Posts com Tag ‘Martina Gusman’

La Quietud (2018 – ARG) 

Em seu novo filme, Pablo Trapero camufla o tema da ditadura militar argentina com uma história familiar da relação conturbada de três mulheres. Primeiramente a cumplicidade entre as irmãs, afastada do dia-a-dia por viverem em outro país, depois a relação de cada uma delas com a mãe, e com seus maridos ou antigos amores. A trama entrega lentamente a verdadeira relação entre cada um deles, além de detalhes do passado e um capítulo de filme de tribunal que oportunamente resgata, fortemente, o tema político.

Cumplicidade x rivalidade, o luto, está tudo misturado. Trapero eleva a temperatura sexual e as crises (algumas histéricas) para intensificar essa disputa familiar, dessa forma exagera onde sutilezas seriam necessárias, além de aproveitar pouco os homens, mero coadjuvantes. É um Trapero querendo ser mais sensível, flertando com a alma feminina, mas com resultados muito aquém.

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Elefante Blanco (2012 – ARG)

O prédio, abandonado há décadas, se tornou o elefante branco invadido por sem-tetos. Ao seu redor nasceu uma favela, e como sabemos, onde há favela, normalmente há marginalização, tráfico, problemas sociais. Sob a ótica de dois padres e uma assistente social, o filme resgata não só o cotidiano dessa região de Buenos Aires, como a relação entre pessoas engajadas na melhoria da situação dos que ali vivem e as dificuldades do caminho.

É um Cidade de Deus sem a pegada pop e o virtuosismo estético, os padres (Ricardo Darín e Jérémie Renier) vivem dilemas pessoais e profissionais. A construção patrocinada pelo episcopado não vai, os funcionários nunca recebem salários. Alguns personagens coadjuvantes mostram bem a guerra do tráfico, como os jovens acabam no mundo marginal. Trapero aparece aqui e ali com alguns plano-sequencias belos, os padres cruzando a favela e conversando sobre a situação do local, a câmera os acompanha, num trabalho cirurgico.

Porém, o filme se apega demais a todos os seus temas, qual a importação de um padre europeu que se envolve de forma “carnal” com uma mulher? Nenhuma para o funcionamento da favela, ou, até mesmo, para o grande tema que seria essa relação entre Igreja e o social, os mecanismos e a vagarosidade da corrupção. O filme tenta provar que mergulhado naquele submundo, qualquer um cria sua própria ética, no final, todos estão em busca de cumprir suas metas, seja o governo, seja a Igreja, seja o traficante protegendo o seu negócio.