Posts com Tag ‘Mario Puzzo’

osicilianoThe Sicilian (1987 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Em muitos pontos a filmografia de Michael Cimino me faz lembrar Coppola, também na fase da Nova Hollywood. Ambos filmaram a Guerra do Vietña, ambos adaptaram Mario Puzo em histórias envolvendo máfia, a Sicília. Há outros filmes de Cimino que tem algo do clima de O Poderoso Chefão, talvez Cimino seja mais virtuoso no ato de filmar, porém mais próximo do cinema de ação.

Christopher Lambert (sempre fraquinho) encarna Giuliano (personagem verídico que agia como Robin Wood nas minhtanhas da Sicília). O roteiro apresenta ascenção e queda, a proximidade com o povo, a ingenuidade do ego inflado e a sabedoria dos verdadeiros mafiosos em manipularem-no. Cimino dá sinais de seu estilo em alguns momentos, aproveitando, por exemplo, na visão árida das montanhas. Porém, de forma geral, pelas atuações irregulares, ou pela condução quem esboça um western, mas se apresenta apenas como um filme que adapta as ideias do livro, de forma pouco inspirada.

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opoderosochefao2The Godfather (1972 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

O primeiro plano, fechado, lentamente a câmera vai se afastando, do homem pede um favor, e abrindo mais a imagem. Um escritório, a silhueta do rosto se forma, um breve gesto: Don Corleone (Marlon Brando). Uau! Sua figura domina qualquer cena, seus pequenos gestos parecem colossais, tamanha liderança e potência com que sua presença domina tudo. Respeito, charme do clássico italiano, temor. Don Corleone fala manso, é carinhoso, prima pela família e por seus códigos éticos.

Sinto como se também fosse convidado para a festa de casamento da filha de Don Corleone, as sequencias se dividem entre a fila de favores pedidos e os festejos animados à italiana, e Francis Ford Coppola vai deixando o público se familiarizar, tornar um pouquinho parte da Família, criado do best-seller escrito por Mario Puzzo.

opoderosochefao1Eles são fascinantes, mafiosos, violentos, sejam calmos ou explosivos. O cinema tem esse dom de nos fazer apaixonar por vilões, serial-killers, bandidões. A maior trilogia do cinema faz mais, te convida a participar da família, quase dividindo a função de consigliere com Tom Hagen (Robert Duvall).

Sonny (James Caan), o filho braço-direito de Don Corleone, Michael (Al Pacino), o caçula protegido que diz ser diferente e não pretende fazer parte dos negócios. Um atentado contra a vida do patriarca, o início da transformação.

Se Marlon Brando é soberano, com a fala mansa e o poder de liderança nato, é Al Pacino quem opera o milagre da virada do personagem, de maneira discreta, a transformação se fazendo no olhar, em gestos, o poder hereditário que aflora do ex-soldado. Em contrapartida há Kay Adams (Diane Keaton), a namorada cujas cenas parecem apenas para pontuar a diferença de caráter de Michael da família. Nada disso, cada mínimo detalhe da trama está interligado com acontecimentos futuros, o olhar revelador da porta, antes de ser fechada, na cena final, é apenas parte da importância que a presença feminina de Kay tem na trama. Sutil e definitiva.

As cenas memoráveis (o atentado a Corleone na quitanda, Michael matando Sollozzo (Al Lettieri), a cena do pedágio, a conversa entre Corleone e Michael onde ele avisa o que está por vir e o batismo na igreja intercalado com uma série de assassinatos) se amontoam enquanto a saga dos Corleone enche de sangue a Nova York dos anos 40. Porém, a violência é charmoso, tal qual o sotaque italiano, a macarronada na mesa e o respeito com que a família é colocada acima de tudo. E a trilha sonora de Ennio Morricone? É filme para ser visto de pé, com aplausos entusiasmados a todo momento.

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