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Zama (2017 – ARG) 

Tão esperado e tão discutido, afinal, o novo filme de Lucrecia Martel acabou não sendo selecionado para a competição dos grandes festivais, apenas integrando as exibições especiais. E é um filme sobre o colonialismo europeia na América do Sul, e também um filme de sobrevivência.

O Zama do título é um oficial da coroa espanhola, que espera uma carta do rei com sua transfência à Europa. Os anos passam, a carta nunca vem, mas ele sempre se coloca submisso a qualquer governador da região, em busca de agradar e finalmente obter seu objetivo. No segundo ato, cansado da espera, ele parte em busca de um perigoso bandido pela selva da região (divisa com o Brasil).

É um filme mais claro em seus dilemas, ainda que também pessimista de Lucrécia. Filmar a América Colonial tem seu mostrado uma tarefa ingrata, o público não corresponde, o tema normalmente trafega pelo monótono. Por outro lado, há muito do cinema sensorial da argentina, onde sexo e racismo estão entre os panos de fundo, mas é a desesperança o combustível que carrega Zama por sua rotina diária burocrática e simplista. Lucrécia filma nossos primórdios, mais límpido que o Joaquim de Marcelo Gomes, porém mais reflexivo que a última leva de filmes que jogaram luz sobre essa época.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Fora da Competição

maesohaumaMãe Só Há Uma (2016) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

E Anna Muylaert vem enfrentar o dilema do filme seguinte a um grande sucesso (Que Horas Ela Volta?). Em seu quinto longa, a diretora finca definitivamente sua carreira num estudo comportamental da classe média urbana (Chamada a Cobrar, É Proibido Fumar, Durval Discos). E nesse contexto financeiro traça diferentes perfis de personagens, misturando idades e comportamentos, ora com narrativa bem popular, e ora explorando mais possibilidades cinematográficas. Mas, acima de tudo, marcando sua assinatura.

Seu novo trabalho é um prato cheio para discussões e observações. Adaptado livremente do caso Pedrinho (que ganhou notoriedade em 2002), resgata a história de crianças roubadas na maternidade. O grande lance de Muylaert é não se apegar unicamente ao drama das família, ou ao processo penal. Com as lentes focadas, principalmente, no adolescente Pierre (Naomi Nero), o roteiro busca explorar a identidade do garoto antes, durante e depois de “concluído” o processo de viver com os pais biológicos. Durante este processo, ele tem sua vida escolar, seus amigos, e sua sexualidade exposta.

É bem verdade que Muylaert ainda mantém alguns comportamentos da classe média que hoje já não condizem com nossa sociedade de modo geral, mas ela prova que está realmente interessada nos comportamentos e nas correlações humanas, por isso se permite se esquivar do processo penal para desenvolver as relações entre pais e filhos, entre irmãos, e a dificuldade de todos em se adaptar naturalmente. Não há naturalidade numa situação dessas e Muylaert vai de encontro à sensibilidade para tornar essa história única, e não apenas contar os fatos do que ocorreu realmente no caso a qual foi baseado. Outro belo filme, com planos muito mais ousados. Um filme com escolhas arriscadas, desde sequencias de sexo, até enquadramentos que fogem do comum, em prol dessa possibilidade de explorar o espaço dos personagens.

bigjatoBig Jato (2015) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O quarto filme de Cláudio Assis foi o grande vencedor do último Festival de Brasília. Ainda mais polêmico fora das câmeras, do que seus filmes (que são bem polêmicos também), o cineasta pernambucano vagueia sempre pela estética suja, pelo discurso crítico e provocador, pelo uso constante de palavras que causam reação na público (merda, sexo, e etc). Seus filmes fedem, e esse cheio vem imerso em discurso poético e contestador. É bem verdade que após sua bela estreia em Amarelo Manga, seu estilo autoral foi confirmado em seus demais trabalhos (Baixio das Bestas e Febre do Rato), ainda que não com a mesma contundência da estreia.

Aqui ele trabalha adaptando a biografia de Xico Sá, a fase adolescente do escritor entre sua sensibilidade pouco condizente com a aspereza do interior nordestino, e a o choque de ideias e atitudes das duas fortes figuras masculinas de sua vida (o pai e o tio, ambos interpretados por Matheus Nachtergaele). O pai prega o trabalho, o tio radialista provoca o emprego de carteira assinada, vive da liberdade e de suas historias com a indústria musical.

Big Jato é o nome da empresa de limpa-fossas da família, o pai carrega os filhos maiores para ajudarem, e entre o tempo trabalhando com o pai, e as visitas ao tio, o jovem Francisco vislumbra seu mundo, seus anseios. É o mais palatável filme de Assis, ainda que o cineasta se esforce com planos-conceituais, busque o diferente dentro da linguagem cinematográfica, a narrativa beira e um tradicionalismo que náo havia antes. Mas, a narrativa nem tem problemas, e sim sua filosofia e sensibilidade que apenas repetem outras tantas histórias de jovens borbulhando por dentro, buscando seu rumo na vida, nem que seja com a quebra de paradigmas familiares.

sangueazulSangue Azul (2014) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A trupe de circo chega a Fernando de Noronha, oportunidade de Zolah (Daniel de Oliveira), o homem-bala, reencontrar sua mãe (Sandra Corveloni) e irmã (Carolina Abras). A beleza da ilha paradisíaca, e dois irmãos que resumem suas vidas em dois elementos da natureza (água e ar). Ela vive como mergulhadora que guia turistas, já ele pula de galho em galho, livre, desenvolto.

É outro típico filme de Lírio Ferreira, musical, suado, maconhado. Praticamente fede a sexo (o fede não quer ter um tom pejorativo). A dança, a praia, o suor, o sexo na areia ou em qualquer canto. Pouco-a-pouco, entre um ou outro plano da beleza imensurável de Noronha, o roteiroi sugere a relação carnal entre os irmãos. Utiliza o parentesco, mas julga a relação como de amigos de infância com desejos mal resolvidos. A trama segue a trupe, e o pequeno clã de moradores que os rodeia, mas o filme é mesmo sobre a libertação desse instinto incestuoso. O problema são as metáforas, as facilidades da trama em unir pontos, enquanto tenta poetizar outros personagens, seu resultado é menos onírico, e mais prático do que pensa.

centraldobrasilCentral do Brasil (1998) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Lembro bem de uma das primeiras vezes em que fui à Cinemateca e fui parar numa mesa, com desconhecidos, discutindo sobre cinema. E um senhor começou a falar sobre o filme, que havia escrito um grande artigo acusando-o de deslavada propaganda em prol do governo FHC (o texto não foi publicado, por escolha do próprio autor, segundo suas palavras), que aquele conjunto habitacional do final do filme era o ápice da propaganda governista e etc. Hoje, voltando ao filme após tantos anos, considero que se fosse filmado no governo Lula, imagino que pudesse haver o mesmo tipo de observação, podem aproveitar ainda argumentos como o bolsa família.

Talvez a observação fosse correta, e eu não consiga até hoje capitar esse ar tucano que aquele socialista convicto enxergava. Sob minha ótica, o filme de Walter Salles retrata o momento do país, de maneira genuína, um momento que começou a ser desenhado pelo plano Real e que, com mutações e correções na rota, segue até hoje de forma sustentável (por mais que não haja crescimento sustentável nesse país).

O primeiro terço do filme é arrebatador, a escrevedora de cartas (Fernanda Montenegro), o desejo do garoto (Vinicius de Oliveira) de conhecer o pai, o retrato da Central do Brasil. Há tanta brasilidade ali, tanta poeira e sentido de sobrevivência que só os brasileiros conhecem. Depois começa ao road movie, propriamente dito. Surge Othon Bastos como um caminhoneiro, surgem dificuldades e percalços. Levar o menino ao pai torna-se uma aventura dramática, e Walter Salles narra toda essa estrada com trilha doce e tom de fábula nordestina, com lágrimas por cada quilômetro rodado.

Decepção, esperança, aconchego, Salles continua resumindo a pobreza do sertão nordestino, o culto à religião, tenta incorporar o máximo de elementos possíveis, e consegue de forma genuína. Tantos quilômetros distantes da Central do Brasil, e a realidade é a mesma, uma banquinha na rua escrevendo cartas para analfabetos, que em poucas palavras poderiam ser tão fundamentais a tanta gente. A saga da busca por um pai, que não deve ser nenhum exemplo de vida (e a presença de Caio Junqueira e Matheus Nachtergaele comprovam isso), ainda assim um pai, pessoa fundamental navida de qualquer um.

afestadameninamortaA Festa da Menina Morta (2008) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Rapidamente, Matheus Nachtergaele se colocou como um dos ícones, da melhor safra, do cinema nacional mais recente. De filmes populares a outros “mais artísticos”, o ator esteve presente, e com, 2-3 outros atores, se tornou sinonimo de cinema nacional. Sua única experiência na direção, onde até em Cannes foi parar, me parece ter sido o último prego no caixão que as novelas colocaram no caixão da carreira cinematográfica.

Nachtergaele viaja à região amazônica, adaptando alguma crença que por lá encontrou, de um figura carismática (Santinho – Daniel de Oliveira) que teria visões após a morte de sua irmã. O filme irregular desmascara a figura mimada, egoísta e adorado por um povo apto por acreditar em símbolos religiosos. Nachtergaele não escapa da caricatura que o próprio cria a seu personagem principal, entre os trejeitos homossexuais e o destempero das revelações pessoais às vésperas da festa de vinte anos da menina morta.

Febre do Rato (2011)  estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Entre amigos, tenho pregado a ausência de diretores brasileiros que conseguiram construir uma carreira, no cinema nacional mais recente, com filmes que dialoguem, que tenham unidade, que realmente apontem um autor. Cláudio Assis é uma das raras exceções em que a carreira é coerente, sólida, que de tempos em tempos lança uma nova obra que se enquadra num “padrão” próprio. E isso é positivo, gostem ou não desse “padrão”.

Febre do Rato é um jornaleco feito no fundo do quintal, sua existência não vai além da necessidade de Zizo “Poeta” (Irandhyr Santos) se expressar. Não basta a ele imprimir e entregar ao povão, ele precisa de um palco, de um microfone e soltar sua verborragia inflamada contra a condição social dos não favorecidos, ou, simplesmente, falar de amor. Calma, o discurso de Cláudio Assis não é nada panfletário, e sim libertário, anárquico, é de fazer refletir com sua própria liberdade.

Estamos novamente em Recife, Assis filma os submundos de sua cidade, é sua grande obsessão junto da necessidade de chocar. Todo em preto e branco, se o poeta é o instrumento, o foco do filme é esse grupo de amigos que vive alheio às convenções sociais mais conservadoras, e também ao caso de amor que o poeta se debruça em viver, porém a moça (Nanda Costa) nega por mais que coloque lenha na fogueira. O coveiro casado com uma travesti, as velhas que bebem e transam com o poeta, os três amigos que dividem uma casa e uma mesma mulher.

Assis agride nossos olhos, principalmente a moral de muita gente (chega realmente a passar dos limites), mas é sempre coerente à sua proposta, aos seus personagens, ao seu submundo recifense de sexo, drogas, e diversão, num mundo fétido e barrento.  De provações sexuais à rotina alcoolica maconhada, a liberdade sob perspectivas que acabam abafadas pelo modus operandi do sistema.

baixiodasbestasBaixio das Bestas (2007) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

As diversas vertentes do tema sexo, discutindo seus comportamentos na Zona da Mata de Pernambuco (e porque não expandir para as diversas zonas predominantemente rurais brasileiras). O filme de Cláudio Assis exagera na dose de violência e perversão (não que esteja mentindo), mas o desejo de chocar parece o único mecanismo que o cineasta encontrou para prosseguir com seu tema, e se fazer entender.

O mundo transpira sexo, começando pelos filhinhos mimados de fazendeiros que estudam na capital e barbarizam nos finais de semana, com os carros dos pais pela cidadela. Mergulhados em álcool e drogas, atravessando madrugadas em orgias por bordéis. Passando pelo puritanismo hipócrita do velho sustentado pelo trabalho de lavadeira da neta adolescente, e que a noite exibe a menina nua aos caminhoneiros de passagem pela cidade (de tudo que será visto, nada mais indigesto e repugnante do que esse conjunto de cenas).

Um filme irmão de seu antecessor, só que com menor contundência, e algum desperdiço de talentos (Hermila Guedes é o melhor exemplo, por outro lado Caio Blat, Matheus Nachtergaele e Dira Paes estão bem como sempre) aqui e ali debruçados em uma gratuidade nas cenas. Os homens vivem para a cachaça, as mulheres para a submissão, e o destino imperdoável a quase todos eles. Assis não nos oferece reflexão, seu filme é novamente cru e direto, a fotografia oferece sensação de lama, de logo, é nesse antro que vive essa gente, assolada por seus costumes antiquados, desumanos, egocêntricos, sexuais.

amarelomangaAmarelo Manga (2002) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Rústico, quase cru. Amarelo é a realidade de um Brasil metropolitano, que se esconde de sua periferia. Um país doente, sem cor. A realidade desses personagens está em cada esquina de nossas grandes cidades, e mesmo não sendo enxergada pelas elites, acaba apresentando seus resquícios. O filme é ambientado em Recife, mero detalhe, qualquer outra capital seria palco tão perfeito quanto.

“O Brasil é estômago e sexo”, esta é a afirmação que o filme quer move a trama, e é impossível não constatá-la ao termino da projeção. Nosso povo movido por estômago e sexo, como se fossemos ocos, falta conteúdo e sobra instinto. Tudo nesse país resume-se a busca de saciar esses desejos, a falta de educação do povo reflete em pessoas simples e deturpadas.

Peguemos como exemplo o açougueiro Wellington “Canibal” (Chico Diaz). Casado com a devota crente Kika (Dira paes). Ela é daquelas que vivem nos cultos, não fazem mal a ninguém. Seu único medo é o adultério. Perdoaria qualquer coisa, até matar, exceto traição. Nosso Canibal confia mais nela que em si próprio, mas ela é ruim de cama, boa mesmo como mulher, então ele mantém um caso. Vem a pergunta, o que é uma boa mulher, alguém respeitável que cuida da casa e da comida? Para Canibal, e outros milhares de brasileiros, é exatamente isso. Sua vida é um bom prato de comida e uma mulher boa de cama.

Este é apenas um exemplo, em vinte e quatro horas, o filme fará um pequeno retrato de inúmeros personagens, capazes de prova a teoria de que nossa vida beira à mesmice, cada um com sua maluquices e problemas. Dunga (Matheus Nachtergaele) é homossexual, daqueles cheios de frescura e trejeitos. Trabalha num hotel esdrúxulo, e é apaixonado pelo açougueiro Canibal. Sua mente diabólica planeja conquistar, a todo custo, seu amor, como ele mesmo diz: “Bicha quer, bicha faz”. No hotel mora Isaac (Jonas Bloch), um homem estúpido, que troca um pouco de maconha por um defunto, para matar seus estranhos prazeres. Da janela de seu carro acompanhamos uma cidade deteriorada, coberta de lixo pelas ruas, edificações pichadas e caindo aos pedaços.

O padre é dos mais liberais, sua igreja está fechada, mas ele continua pela redondeza batendo papo, pregando para seus “fiéis” e gastando sua sabedoria. Há também os amigos que filosofam na mesa do bar, Dona Aurora e sua eterna falta de ar, e sentimento de perseguição por um possível passado obscuro que ela tenha vivido. No meio destes e outros personagens tão reais e perturbadores vemos uma luz no fim do túnel, um pouco de sanidade. Lígia (Leona Cavalli) é dona de um boteco. Seus dias resumem-se a bêbados que pensam que seu corpo está à disposição deles, só que ela consegue enxergar sua realidade, sabe que aquilo não é vida para ninguém, mas não lhe restam alternativas. Esse país tão viciado não permite que as pessoas tentem recomeçar. Lígia é a lucidez dentro desse amarelão sem fim.

Cláudio Assis estréia na direção com muita pose de cinema experimental, sua construção de personagens é evoluída, e a narrativa de filme-painel é seca, suja. Peculiaridades do povo nordestino são apresentadas com bom humor, como na cena do bar em que o rapaz se refere à turma como “Talebans e Osamas”. O título é competente, a metáfora da cor inteligente. Não quero mais ver meu país pintado em amarelo manga.

cidadededeusCidade de Deus (2002) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

A realidade brasileira expressa de forma crua, e conquistando o mundo tanto pelo impacto imediato, quanto por destaques técnicos que o cinema nacional normalmente não primava em tamanha excelência. Baseado em fatos reais retirados do livro de Paulo Lins, o filme conta parte da história do tráfico no país (com foco no Rio de Janeiro), o controle das favelas, a lei do silêncio. É assustador ver a vida cotidiana dos moradores, crianças que pegam em armas e cometem crimes, tiram vidas, assim tão pequenas. Talvez nunca mostrou-se de maneira tão transparente o controle exercido por essas gangues. Às vezes fechamos os olhos para não vermos a realidade em que vive grande parte da população brasileira.

Cidade de Deus foi uma solução do governo para alocar a população sem moradias que formava favelas nos principais bairros do Rio de Janeiro na década de sessenta. As pessoas eram jogadas lá, em pequenas casas sem luz e nem saneamento básico, em ruas não pavimentadas e sem nenhuma infra-estrutura. O filme pega emprestada a ótica de Buscapé (Alexandre Rodrigues), um garoto que sonhava em ser fotógrafo, e não se meter com a bandidagem. É sob a narração de Buscapé, subdivididos em capítulos, que conhecemos algumas figuras que fizeram história em Cidade de Deus, e mais principalmente a formação da gangue de Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora), partindo de seus primeiros furtos, ainda muito garoto, até o controle total da favela.  Zé Pequeno era desses bandidos que não tem medo de nada, começou a matar desde garoto e logo controlou o tráfico em quase toda a favela

Palmas para o diretor Fernando Meirelles, que se debruçou no projeto com uma equipe que vem fazer história no cinema brasileiro (como Kátia Lund na direção de atores, além de montagem e fotografia impressionantes). A coragem de utilizar como atores os próprios moradores, o formato criativo e cheio de inovações, a forma de trazer os flashback’s. Dos rostos desconhecidos, Leandro Firmino da Hora e Douglas Silva dão show na pele de um mesmo personagem, em épocas diferentes.

Há momentos que não são fáceis de engolir, ver crianças tão pequenas com uma arma na mão lutando como numa guerra chega a ser assustador. Mas é a nossa realidade, nada no filme foge da terrível realidade em que vivem todos os moradores das favelas do país. Enquanto algo não mudar o filme não passará a ser apenas uma história, continuará sendo retrato da injusta sociedade brasileira. Assistir Cidade de Deus, e ver como ele anda fazendo bonito no exterior, tem o misto de orgulho de um filme brasileiro como vedete, e também a constatação da frustrante realidade que nos encontramos.