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Guerra Mundial Z

Publicado: julho 1, 2013 em Cinema
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guerramundialzWorld War Z (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Brad Pitt correndo mais que maratonista contra zumbis frenéticos que agem como se fossem carrinhos de bate-bate, lançam seus corpos contra vidros, ou por paredes, num desespero incontrolável. Trunfo perfeito para o diretor Marc Forster criar um misto de thriller e terror, num ritmo alucinante, cruzando o mundo com seu herói supremo.

Se não fosse eficiente em suas cenas de ação/terror, de forma isolada, a adaptação do livro homônimo pós-apocalíptico de Max Brooks seria um grande fiasco. Já que, como roteiro, não passa de uma colcha de retalhos de filmes do gênero “salvar o mundo”, com direito ao drama familiar, e à necessidade do herói em se desdobrar por áreas que não conhece, mas, afinal, ele é o herói. Lembra muito Ensaio sobre a Cegueira em sua visão de cidades caóticas, de saques a supermercados, sobrevivência no mundo animal. No fundo, zumbis ou tiros, tudo está a cargo de cenas de ação eficientes.

embuscadaterradonuncaFinding Neverland (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Pegando emprestado, parte da vida do dramaturgo J. M. Barrie (Johnny Deep), mais precisamente, a época em que criou sua mais famosa obra, Peter Pan, o filme revive parte dos eventos reais que serviram de inspiração ao dramaturgo, para criar e montar, a citada peça, após vir de um grande fracasso nos teatros londrinos do início do século XX. A história do garoto que nunca envelhece, e luta contra o temível Capitão Gancho, serve como metáfora do tempo, e foi totalmente baseada no relacionamento de Barrie com uma modesta família de quatro inventivos garotos (órfãos de pai) e sua adorável mãe.

Mais interessante do que só acompanhar o processo de criação, retirado sagazmente das brincadeiras vividas durante tardes de um verão, é notar a influência da amizade sob a vida de cada um deles. Seja o amadurecimento dos garotos, seja a relação entre Barrie e Sylvia (Kate Winslet), ou mesmo no matrimônio de Barrie, o filme aborda cada relacionamento com delicadeza e desapego à pieguice.

Após o extremamente denso A Última Ceia, o diretor Marc Forster mostra versatilidade pelo mundo da fantasia divertida, sem perder tempo com clichês baratos. Deep vai além de caracterizar um personagem, reconstitui magicamente a figura do autor que é parte da inspiração de sua própria criação. O garoto Peter (o ótimo Freddie Highmore) do filme pode ser visto como influência, mas as crianças apenas liberaram a personalidade do próprio Barrie para que Pan brotasse.

aultimaceiaMonster’s Ball (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

De um lado uma mulher, Leticia Musgrove (Halle Berry), prestes a assistir a execução do marido, após sua condenação à pena de morte. De outro, três gerações de agentes penitenciários, uma família fria, racista, que vive sob rotina mecânica e militar. Leticia desesperada, prestes a ser despejada. Hank (Billy Bob Thorton) em eterno conflito com o filho Sonny (Heath Ledger), bem mais liberal que o pai e o avô, e por isso sofre um desprezo claustrofóbico dos primogênitos, que sempre pretenderam fazê-lo cópia e semelhança dos patriarcas.

A tragédia atinge ambas famílias. Desespero, desconsolo, nos momentos de dor mais aguda Hank e Leticia (ela negra) se apaixonam, sem que ela saiba que foi ele quem chefiou a execução do marido. Um amor sem emoções, sem brilho, sem romantismo. Pessoas amarguradas descarregando no sexo (cenas quentes e sensacionais) o amargor, um último fio de emoção. Marc Forster dirige com precisão essa frieza, o encontro de tristezas, a desesperança, o peso da culpa. São tantos temas relacionados: preconceito racial, pena de morte, conflitos familiares, velhice, sexo, pobreza e despejo, redenção. Até chorar é difícil com tamanha dor dos personagens, a atuação contida e carregada de Billy Bob Thorton, o sofrimento explosivo de Halle Berry, no ponto alto de sua carreira, uma atuação praticamente irrepetível, fatores que unidos resultam num filme exasperante, arrebatador, e lindo pela autocrueldade de quem sofre dores incuráveis.