Posts com Tag ‘Marco Dutra’

As Boas Maneiras (2017) 

A dupla Juliana Rojas e Marco Dutra ataca novamente, entre o horror e a critica social. Eles são uma espécie de alívio, numa proposta de cinema bem diferente do que a maioria da produção nacional recente. Dessa vez, num tom bem mais leve do que em Trabalhar Cansa, e num alcance bem maior de público.

No primeiro ato, uma interiorana grávida solitária (Marjorie Estiano estupenda) quase confinada em seu apartamento na capital de São Paulo contrata uma empregada (Isabel Zuaa) e a relação profissional se estabelece tambpem no âmbito pessoal. É curioso como a dupla de diretores filma o clima claustrofóbico dessa mulher que nunca sai de casa, as dores do passado recente que a levaram ao distanciamento da policia e a forma como se desenvolve a relação patroa-empregada.

O quê de sobrenatural está lá, mas é bem mais nítido no segundo ato, quando o garoto já cresceu um pouco e a relação mãe-filho pede uma superproteção quase incompreensível à sociedade. É nesse ponto que Rojas e Dutra aplicam sua critica social, a metrópole que guarda ricos e pobres tão próximos e como a cidade se constrói a partir desse distanciamento.

Essa segunda parte é mais alongada, e não tão forte quanto o início. A dupla flerta com o conto de fadas, de lua cheia e lobisomem, tenta entender a incompreensão e encontra nos garotos bem menos espontâneas do que aquela começão que Estiano e Zuaa desenvolve em seu ninho de amor chocante e carinhoso.


Festival: Locarno 2017

Prêmio: Prêmio do Júri

O cinema brasileiro deu o que falar em 2016. Começando pelo grande sucesso internacional de 2 filmes, que, não por acaso, encabeçam a lista de favoritos deste blog. Ambos entraram em listas de melhores do ano, como New York Times e Cahiers du Cinema. Kleber Mendonça Filho causou frisson em Cannes, e Boi Neon se destacou em Veneza, no ano anterior. Mas, não foram só os elogios, houve também a questão política, a manifestação, e mais tarde a polêmica na escolha do filme que o Brasil optou para ser o concorrente no Oscar.

Enquanto isso, os filmes brasileiros continuam buscando seu espaço, vivendo das comédias globais ou dos lançamentos minúsculos que rapidamente saem de cartaz. Fora eles, só meia dúzia de filmes alcançam realmente um público maior, e neles alguns nomes se solidificam, como Marco Dutra e Anna Muylaert.

Cinema de gênero (um thriller e musical), documentários intimistas, além dos sucessos de Gabriel Mascaro e KMF, os 5 filmes dessa lista de destaques do ano carregam a urgência de um cinema que precisa ser visto, descoberto pelo público e com mais espaço de midia, salas e alcance.

 

Aquarius

 

  1. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
  2. Boi Neon, de Gabriel Mascaro
  3. O Silêncio do Céu, de Marco Dutra
  4. A Paixão de JL, de Carlos Nader
  5. Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas

Top 5 – 2015 – Cinema Nacional

Top 5 – 2014 – Cinema Nacional

Top 5 – 2013 – Cinema Nacional

osilenciodoceuO Silêncio do Céu (2016) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O fato gerador é um hediondo ato de violência, um estupro em sua própria casa. Mas, o filme tem como combustível a incomunicabilidade entre marido e mulher, e essa incomunicabilidade representa muito mais do que as cicatrizes da violência urbana. O diretor Marco Dutra vai filmar no Uruguai, em espanhol, e novamente traz a trama para o seu mundo, o flerte com o terror e com o suspense psicológico.

No centro dessa história estão Diana (Carolina Dieckmann) e Mario (Leonardo Sbaraglia) e um casamento que tenta ser reconstruído. A separação criou distanciamento que, lentamente, entenderemos comportamentos e segredos.

A narrativa em off é muito precisa em trazer sentimentos e sensações de seus personagens, que os silêncios não seria capazes de representar, é uma ferramenta que funciona muito bem a favor de Dutra, além de intensificar a sensação claustrofóbica que se divide nas diversas facetas com que Mario passa entre seu relacionamento e o ódio que o consome. É essa riqueza dramática do personagem central que faz o filme de Dutra ur além do cinema de gênero, sem perder de vista suas origens. Ainda que o clímax chegue quando ainda havia espaço para sufocar o público, tem um timing bem condizente com seus personagens e a contrução do todo.

Quando-Eu-Era-VivoQuando Eu Era Vivo (2014) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um filme de terror sem sustos, mas com aquele incômodo latente, que se acentua enquanto a trama mergulha mais no mundo sobrenatural. Adaptação de livro escrito por Lourenço Mutarelli, o diretor Marco Dutra volta a tratar da classe média, sua visão é de pessoas fragilizadas, seja financeira, seja emocionalmente.

Marat Descartes é o filho, retornando a casa do pai (Antonio Fagundes) por estar se separando da esposa. Um personagem deveras perturbado, o filme tenta pregar suas teorias que intensificam esse comportamento, mas desde o início sua esquisitice destoa a tal ponto que essa transformação fica camuflada. Ao revirar o passado, buscando objetos e lembranças da mãe falecida, a presença do sobrenatural parece tomar conta do filho, o pai descrente assiste ao mergulho do filho nas profundezas.

Há ainda Sandy, uma universitária interiorana que estuda para seguir carreira de cantora (explicado o porquê de sua escalação). Sandy é esforçada, mas pesa sobre ela limitações nítidas e o estigma de ser quem é. As razões de ter sido escolhida são as mesmas que pesam sobre ela, se Sandy pretender seguir carreira de atriz, deveria se distanciar da música nos filmes (ao meu ver). As três peças desse quebra-cabeças, que habitam esse apartamento, mergulham (a seu modo) nessa atmosfera que lentamente traz à tona as explicações da presença maligna que assombra aquelas almas.

Ao mesmo tempo que o sobrenatural se fortalece, há sempre o peso da vida classe-média, a dificuldade da relação pai x filho, um pequeno turbilhão de temas que não parecem se esgotar, que não parecem seguir para um mesmo desfecho. Até que os caminhos apontem para uma única direção (nisso a participação de Tuna Dwek é imprescindível), o incomodo permanece com você até os créditos finais, culpa do belo trabalho de luz e som. Porém, a narrativa está longe de ser intrigante, arrastada, e aquela sensação de que tudo fechou perfeitinho, mas era apenas isso?

Nicole+Kidman+Nicole+Kidman+Films+Grace+Monaco• A próxima edição do Festival de Cannes terá como filme de abertura: Grace: A Princesa de Mônaco“, dirigido pelo francês Olivier Dahan [Uol Cinema]

• Martin Scorsese sendo entrevistado por Paul Thomas Anderson sobre O Lobo de Wall Street [Indiewire]

• Sundance 2014: difícil encontrar unanimidades e grandes destaques, um com alguns elogios foi Frank, dirigido por Lenny Abrahamson [Hollywood Reporter] [Telegraph] [Indiewire]

• E falando em cinema independente, vale ressaltar que ontem começou mais uma edição do Festival de Tiradentes, os independentes nacionais [Tiradentes]

• Quando Eu Era Vivo, trailer do filme de terror dirigido por Marco Dutra, com Marat Derscartes e Sandy, que estreia na próxima sexta-feira, e que está em Tiradentes essa semana [Youtube]

• Tarantino: roteiro do próximo filme vazou e ele resolveu desistir de tudo [Uol Cinema]

• Encerrando com esse trailer alternativo do filme Ela (de Spike Jonze), o cara trocou a voz de Scarlett Johansson por trechos de falas de Philip Seymour Hoffman. Great! [Vimeo]