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Como Nossos Pais (2017) 

Foi o grande vencedor da recente premiação do Festival de Gramado, mas teve sua estréia mesmo no Festival de Berlim. O novo drama da diretora Laís Bodanzky tem a classe média como eixo central, ou mais precisamente a figura da mulher de carne e osso. Aquela que causa identificação imediata com milhares de brasileiras que se equilibram entre a convivência em família, a guerra no mercado de trabalho e a necessidade de manter o conforto financeiro da família, além da enorme dificuldade de educar os filhos, e lidar com as crises e diferenças com o marido, cuidar da casa (não vamos nos esquecer disso) e ainda ousar ter espaço para ela mesma. Enfim, a super-heroína do dia-a-dia brasileiro.

É o personagem da vida de Maria Ribeiro, no cerne de todo esse drama, de representar a mulher da classe média brasileira, em toda a complexidade de suas fragilidades, necessidades, carências e  individualidade, mesmo que inibida pelo peso de tanta gente sob sua responsabilidade (financeira ou social). Não é fácil, e não bastasse isso tudo, o roteiro ainda prega peças nessa mulher, segredos revelados que desestabilizam ainda mais essa pessoa prestes a explodir.

E é dentro dessa claustrofobia dramática que o filme tenta reconstruir uma mulher que nem pode pensar em recomeçar. Bodanzky filma entre o íntimo e o voyeur, outro filme nacional que, nesse ano, tenta unir o popular e o autoral, com sucesso (sigo acreditando que com filmes assim que o público será levado a ver filmes brasileiros no cinema, e com o tempo partir para filmes mais “inovadores”. Ao mesmo tempo em que mantém essa narrativa de fácil dialogo, é um filme sufocante, uma personagem que não tem espaço para trégua alguma. Mesmo nos momentos em que ela parece respirar por seus próprios caminhos, ainda assim há muito peso de responsabilidades, massacrando a personagem. Pesa também momentos de diálogos artificiais, ou a referência tão clichê de Elis Regina, no momento chave da trama. Isso tudo causa irregularidade, a dificuldade em lidar com excessos, os zigue-zague entre naturalidade e artificialidade, é um filme que pede diálogos sinceros, doloridos, e essa equação é sempre difícil de se controlar perfeitamente.

entrenosEntre Nós (2013) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um grupo de jovens amigos reunidos numa chácara, curtindo sua paixão literária e o desejo de se tornarem escritores. Cheios de vida, de esperança, de confiança em seu próprio taco. Cartas escritas e enterradas para serem relida em 10 anos. Tudo é lindo, tudo é alegria, ainda mais com as libertações sexuais e muito álcool para animar.

Paulo Morelli filma os dramas da fase adulta, sua visão após dez anos é de gente ressentida, com sentimentos de fracasso, culpa, ou amores renegados ao passado em prol de alguma estabilidade. Seu drama poderia ser algo próximo de um Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, dirá um Cassavetes. Mas náo, seus personagens se mostram cada vez mais fragilidades pela própria criação irregular dos mesmos, pela obviedade de seus atos.

O mote principal de todo o drama (carregado em Caio Blat) fica óbvio desde o primeiro instante, e o status coadjuvante dos demais estará sempre renegado a essa culpa maior de alguém que vive sob uma mentira (que mundo cruel, não?). Tenta ser intimista, tenta ser doloroso, mas todos os esforços parecem em vão quando sua proposta parece amarrada a escalação do elenco, tendo que colocar no topo os nomes centrais (Carolina Dieckemann e Paulo Vilhena, que mostram tantas fragilidades, e Maria Ribeiro, nessa ordem).  Uma visão desgraçadamente pessimista do mundo.

Tolerância (2000)

Um casal mergulhando num jogo, não programado, de infidelidade, erotismo e tolerância. Personagens com valores diferentes da sociedade mais tradicional tumultuando um matrimônio que parecia tão sólido Entre aspirações políticas, e sonhos, Júlio (Roberto Bomtempo) e Márcia (Maitê Proença) vivem longos anos de casamento. Ela uma advogada inescrupulosa, ele um editor de fotos para revistas pornográficas. A confissão de uma pulada de cerca leva o traído a extrapolar sua libido e também buscar sexo com outra pessoa. O quanto um casal pode tolerar essas aventuras extra-conjugais?

O filme sai em busca de uma analogia entre a luta do MST e a vida conjugal. O filme todo é um mar de clichês, o diretor Carlos Gerbasenão consegue ir muito além da exploração da sensualidade de Maitê Proença e da presença como uma Lolita de, Maria Ribeiro. Sensualidade à parte, porque as interpretações nem são destacáveis, é necessário, realmente, muita tolerância para conseguir levar a trama até o fim.