Posts com Tag ‘Mark Ruffalo’

margaretMargaret (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O nome de Kenneth Lonergan talvez fosse mais conhecido como roteirista dos filmes Máfia no Divã e Gangues de Nova York, mas devido ao sucesso de Manchester à Beira-Mar (seu terceiro longa-metragem), essas referências tendem a serem deixadas de lado, em prol da carreira desse habilidoso, e promissor diretor bissexto, da cena indie dos EUA. Vejamos o caso deste extraordinário trabalho, que foi seu trabalho anterior.

A referência à Margaret do título vem de um poema estudado em aula, e que a estudante Lisa Coehn (Anna Paquin) vê claras referências em sua vida, no momento. Aos dezessete anos, a garota vive da efervescência adolescente, entre crises diárias com a mãe, relativamente ausente, e os telefonemas conciliadores do pai (o próprio Lonergan). E também, obviamente, da relação com garotos, através da descoberta do sexo, das liberdades conquistadas pela idade, ou poor essa presença distanciada da mãe, e as besteirices da fase de transição antes de se tornar adultos. E, em uma dessas bestericies, a garota se vê envolvida num acidente de um ônibus (Mark Ruffalo interpreta o motorista)  atropelando uma mulher, por cruzar um farol vermelho (ou não).

É do trágico que Lonergan constrói camadas, e mais camadas, através de seus personagens. Digressões morais, e ambiguidades humanas capazes de desenvolver personagens de forma tão sólida. Afinal, não só a figura central e insegura da garota, mas também, sempre à sua órbita temos o pai e sua esposa pouca afeita à enteada, a mãe atriz (J. Smith-Cameron) que vagueia entre a vaidade e o despertar de um romance (Jean Reno), fugindo o padrão de ser espelho da filha, por seus comportamentos ora meio desequilibrados, ora totalmente egoístas. Até mesmo coadjuvantes menores, que passariam despercebidos, mas aqui engrossam o caldo dessa sopa dramática, de um estudo das fragilidades e sensos de justiça do ser humano, coadjuvantes estes que podem só aparecem como vozes ao telefone e ainda assim conseguimos compreender suas motivações e comportamentos..

É impressionante a força com que Lonergan conduz personagens em suas conectividades, tanto de forma coletiva, quanto em suas próprias individualidades, e permite que seus dramas pessoais prossigam paralelamente ao desfecho desse acidente, que envolve advogados, imprensa, sindicatos, o peso da culpa e a carga de prejudicar, ou não, uma família, cujo patriarca tem relativa, ou muita culpa, dessa tragédia que pode beneficiar pessoas que nem se importavam em vida com aquela que foi a única vitima de um roteiro tão intrincado.

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spotlightSpotlight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O irregular cineasta Tom McCarthy (que no ano anterior cometeu a terrível comédia Trocando os Pés, com Adam Sandler), dessa vez consolida seu nome, da cena independente, com um dos principais aspirantes ao próximo Oscar. Baseado nos fatos reais de uma investigação do jornal Boston Globe, que desencadeou um escândalo gigantesco de padres pedófilos, o filme tenta entrar na redação do jornal e dar maior ênfase à corrida da noticia, do que ela propriamente.

É um estudo empolgante da garra com que jornalistas buscam a noticia, e a forma com que se relacionam a ela, enquanto as discussões entre editores formatam os próximos passos, o como seguir (que muitas vezes é totalmente diferente do que os jornalistas gostariam). Tom McCarthy é feliz em tratar simultaneamente noticia e jornalismo, uma profissão que tenta passar pela reformulação das eras da internet, e parecenem tão valorizada quanto outrora.

Esse resgate do profissional, principalmente o personagem de Mark Ruffalo, converge com o espirito investigativo, com a ânsia por mais, a insatisfação. Tudo resumido pelos planos e contra-planos, os diálogos acalorados, e as posições dúbias em muitos os casos. Se McCarthy pouco explora os verdadeiros interesses editoriais (deixa tímidas perguntas no ar), traz um retrato pulsante do que é o ser jornalista.

vingadores2aeradeultronAvengers: Age of Ultron (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Passada a novidade do encontro dos heróis da Marvel, num mesmo filme, e das sequencias dos filmes individuais, chega a hora do novo encontro dos Vingadores, e surge uma pergunta: Até quando os filmes permanecerão tão iguais? Porque, se teremos uns três filmes por ano, dessa turma, há que se apresentar algo além, ou o público-pipoca se contenta com o humor característico e as expressões de efeito dos heróis diante dos vilões?

Criou-se um ciclo vicioso. O humor de Tony Stark (Robert Downey Jr) precisa estar presente nos demais heróis. O timing humorístico já não é o mesmo porque a fonte seca. Por isso, exceto as brincadeiras com o martelo do Thor (Chris Hemsworth), o rsto não funciona, mas passa batido dentro da farofada que Joss Whedon segue comandando.

O tema inteligência artificial parece a bola da vez em Hollywood. Primeiro foi o esquecível Chappie que retoma a ideia, e agora os Vingadores sofrem também com este advento (em breve teremos o novo Exterminador do Futuro). Ultron (James Spader) e Visão (Paul Bettany) são inserções interessantes ao mundo Marvel, porém ficam de escanteio, em detrimento as farpas trocadas entre Homem de Ferro e Cap. America (Chris Hemsworth), o romance complicado entre Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlet Johansson), ou a tentativa de dar protagonismo ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). A franquia parece mais preocupada em dar suporte aos próximos filmes, do que se estabelecer como um filme interessante. Prefere ser pura farofa.

FOXCATCHERFoxcatcher (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A polêmica corre solta pela internet, o lutador Mark Schultz (Channing Tatum) dispara tweets bipolares sobre o filme. Sua reação vai do ódio eterno, por sutis conotações homossexuais na história, até elogios rasgados após as indicações ao Oscar. Schultz não se controla, explode, demonstra ser o personagem que o filme expõe.

O diretor Bennett Miller vai ser tornando o homem das biografias do cinema americano moderno. Depois de Capote e Moneyball, ele volta ao mundo do esporte, dessa vez o foco na luta greco-romana. A história beira o fascinante por conta do multimilionário John du Pont (Steve Carell) e seu fascínio pelo esporte. Egocêntrico, carente, frágil, poderoso economicamente, Du Pont se torna patrocinador e líder da equipe olímpica americana. Por mais que o filme tenha predileção por Schultz, é no contido Du Pont que encontra os ingredientes do desequilíbrio emocional, da loucura, da total falta de controle.

Oposto está o irmão de Schultz, David (Mark Ruffalo) com sua personalidade sociável e amável. Os três formam os pilares do comportamento competitivo que o filme tenta preservar enquanto desenvolve a trágica história de declínio de um campeão olímpico. A força do capital, a incapacidade de se desvincilar de uma armadilha não-planejada, algo como cair na areia movediça. Porém, Miller perde tempo, gasta cenas, tem esses personagens poderosos (como era Capote), e resgardo-os excessivamente em cenas contidas. Acelera a história, demora tempo demais construindo o alicerce para ter que terminar a casa de qualquer jeito. Resta um hiato, dose sacal de distanciamento, que o próprio roteiro não dá conta de preencher.

mesmosenadadercertoBegin Again (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O diretor John Carney ataca novamente, poderia ter descambado para a comédia romântica, seria mais prático/honesto. Após seu sucesso indie com Apenas uma Vez, ele erra feio ao tentar mesclar o pop, com a cena indie (cinema e música) que tomou conta da internet. Filma com aspecto caseiro, personagens cheios de seus probleminhas pessoais, novamente pessoas ligadas à música. O título brasileiro dialoga com o próprio Carney, porque nada sai certo, mas como tem cenas “fofas”, parte do pública compra, e fica tudo certo.

Começando pela enormidade de canções, nenhuma delas que seja, no mínimo, marcantes. Elas preenchem emoções, causam desavenças, tentam preencher o que o roteiro não consegue desenvolver bem. O produto musical Dan (Mark Ruffalo) e seu caos psicológico esbarram o antagônico entre o doce e o alcoólatra, e esse encontro não funciona. Os demais personagens são clichês, a garota romântica, doce e bonita (Keira Knightely), o namorado calhorda arrependido (Adam Levine, que só consegue mesmo emprestar seu nome), e assim sucessivamente. O tempo todo Carney fica tentando encontrar o tom certo entre o pop e seu espírito indie, essa gangorra pende sempre a falta de necessidade de mais um filme como esse, que serve para ser esquecido no minuto seguinte ao término.

 

 

truquedemestreNow You See Me (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Se David Copperfield fosse parar no cinema, o resultado seria um filme como esse. O diretor Louis Leterrier usa de todas as artimanhas e pirotecnias do cinema (desde efeitos especiais, a roteiros cheios de segredinhos) para criar esse entretenimento pipoca-tamanho-família. Um conjunto de tolices muito bem tramadas por um ritmo narrativo agradável e um grupo grande de atores famosos (Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Woody Harrelson, Mark Ruffalo, Mélanie Laurent, Morgan Freeman, Michael Caine, Dave Franco).

Mais tarde a história abusa do “mentir ao público” e aquele show de mágica, misturado com roubo a banco, naufraga na paciência dos que cobram um minimo de coerência. Personagens caricatos, romances óbvios desde a primeira cena, e a transposição do mundo dos ilusionistas para o mundo do cinema, que deixa tudo mais fácil.

osvingadoresThe Avengers (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Que grande farofa cozinhada pelo diretor Joss Whedon. Mas, como nas propagandas das Facas e da meias resistentes: “não é só isso”. A farofa é bem encorpada, tem tomate, linguiça especial, ovo, e outras iguarias pouco comuns. O plano da Marvel foi claro, lançar filmes, independentes de seus heróis, e depois uma franquia que os uma. O futuro promete que os filmes independentes também dialoguem com a franquia principal, garantindo assim mais bilheteria. Se alguns filmes deram certo (Homem de Ferro), outros fracassaram (Hulk, por exemplo foram duas tentativas e nada, só que dessa vez, Mark Rufallo foi quem roubou a cena e pode trazer nova vida ao Hulk).

osvingadores2

E nesse foi momento de unir os Vingadores através da S.H.I.E.L.D, prevalece, acima de tudo, o humor de Tony Stark, multiplicando aos demais. Deixando que as explosões ocupem o resto da história. Sinto falta de uma preocupação mais forte com vilão (Loki), e com uma história que não fosse plausível apenas com extraterrestres (porque desse modo ficou fácil). Mas, se o cinema é capaz de criar um produto para se saborear com pipoca e diversão, os Vingadores é o exemplo máximo.