Posts com Tag ‘Mahamat Saleh Haroun’

grigrisGrigris (2013 – CHA/FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Nem posso imaginar a quantidade de esforços de Souleymane Démé para virar um dançarino espetacular, ele sofre de alguma deformidade nos membros posteriores, mas sua ginga e desenvoltura são realmente emocionantes. Está claro que o cineasta Mahamat-Saleh Haroun deve ter se encantando com o Démé e criou uma história para Grigris.

Dentro da crueza da vida africana (aqui retratada na capital de Chade), o roteiro circunda pelos clichês de sempre. Grigris precisa de dinheiro, se envolve com o contrabando de gasolina, em algum momento isso vai dar errado. O melhor do filme é sua relação com Mimi (Anaïs Monory), que traz luz à história, desde sua primeira aparição tirando fotos, depois quando nos surpreende com seus cabelos, e mais além, quando a África tribal entra na história. Essa realidade seca que Haroun tão bem retrata em seus trabalhos anteriores, aqui sofre pelo excesso de dramas que penalizam seus protagonistas o tempo todo.

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Finalmente um favorito disparado (nesse reta final, já estava passando da hora), o filme de Abdellatif Kechiche causou frison (links só no próximo post). Enquanto isso, a argentina Lucia Puenzo veio a Cannes com um filme sobre o nazista Mengele, e recepção morna.

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ONLY GOD FORGIVES

ONLY-GOD-FORGIVESApós o sucesso de Drive, o novo filme de Nicolas Winding Refn era o mais aguardado do festival. Decepção da maioria. Ryan Gosling é um traficante vivendo em Bangcoq, Kristin Scott Thomas sua mãe. Sangue, violência desenfreada, poucas falas, filme de ação em câmera lenta (pelas críticas, essas características resumem bem o filme).

Críticas: TimeOut LondonThe Telegraph – The Guardian

Termômetro: pé atrás

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GRISGRIS

GrisgrisMahamat Saleh-Haroun novamente retratando relacionamentos entre pai e filho. A história do dançarino com algum problema ósseo não animou ninguém.Um John Travolta africano, cheio de cenas de danças. Pelo visto, entrou na competição só para ter um filme africano na lista, deixar o todo mais globalizado.

Críticas: VarietyO Globo – The Guardian

Termômetro: pé atrás

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LES SALAUDS

les-salaudsO muito aguardado novo filme de Claire Denis está dividindo a crítica (eu aguardo ansiosamente), pode se encontrar quem o aponte como um dos grandes filmes dessa edição, e outros considerando que Denis já fez trabalhos bem melhores. Um homem se suicida, uma mulher vaga nua pela rua, outro filme misterioso, soturno, meticuloso, bem ao seu estilo.

Críticas: The Guardian – Little White Lies IndieWire

Termômetro: quero ver

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ALL IS LOST

627Fora da Competição, o novo filme de J.C. Chandor vem agradando bastante. Num misto de Náufrago com As Aventuras de Pi, Robert Redford é um velejador enfrentando sozinho tormentas no Oceano Índico, casco quebrado e todos os tipos de aventuras que um filme-catástrofe pode oferecer.

Críticas: The Independent – What Culture – Cine-Vue

Termômetro: quero ver

Un Homme que Crie (2010 – Chade/FRA/BEL)

A guerra civil prestes a eclodir no Chade, com os passar dos dias a situação nas ruas aproxima-se do caótico. Os rebeldes atacam, o exército precisa de voluntários para combater. A vida de Adam é a piscina, o ex-campeão de natação ganha a vida trabalhando com seu filho numa piscina de um hotel de luxo. A crise no país força o hotel a demitir, Adam vai para a portaria enquanto seu filho assume a piscina. A situação o corrói, Mahamat Saleh Haroun filma delicadamente todo esse processo que leva um homem sereno a uma escolha intempestiva, egoísta. Há os que morrem pelos filhos, por trás dessa situação política que se repete pelos países africanos, o cineasta conta uma história de arrependimento, de culpa, com sua sensibilidade lenta e a ausência de arroubos de emoção. Ainda assim, o filme guarda dois ou três momentos, como na cena em que a namorada grávida ouve o cassete com o recado do namorado que está lutando. Título mais correta seria “que grita calado”, só que esse grito ecoa dentro de si, devastador.