Posts com Tag ‘Martin Landau’

Crimes and Misdemeanors (1989 – EUA)

Duas histórias, uma carregada de veia cômica é protagonizada pelo cineasta (Woody Allen), casado, que sonha em fazer um documentário com um professor de filosofia. Só que, sem dinheiro há um bom tempo, aceita dirigir um doc-retrato de seu cunhado (famoso dramaturgo na TV). Nasce um triângulo amoroso, por um lado o charme do arrogante cunhado (Alan Alda), por outro a conexão intelectual do cineasta fracassado, entre eles a produtora (Mia Farrow) entusiasmada nos depoimentos do professor de filosofia. A outra história traz a carga dramática, um oftamologista (Martin Landau) sofrendo pressão permanente de sua amante (Anjelica Huston) para largar a esposa e se casarem. De que forma se livrar daquela aventura mal planejada? Depois a dor do peso pela decisão tomada.

O primor do texto é algo realmente hipnótico, Allen discorre questões de relação humana numa série de seqüências de alto requinte. Personagens e situações (cômicas ou dramáticas) permeados por um tom de classe, a elegância tanto no sarcasmo da relação entre cunhados, quanto na nuvem negra que pesa sob a cabeça do médico cuja consciência parece pesar mais que sua cabeça pode suportar. É um filme que carece de revisões constantes, há coisas ali que podem mexer com sua mente a cada nova fase da vida. Porém, há uma característica em praticamente todos os filmes de Allen que aqui fica mais evidente, sua fraca direção de atores não extrai deles seus melhores momentos ou cenas de forte impacto (e aqui Martin Landau fica devendo), os filmes de Allen primam sempre pela genialidade nos textos (principalmente em off ou falados com alvo direto no público e não entre personagens), os alter-egos são sempre geniais, mais por repetirem os trejeitos do próprio Allen, é verdade que algumas atrizes (como em Maridos e Esposas ou Hannah e Suas Irmãs) têm atuações destacáveis. Mas, minha impressão é que Allen se preocupa com o texto minuciosamente e depois filma de maneira “preguiçosa”.

alendadocavaleirosemcabecaSleepy Hollow (1999 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Famoso conto folclórico americano sobre um cavaleiro sem cabeça que fica vagando pelos bosques e decapitando pessoas na procura de sua própria cabeça. Nas mãos do diretor Tim Burton o filme ganha o correto estilo dark e sombrio que já lhe é particular.

Em 1799, num pequeno vilarejo nos EUA, diversas pessoas tem aparecido mortas, com suas cabeças cortadas. A população está aterrorizada. Para tentar solucionar o caso é enviado o detetive Ichabod Crane (Johnny Deep) decide inovar com novos métodos de investigação. Enquanto as mortes persistem e o se apaixona pela jovem misteriosa Katrina Van Tassel (Christina Ricci), Crane suspeita de algum tipo de conspiração envolvendo as figuras mais importantes do vilarejo como o reverendo, o juiz e outros.

Como de costume nos trabalhos de Burton, é tecnicamente impecável: figurino e direção de arte (inclusive ganhou o Oscar). O que falta é suspense. O clima sombrio por si só não consegue dar vazão às expectartivas sobre quem é o verdadeiro vilão da história. O personagem de Deep é caricato demais, desengonçado, e Ricci, ao meu ver, ainda não conseguiu desprender-se do seu personagem da Família Adams. Christopher Walken faz duas ou três caretas e só, e a lenda do cavaleiro sem cabeça fica se resume num filme decepcionante.

ed_woodEd Wood (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Que figura sensacional foi Ed Wood (Johnny Deep), e, sem dúvida, nenhum outro cineasta tem uma carreira onde uma cinebiografia, sobre o pior cineasta do mundo, se encaixaria de maneira tão homogênea. Terror B, filmes realizados de qualquer jeito, chega a ser impressionante como Ed Wood conseguia dinheiro para financiar seus filmes, tamanho o descuidado que tinha com os detalhes. Transformava, sem o menor pudor, um lençol num polvo gigante, como se o cinema fosse um teatrinho de escola.  Seu jeito de dirigir filmes, de escrever, por si valeriam esse estudo, mas a figura de Ed Wood era ainda mais complexa, à época, e já tinha manias de usar roupas de mulher, um escândalo e ainda tão carismático.

A trama parte de Ed Wood como um aspirante de cineasta, namorando com Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker), uma atriz sem sucesso. Ele faz de tudo para conseguir transformar suas idéias estapafúrdias em filmes, e após um encontro casual, com o antigo astro de filmes de terror, e agora decadente Bela Lugosi, finalmente consegue produzir seu primeiro trabalho. O primeiro fracasso não o deteve, aproveitando-se de Lugosi, ele continua se esforçando para conseguir patrocínios.

Em sua opinião tudo sempre estava perfeito (essa é uma frase muito usada por ele). De maneira amadora e improvisada, porém com entusiasmo contagiante, ele cativava as pessoas. E assim conquistou sua nova namorada, Kathy O’Hara (Patricia Arquette), e construiu sua carreira louca e improvável. Pelas mãos de Tim Burton, e sua atmosfera macabra, alicerçada na linda fotografia em preto e branco, nasce essa bela homenagem a Ed Wood e Bela Lugosi. Mas, é a interpretação de Johnny Deep e de Martin Landau, os grandes trunfos que transformam este, no grande acerto da carreira de Burton, quem diria, logo o filme sobre o cineasta dos erros.