Posts com Tag ‘Marcello Mastroianni’

adocevidaLa Dolce Vita (1960 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por mais que nosso mestre de cerimônias, na futilidade da burguesia romana do final dos anos 50 e início dos 60, seja um colunista social (e aquele bando de papparazzis), o jornalismo serve apenas como mecanismo para Federico Fellini expor o movo de vida fugaz e extravagante. Por entre festas ou cabarets, até mesmo coletivas de imprensa com atrizes (Anita Ekberg) que pouco além da beleza tem a oferecer, o ater-ego do diretor, Marcello (Marcello Mastroianni) mergulha em relações que parecem sem propósito além do momento vazio, porém luxuoso.

Por quase três horas, que representam um final de semana, Marcello nos conduz por esse conjunto de obscenidades e sorrisos regados à champagne. O oco por detrás de bonitos vestidos e smokings, que podem escondedr fragilidades ou completas nulidades vaidosas. As mulheres correm atrás de nosso galã, esfomeadas de amor ou prazer, enquanto ele vaga pelo caótico de um nonsense verossímil, que Fellini teima em nos mergulhar (como na festa com a câmera girando num 360º em seu próprio eixo, inserindo cada personagem antes da catarse alcoolica de um strip-tease pouco explosivo). A vida é doce como na antológica cena da Fontana di Trevi, e Fellini filma como se não houvesse amanha.

anoiteLa Notte (1961 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

À tarde, a visita a um amigo hospitalizado. Pequenos sinais do desgaste matrimonial, os 10 anos de vida juntos pesam numa relação quase resumida apenas como convívio. Na segunda parte da Trilogia da Incomunicabilidade, o clássico de Michelangelo Antonioni parte de uma premissa simples, um dia na vida dessa casal, dia este encerrado com uma festa, numa mansão, na alta sociedade de Milão.

No mesmo ano, Alain Resnais lançava O Ano Passado em Marienbad, em escalas diferentes, porém ambos se apresentam numa desdramatização narrativa Anotinioni é mais retilíneo na história, carregam sempre o drama para a impossibilidade de comunicação calcada nas cicatrizes diárias de um relacionamento, é mais duro e menos poético que Resnais.

O escritor (Marcello Mastroianni) de sucesso, e a esposa (Jeanne Moureau) encontra na mansão o resumo de suas decepções e necessidades de liberdade, até mesmo toques de vingança, muito mais trazidas pelos comportamentos dos parceiros. Eis que entra em cena a filha (Monica Vitti) do industrial, dono da mansão, jovem, arisca, geniosa. Ela representa a total libertação, a rebeldia pelo conforto financeiro familiar. Naturalmente nascem jogos comportamentais, a comunicação nebulosa, a decepção, o peso do matrimônio numa noite em que os limites são reconsiderados, e um relacionamento é colocado na tênue linha de sua salvação ou naufrágio.

doisdestinosCronaca Familiare (1962 – ITA/FRA)  estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Na primeira cena, Enrico (Marcello Mastroianni) é informado, por telefone, da morte do irmão. Abre-se um longo flashback, com todos os momentos que antecederam a triste notícia. Dois irmãos, dois destinos. Florença, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, o pai no hospital com ferimentos de guerra, a família não encontra outra saída. O recém-nascido (Lorenzo) é entregue a uma família abastada, após a morte da mãe no parto, o mais velho (Enrico) segue sob os cuidados da avó.

Após anos de separação, os dois reencontram-se adultos. Enrico tenta ser jornalista, mas sofre com dificuldades financeiras que o obrigaram a colocar a avó (Sylvie) num asilo. Carrega leve repudio pelo irmão ao culpá-lo da morte da mãe. Lorenzo (Jacques Perrin) acaba de completar dezoito anos, freqüentou os melhores colégios, e viveu sob todas as regalias da aristocracia. Mas todo o mimo recebido de sua família adotiva resultaram num garoto não dá importância à escola e preocupa-se mais com o ping-pong.

O convívio entre os irmãos traz o contraste de suas criações, Enrico é tomado por assombros de humanidade, enquanto Lorenzo só desejava informações sobre aquela doce criatura, que ele não chegou a conviver. O aparecimento de uma estranha e inexplicável doença aproxima-os de vez, quebrando toda e qualquer barreira que ainda poderia haver entre eles.

Este clássico italiano é puro Neo-Realismo. Baseado do livro de Vasco Pratolini, dirigido por Valério Zurlini, apresenta uma narrativa tradicionalíssima, sem mistérios no domínio da câmera, concentrando totalmente nas relações entre os irmãos: ora são turbulentas, ora comoventes. Zurlini abdica de outros personagens, mesmo que os momentos mais deliciosos ocorram nas cenas em que os dois irmãos visitam a avó. Oportunidade de cada um descobrir mais sobre si. Marcello Mastroianni assume uma figura seca, quase dissimulada nas cenas mais marcantes com o irmão. A fotografia opaca, com presença de cores apagadas (bege, marrom), dá dimensão exata da saúde e do clima vivido pelos personagens.