Posts com Tag ‘Maria de Medeiros’

oquartoproibidoThe Forbidden Room (2015 – CAN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E as loucuras de Guy Maddin, dessa vez divide a assinatura do filme com Evan Johnson, ataca novamente. O canadense que revive os primórdios do cinema mudo e preto e branco, cheio de texturas e efeitos visuais que dão impressão de um filme centenário, está de volta com uma de suas maiores viagens.

E na questão ousadia, longe que este é o que vai além desse conceito. Com uma geleia mortal dentro de um submarino, e uma dezena de filmes-dentro-do-filme, que une diversos atores e outros nomes famosos do cinema mundial (como Jaques Nolot, Geraldine Chaplin, Charlotte Rampling, Maria de Medeiros ou Mathieu Amalric), o roteiro extrapola os limites do racional, sem dó e nem piedade do público.

A dupla de diretores está mais interessado em brincar com iluminação, texturas, colagens e sobreposições, e a diversidade de filtros que transformam ssistir numa experiência quase sensorial. Dessa vez os personagens tem falas, uma das sequencias é quase um musical. Há ainda um humor peculiar, meio escroto, meio deboche, é tudo over. O exagero fantasioso, a radicalidade nas propostas anárquica, Maddin foi muito além e o excesso nunca é benéfico.

Poulet Aux Prunes (2011 – FRA)

Novamente a dupla de diretores Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud trazem às telas  adaptação de um livro escrito por Satrapi, dessa vez o foco é um tio da autora. Muito colorido, todo fofo, as imagens ganham uma mistura de animação e fotografia plastificada que trazem um visual bastante pessoal. A história trata de um músico (Mathieu Amalric) que simplesmente decide morrer. Contado nesse tom de fábula e trazendo lentamente as verdadeiras razões dessa decisão (partindo de uma briga com a esposa (Maria de Medeiros) que quebra seu instrument musical até um fato no passado que marcou o restante de sua trajetória).

Todo a estrutura montada pela dupla de diretores, aliada a essa narrativa meiga e sofisticada fazem um filme bonitinho, agradável, simpatico, uma fofura, só que não consegue ir além disso. Diferente de Persepólis (trabalho anterior) que tinha vigor e encantamento (sem falar no poder político), este aqui é formado de bonitas imagens e a melancholia do personagem que não chega a comover, está contida em sua história simplesmente, um conceito subentendido que nunca atinge ao público, acredita demais no poder das imagens e nos amores feridos.

pulp-fictionPulp Fiction (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

“Não odeia isso? O quê? Os silêncios que incomodam. Por que temos que falar de idiotices para nos sentirmos bem? Não sei. É uma boa pergunta. É assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.” A seqüência é longa, mas do detalhe do milk shake até a caminhada ao banheiro, há um quê de genial em cada detalhe. A câmera pegando os atores em perfil, o jogo de plano contra-plano, os cortes entre um Vincent (John Travolta) incomodado, e Mia (Uma Thurman) com olhar penetrante, a música compassada ao ritmo do diálogo, o ambiente anos 50, o tom de voz, o uso do canudo, tudo. Quentin Tarantino me ganhou, aliás, já havia me ganhado momentos antes, na primeira aparição de Mia, ou melhor, apenas seus lábios vermelhos ao microfone.

A esta altura do campeonato, falar de Pulp Fiction é chegar atrasado na festa, quando já comeram os brigadeiros. Tarantino teceu uma fascinante homenagem a literatura Pulp, criou um filme cult, inaugurou um estilo próprio e pop. Agradou q a quase todos Gregos e Troianos, ganhou da Palma de Ouro a um público cativo. Tudo isso com essa violência sanguinária, com a forte influência do Exploitation, e com essa pega tarantinesca de humor e fascínio. São inúmeras cenas inesquecíveis, que mereceriam ser detalhadas, revistas. o diálogo pré-assalto de Tim Roth, os dois gangsteres com paletós ensanguentados, os acontecimentos na loja de som, toda as sequencias com Harvey Keitel.

O sangue e a violência estão por toda a parte, a narrativa, com cronologia bagunçada é somente mais uma peça chave desse quebra-cabeças. Referências espalhada por todos os frames (espada, moto, twist), é a maneira como Tarantino orquestra tudo que gera o fascínio. Violência romântica, quase deliramos com um apertar de gatilho, o sangue jorrando, o humor sarcástico dos assassinos. Num filme sem mocinhos, os bandidos ficam mais fascinantes. Pulp Fiction é puro deleite, e delírio, cinéfilo.