Posts com Tag ‘Marion Cotillard’

eapenasofimdomundoJuste La Fin Du Monde / It’s Only the end of the World (2016 – CAN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quanto falta para Xavier Dolan deixar de ser histérico? Não fosse isso, seu novo filme poderia ser bem mais interessante, mas o histerismo é mais forte do que o ainda jovem diretor. Lá está ele com novos diálogos à flor da pele, planos bem fechados nos atores, e cortes e mais cortes com conotação de grande intensidade. Fica tudo a ponto de explodir, mas diferente de um Segredos e Mentiras, são apenas todas as cenas assim, apenas todas, e desse excesso histérico que o que há de melhor escapa-lhe pelas mãos.

Louis-Jean (Gaspard Ulliel) vem visitar sua família, após doze anos só por cartas. A visita não é à toa, ele é um doente terminal, e vem contar seu drama à família. Lá encontra todos amargurados pela distância, em discussões intermináveis e recorrentes, que nada resolvem e muito machucam. Com mais sensibilidade, esse encontro de Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard e Léa Seydoux poderia ser um filme não menos que inesquecível. Acabou sendo apenas estridente aos ouvidos.

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doisdiasumanoiteDeux Jours, Une Nuit (2014 – BEL) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Mendigar seu emprego aos colegas de trbalho. Marion Cotilard, sem maquiagem, descabelada, desesperada, não tem outra saída, precisa implorar que seus colegas prefiram que ela mantenha o emprego, ao invés deles ganharem um bônus. Eles já votaram pleo bônus, mas ela convence o chefe de que merece uma segunda votação. Resta o fim de semana, procurar todos os colegas e pedir que mudem o voto.

O argumento é perverso, tendencioso, claramente melodramático. Na peregrinação pela solidariedade dos colegas, ela tem o suporte do marido (Fabrizio Rongione), que trabalha como garçom. Sem o salário não teriam como pagar as contas da família (dois filhos pequenos). Jean-Pierre e Luc Dardenne abordam os mais diferentes pontos do relacionamento humano enquanto Cotilard se desdobrar em visitar os 16 colegas que poder permitir que ela mantenha o emprego.

A cada visita a umdos colegas é uma nova sessão de desespero no público. Lágrimas, desespero, a voz trêmula, a humilhação. Do outro lado, eles ouvem atentamente, argumentam, uns são solidários, outros tem medo, há os que desprezam. A cada casa, a cada pessoa, um tipo de comportamento, o conto moral dos Dardenne disseca cruelmente a vida social em sua plenitude.

O famoso estilo visual dos irmãos cineasta nunca foi tão bem utilizado. A câmera na mão, planos fechados, muitas vezes na nuca dos personagens, é de uma invasão absurda. Descontrole emocional, apoio, o desespero do pior prestes a acontecer. O filme dos Dardenne é de arrepiar o cabelo de qualquer careca, vai desde o cinismo com que as relações empregatícias se constitui (ou vocês escolher ela, ou um dinheirinho a mais no final do ano), até os comportamentos díspares e inesperados quando o coletivimos é colocado à prova frente o individual. O desemprego como foco da desestabilização pessoal e social, haja lágrimas para resistir até o final.