida, ama o marido, mas não encontra prazer nele. Desesperada (sem perder a pose) decide testar-se na casa de Madame Anais, entregar-se a qualquer um. Sèverine encontra o que faltava em sua vida, ama cada dia mais seu marido, contudo seu prazer sexual vem das suas tardes secretas.

Luis Buñuel oferece a cada imagem à elegância e classe que sua personagem exala, cada cena é serena, delicada, nenhuma quer ser mais importante que outra. O filme começa com um delicioso passeio de carruagem que depois demonstra ser uma vingança, o marido descobriu suas atividades secretas, mais tarde saberemos porquê Pierre decidiu armar sua vingança daquela forma. Os personagens de Buñuel são isentos de cinismo, de uma transparência virtuosa, são o que são e ponto final.

A Bela da Tarde oferece esse estudo da libertação feminina, numa época em que não havia espaço para tais liberdades. Não estamos só fascinados pelas costas nuas de Deneuve, por sua presença marcante em cena, mas também pelos movimentos que fazem uma mulher entediada, com tudo, buscar prazer na mais antiga das profissões.