Posts com Tag ‘Maggie Gyllenhaal’

The Kindergarten Teacher (2018 – EUA) 

Remake americanos de filmes estrangeiros sofrem quase sempre na comparação, porque resgatam a história, nem sempre o melhor do cinema que havia. Esse é o caso desse trabalho da diretora Sara Colangelo, homônimo do filme israelense de Nadav Lapid, sobre a professora que se torna tão maravilhada pela poesia precoce de um seus alunos, que a admiração se torna obsessão.

A trama é a mesma, o pai ausente, a professora que ama poesia e o garoto que solta versos, mas só quer ser uma criança normal e brincar, quando possível. O filme traz o incômodo através dos comportamentos da professora, que algumas vezes ultrapassa a irresponsabilidade. O peso da cultura está em seus discursos aos filhos, a babá do garoto, a todos a sua volta. E acompanhamos, passo-a-passo, o desequilíbrio gerado por sua compulsividade em notar e intensificar um possível dom precoce. É bem possível acompanhar, com interesse, o desenrolar desse relacionamento, tentar compreender as fragilidades dessa mulher madura, enquanto Colangelo busca a visão intimista e delicada, mas fica bem aquém do que Lapid oferecia com o filme original.

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frankFrank (2014 – IRL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Há a quantia exata de estranho e pop necessária para uma banda despertar interesse via youtube, até ir parar no SXSW para tocar. Esse tal indie, desconexo, e ainda assim cativantemente pop. E há ainda o vocalista, Frank (Michael Fassbender) que não mostra o rosto, ao invés disso usa uma cabeça de boneco gigante, 24h/dia.

O filme dirigido por Lenny Abrahamson é, e não é, sobre a nova cena do rock, a relação sucesso x mídias sociais. O filme é sobre seus personagens, e eles passam um tempo, numa casa de campo, para gravar seu primeiro, e experimental disco. O jovem tecladista Jon (Domhall Gleeson) caiu de paraquedas ali, Sua veia nerd-pop não combina com o restante doa grupo, principalmente com a irritadiça (Maggie Gyllenhaal), mas Frank tem esse dom, quase pueril, de aglutinar pessoas, com uma doçura que não encaixa com o tipo de som que produz.

O roteiro é baseado em experiências vividas pelo próprio roteirista, Jon seria um ater-ego seu. Prefiro achar que o mote central não é Frank, pois sua perturbação mental tiraria o brilho do que há de melhor, e sim Jon e seu amadurecimento, as transformações. Porque é impressionante como ele é esnobado por todos, e ainda assim consegue trilhar os caminhos da banda até o SXSW, culminando com os desfechos de cada um dos integrantes. Frank carrega o peso da liderança, do excêntrico, mas é Jon quem dialoga com o novo público, mesmo se a ele falte o mais importante: talento musical.

Histeria

Publicado: julho 10, 2012 em Cinema
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Hysteria (2011 – EUA/ING/LUX/FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Você já conhece a velha frase do “Baseado em fatos reais.” abrindo os créditos iniciais dos filmes. A ênfase com o “realmente”, logo após a informação de história verídica, dá esse tom fofo de diversão despretensiosa. E essa é a tônica, os figurinos de época retratando a Londres do século XIX, e a rebuscada maneira nos tratos sociais são apenas a camada frágil revestindo o filme, que pouco (ou nada) ousa, além do tema inusitado. Afinal, relatar como foi inventado o vibrador, não deixa de ser bastante inusitado.

Curioso que naquela época julgava-se pela medicina a “histeria” feminina como uma doença acometendo 50% das mulheres. O tratamento seria uma espécie de massagem pelas regiões íntimas, no intuito de se buscar alívio, e alguma tranquilidade para as que apresentasse esses sintomas de ansiedade, inquietude, até comportamentos mais agressivos. E os médicos acreditavam piamente (segundo o roteiro) que aquilo não oferecia prazer às mulheres, a ingenuidade masculina vem mesmo de longa data.

Enfeitar um assunto polêmico até que estivesse palatável a “quase” toda a família é a forma como a cineasta Tanya Wexler resolveu enquadrar seu filme de época. O tom de comédia vem bem a calhar, até mesmo na superficialidade de seus personagens. Há a moça de família preparada com as qualificações para gerir uma casa, o dócil e polido cavalheiro de futuro profissional promissor, o pai preocupado com a etiqueta e os melhores arranjos sociais e a mulher rebelde e feminista, instável e humana.

Esse conjunto de estereótipos de filme de época está longe de ser tratado com o requinte de um Orgulho e Preconceito, ou, ao menos, capazes de transmitir as emoções do romance que se sugere ou da humanidade explosiva a qual Maggie Gyllenhaal e Hugh Dancy gostariam de imprimir a seus personagens.

The Dark Knight (2008 – EUA) 

Christopher Nolan dirigiu um filme alucinante. O assalto a banco, da primeira cena, é apenas o prefácio de um filme longo, que passa num tiro. Duas horas e meia que não se dá conta que se foram, tamanha agilidade na narrativa e capacidade de entreter. O cineasta britânico esquematizou seu filme em dois alicerces: roteiro e cenas de ação. No roteiro criou uma série de acontecimentos que oferecem ramificações, não só para esse filme, como para suas continuações, explicações para as origens dos vilões, pequenas aparições de vilões anteriores, isso sem perder o foco no homem da vez: Coringa.

Contudo, Gotham está infestada de mafiosos, e surge um promotor incorruptível que pretende colocar atrás das grades os bandidões, eis a figura de Harvey Kent. No meio disso, a continuação tão frágil do caso de amor de Bruce e Rachel, dessa vez um triângulo.

Se o roteiro dá cabo de toda essa série de coisas acontecendo, as seqüencias de ação são realmente eletrizantes, porém Nolan acelera tanto que há cenas em que se torna impossível distinguir o que está acontecendo, é pancadaria deliberada sob a noite sombria de Gotham. Aliada a canastrice cada vez mais exagerada de Christian Bale, temos um terreno completamente livre para Heath Ledger brilhar, e como brilha. Seu Coringa é um debochado, um genioso e astuto ladrão, daqueles que nunca tem nada a perder, e suas idéias infalíveis parecem vindas dos HQ, e dos desenhos infantis que marcaram minha infância. A lentidão no modo de falar, as expressões, Ledger barbarizou. A cena do interrogatório, desde já antológica, coloca todas as cenas de ação no bolso (isso sem falar nele vestido de enfermeira).

Há ainda duas discussões que Nolan teima incessantemente, uma é a discussão do herói, a necessidade da população em ter figuras cristalinas para focar suas esperanças, e essa lenga-lenga cansa. Outro ponto são as bombas colocadas em dois navios que tenta coloca um alento na discussão da alma humana, o egoísmo, e tantos outros valores que, num momento tão “delicado”, como aquele, são colocados a prova de maneira tão leviana, e com um resultado tão clichê.

A verdade é que O Cavaleiro das Trevas é uma epopéia épica inesquecível, um exemplo típico da magnitude que seu cineasta vem tomando, mas cuja interpretação de Ledger torna-se algo tão indescritível e atordoante, que mesmo seus tons exagerados são engolidos pela capacidade de criar sequencias de um exímio apuro técnico.