Posts com Tag ‘Margot Robbie’

I, Tonya (2017 – EUA) 

A opção da narrativa, exclusivamente, no freak show do relacionamento entre esposa (Margot Robbie), mãe (Allison Janney) e marido (Sebastian Stan), diz muito sobre o filme e suas escolhas. Narrado como num documentário falso, com depoimentos que engatam em flashbacks, a cinebiografia das mais controversas patinadoras olimpíacas é tão obtusa quanto a vida de seus retratados.

O filme dirigido por Craig Gillespeie não consegue dar dimensão exata do tamanha de Tonya Harding para o esporte, por mais que os fatos estejam lá, jogados ao léu. Foco no casos de policia (alusão até a O. J. Simpson está explícita no filme), seja na mãe estranha ou no casamento violento. Desse desequilíbrio surgia uma esportista sempre arredia, pouco profissional, e que entra para a história pelas manchas graves de causou no fair play. Como cinema, apenas um show de personagens histéricos e conturbados, e com boas interpretações que fazem o filme parte integrante da corrida ao Oscar deste ano.

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Z-for-Zechariah-01-630Z for Zachariah (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Primeiramente, Craig Zobel prova que não é necessário gastar milhões para realizar um filme-catástrofe. Apenas filmar algumas casas vazias, ruas sem ninguém, um supermercado abandonado e o pavor de poucos personagens com contaminação por radiação na água (por exemplo), são argumentos mais que necessários para contextualizar.

E era para ser outro filme-catástrofe, mas Zobel preferiu aproveitar do fim do mundo para criar um triângulo amoroso. No mundo que o filme apresenta, parecia só existir Ann (Margot Robbie), até a chegada de Loomis (Chiwetel Ejiofor), e no segundo ato, Caleb (Chris Pine). Todo o discurso de religiosidade, dor pela perda da família e recomeço da “humanidade” vão por terra quando o filme, finalmente, entrega o seu viés de disputa romântica, onde desejo reprimido e a falta de excrupulos culminam nos comportamentos humanos.

o-lobo-de-wall-street-cenaThe Wolf of Wall Street (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Martin Scorsese já lançou muitas tendências, já esteve muitas vezes a frente do seu tempo. Ele foi um dos que ressuscitaram o cinema criativo americano (nos anos 70), transformou filmes em clássicos, marcou uma era. Um cara com o talento com o dele, vira e mexe se reinventa, é inexplicável, simplesmente é assim. Enquanto outros tentam se consagrar copiando suas fórmulas (e até mesmo os óculo, não é David O. Russel?), Scorsese vem com algo inusitado, diferente. Um filme debochado, exagerado, com atuações “over” e o humor regado a descaramento e sexo.

Adaptando a autobiografia de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor da bolsa de valores, que acertou na vida, e enriqueceu, enganando clientes e vivendo de tramoias, Martin Scorsese estraçalha com o sonho do americano médio de um mundo de oportunidades. Troca o glamour por uma obsessão doentio por tudo que é proibido e mal interpretado pela sociedade. Nosso protagonista simpático é um bandido do colarinho branco, viciado em drogas, e principalmente em sexo. Leva a vida num grande deboche porque ganha milhões e pode transar com mulheres sob milhares de dólares.

Um show de DiCaprio, cuja interpretação parece a congruência daquela de o Aviador com o Tom Cruise de Magnólia, recheado desse saboroso descaramento sem limites. A perfeita unificação de jovialidade com a teimosia de quem é o dono do mundo, intocável e inalcançável, a a arrogância com a naturalidade dos milhões de dólares.

o-lobo-de-wall-street-cenaAs longas três horas de duração prejudicam o filme, a última sofre de uma edição mais enxuta, de um polimento que os personagens extrapolados não permitiram. A narração em off, que funciona tão bem para o lado humorístico da trama, cai no banal quando entra em cena o FBI e todo o patriotismo americano (que de uma forma ou de outra está enraizada em casa todos os americanos, Scorsese inclusive). Como resultado final, o Lobo é pura injeção de adrenalina num cinema que patina entre os filmes grandiosos e os indies, sempre entre clichês comerciais focados em bilheteria e nunca no filme em si. Scorsese faz vibrar com cenas beirando o ridículo, mas que no contexto soam tão engraçadas.