Posts com Tag ‘Mathieu Amalric’

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Dia de confusão em Cannes, ladrões roubando joias que seriam emprestadas a algumas atrizes para o festival. Polícia prendendo pessoas que dispararam armas com balas de festim durante a gravação de um programa de tv que contava com a participação de Christopher Waltz e Daniel Auteuil. A coisa foi agitada na noite de ontem.

Os irmãos Bob e Harvey Weinstein divulgaram hoje filmes que serão lançados ao longo do ano, Nicole Kidman interpretando Grace Kelly em Grace of Monaco, The Butler sobre um mordomo de muitos anos da Casa Branca com Oprah Winfrey e Forrest Whitaker, e August: Osage County com Julia Roberts e Meryl Streep. Com o poder que os Weinstein tem, um deles deve estar na lista dos oscarizáveis.

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LIKE FATHER, LIKE SON

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Hirokazu Kore-eda despontou no cinema abordando a morte como tema central, e há alguns anos que as crianças se tornaram seu tema favorito. E são elas novamente que o fizeram emocionar parte do público com esse drama sobre bebes trocados na maternidade.

Críticas: The Telegraph – El País – Cine-Vue

Termômetro: de olho

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JIMMY P.

jimmypJá o primeiro trabalho de Arnaud Desplechin desagradou bastante. Com Benicio del Toro e Mathieu Amalric, o filme trata da relação entre um índio que volta da II Guerra Mundial com problemas de saúde e um antropólogo frances que realiza com ele algumas sessões de psicoanálise. Teatro filmado.

Críticas: Otros Cines – HitFixThe Guardian

Termômetro: pé atrás

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L’INCONNU DU LAC | STRANGER BY THE LAKE

l-inconnu-du-lacE no boca a boca da crítica o grande destaque é o filme do frances Alain Guiraudie, presente na mostra Un Certain Regard. Um thriller incomum, homens à procura de homens à beira de um lago, poucos personagens e locações, um crime, relacionar-se com um assassino.

Críticas: Revista ContinenteHitFixScreen Daily

Termômetro: quero ver

quantumofsolaceQuantum of Solace (2008 – ING/EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O diretor Marc Foster retoma do exato ponto em que Cassino Royale terminou. Depois do reinício da franquia com Daniel Craig e muito mais virilidade, sabe-se lá quem teve a ideia de um roteiro tão melodramático e carregado pela vingança cega, nosso agente secreto sofrendo da dor de amor.

Se a proposta é tornar o agente secreto mais humano, talvez não fosse esse o caminho correto. Sua pegada dramática desequilibra o tom de filme de ação, as investidas conta miliares bolivianos e toda a trama maluca de milionárias jogadas escusas de estrangeiros sem escrupulos (sabemos que no mundo real, esses absurdos até acontecem). Mathieu Amalric surge como o francês mais mau vestido da história, e aquele bando de vilões caricatos não faz frente às vinganças pessoais que a dupla de heróis (Olga Kurylenko e Craig) perpetua.

vocesaindanaoviramnadaVous N’Avez Encore Rien Vu (2012 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O altamente teatral, Alains Resnais, retoma esse diálogo entre palcos e cinema. Dessa vez coloca em cena uma versão de Eurídice, e usa alguns dos maiores atores franceses para contracenar e se integrarem a um grupo de jovens. O mote é simplesmente genial, a forma como Resnais encontra para reunir esse elenco (Sabine Azéma, Michel Piccoli, Mathieu Amalric, Lambert Wilson, Pierre Arditi, e Anne Consigny, a lista é extensa) e fechar a trama, é simplesmente sensacional.

Mas, o filme é mesmo sobre essa representação da peça, e os atores veteranos (utilizam seus próprios nomes) interpretam com um misto de carinho e paixão, ternura oriunda de um pedido especial de um grande amigo dramaturgo (Denis Podalydès). A história de amor de Eurídice e Orfeu, o jogo que mistura a projeção do grupo teatral e os veteranos que não resistem a simplesmente assistir, e voltam a atuar os papéis que viveram há muitos anos. Resnais traz vigor, sintetiza teatro e cinema, e realiza assim um dos melhores filmes do ano.

aquestaohumanaLa Question Humaine (2007 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Nicolas Klotz oferece um dos filmes mais esquemáticos e intrigantes dos últimos tempos. Nada é simples, muito menos pouco pensando. De uma aparente conspiração empresarial, dos que almejam assumir a presidência de uma empresa, o filme passa a um profundo estudo da questão humana, de princípios de humanidade, e correlações de multicomplexidade social, criando uma fascinante analogia, entre administração corporativa e o massacre nazista.

Um estudo precioso de personagens e suas correlações, quase um thriller, sem nunca se afastar do mundo corporativo, vivendo apenas de relações humanas e do passado como emoldulador da herança pscicológica de caca um deles. Sua estrutura, não-clara, transforma-se num deleite a cada nova sequência. Um universo de possibilidades que se abre, segredos desvendados que vão muito além do mundo empresarial. A todo momento Klotz está promovendo a discussão, a possibilidade de refletir sob as garras do capitalismo e, principalmente, aos pilares das relações pessoais nesse mundo contemporâneo.

A segunda metade do filme é de revelações, mas, essencialmente de proposições, teorias, e de uma mise-èn-scene capaz de cenas curtidas, com cortes precisos, nos permitindo o tempo ideal de tentar absorver. As imperfeições do psicólogo (Mathieu Amalric), que trabalha no RH da empresa em questão, dão ainda mais peso a essa questão humana proposta, tão ingênuo para uns, e astuto para outros, seus momentos de desequilíbrio, a relação com sua namorada e com as mulheres que flertam com ele, e o joguete na mão dos poderosos da empresa. Até a narração em off, no fim, com tela escura, o público atônito a tantas proposições e essa analogia da carnificina empresarial de uma desumanidade vil e econômica. E a trilha sonora então, genuinamente escolhida, para enriquecer cada espaço entre silêncio e som.

 Roit et Reine (2004 – FRA) 
Primeiro ponto que chama atenção é o roteiro que parece, cada vez mais, se desconstruir, com o passar do tempo. Uma teia de flashbacks e alternância entre os dois personagens principais que quase fazem com que esqueçamos do outro, um estilo narrativo diferente, aliado a uma fotografia cheia de vida, amplamente iluminada. Duas histórias que se entrelaçam, uma bem carregada de humor e outra mais puxada para o drama. A trama armada por Arnaud Desplechin corre difusa, mas nunca confusa, causando estranhamento saboroso através des figuras bíblicas ou místicas que permeiam toda a história seja nos nomes dos personagens, ou no presente que Nora (Emmanuelle Devos) escolheu para seu pai, até mesmo o título do filme.

. rainha é a citada Nora, os reis são: seu filho, seu pai, e os homens com que ela se relacionou. Pode haver outras correlações entre o título e o filme, mas essa é simples e direta. A outra figura chave é Ismael (Mathieu Amalric), seu ex-marido que não é o pai de seu filho, um violinista sofrendo algumas crises existenciais, a ponto de se preparar para cometer suicídio e acabar internado numa clínica psiquiátrica. A reaproximação entre os dois ocorre nesse momento, principalmente porque Nora está cuidando do pai que sofre com um câncer terminal.

Há reviravoltas, algumas bem interessantes, outras nem tão bem arranjadas (a carta, o encontro com o marido falecido), enquanto Desplechin opta por filmar Devos de uma maneira tão tenra e ainda assim dúvia: ela não fica nem totalmente na maneira fantasiosa com que a câmera teima em filmá-la, nem com a maldade que o roteiro gostaria de pintá-la. Alguém que comete erros e tenta levar sua vida com as ferramentas que a vida lhe disponibiliza. É uma personagem equilibrada, muito ligada a realidade humana, diferente de Ismael que é uma figura raramente possível na realidade, mas com uma atuação tão estupenda como a de Amalric fica difícil não se encantar por ele, suas paranóias e seus desequilíbrios.


Festival: Veneza 2004
Mostra: Competição