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odueloO Duelo (2015) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Marcos Jorge volta com as comédias em tom de anedota, com protagonista como contador de histórias que atraem grande público. Baseando-se em Jorge Amado, o resultado final fica a léguas de distância do anterior: Estômago.  A distância abissal está no tom dos protagonistas. João Miguel e aquele jeito nordestino engraçado, aqui temos o português Joaquim Almeida como um comandante de navios e suas histórias de tom chamuscado, pausado, capazes de intrigar apenas os moradores daquela cidade minúscula, onde nada realmente acontece. Seu sucesso causa ciúmes no antigo homem-atração da cidade (José Wilker), e nasce esse duelo entre quem permanece como a celebridade do povo. As fragilidades vão do didatismo dos diálgos ao clichê dos romances que tentam encantar o público (sendo, ou não, verdades).

estomagoEstômago (2007 – BRA/ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O texto é esperto, a comédia não perde o ritmo. Marcos Jorge ainda consegue elevar seu pequeno filme a uma pequenina jóia, culpa de seus enquadramentos fugindo ao óbvio, cenas mais longas, e monólogos sem cortes. Mas nada disso é páreo para o talento, sem precedentes, de João Miguel que a cada filme finca seu nome no cinema nacional. Aqui na pele do nordestino Raimundo Nonato, que chega faminto, e desempregado, numa grande cidade. Como todos os emigrantes, na esperança de um futuro promissor, arruma, por sorte (ou azar num primeiro momento) emprego num pequeno boteco. Ali aprenden fazer deliciosas coxinhas.

O filme transcorre em dois tempos: presente e passado. No flashback temos o protagonista preso, narrando sua situação dentro da cela, enquanto explica com detalhes o ocorrido que o fez ser encarcerado. Em ambos a história o bom humor sobrepõe-se a qualquer outro gênero que insista em surgir, a paixão por uma prostituta, a relação com um dono de restaurante que lhe oferece um bom emprego, o dom de cozinheiro que abre-lhe portas na cadeia, isso tudo é enredo para nos entreter.  O que transforma Estômago num filme especial é a fisionomia do ator, a paixão pela cozinha, em seus monólogos – contando a história do gorgonzola ou outras especialidades –  o segredo é aquele jeito de falar meio simples, meio engraçado, meio nordestino, meio só dele, que nos deixa fascinado.