Posts com Tag ‘Matt Damon’

Downsizing (2017 – EUA) 

Estamos sempre esperando o grande filme de Alexander Payne, seus projetos tem prometido, criado expectativas, mas nem sempre correspondem. Com seu ar de sempre ter uma comédia dramática na manga, seu novo trabalho esteve na competição principal em Veneza, onde passou em branco. E o filme realmente prometia, afinal, há algo tão americano nele, essa ideia de vida perfeita em comunidade, pregando o bem a todos, vivendo em harmonia.

E de quebra, a oportunidade de tratar temas como aquecimento global, superpopulação, e possibilidades de preservar nosso planeta. Lembre-se de Querida, Encolhi as Crianças, e pense em tratar no tema de maneira séria. Um experimento que possa diminuir as pessoas de tamanho, dessa forma gastaríamos menos dinheiro com tudo, produziríamos menos lixo e etc.

O ponto é que o roteiro quer sair dos temas globais para ter algo mais individual, uma maneira de dramatizar e assim ter mais apelo com o público. Matt Damon é quem interpreta o personagem que nos permite invadir esse mundo de gente pequena, e com ele vem suas características dramas pessoais, e os temas são banalizados pela problemática pessoal de um personagem que já vimos zilhões de vezes no cinema. E os temas vão passando, desperdiçados, surge uma oportunidade de ouro quando trata diferença de classes, trabalhadores braçais, e rapidamente o tema se esvai. O que resta? Meia-duzia de personagens que orbitam em torno do protagonista, entre piadas e dramas de uma vida cotidiana, e tão trivialmente individual. Payne nos entrega seu pior filme, saudade do curta dele em Paris, Te Amo.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Competição Principal

Suburbicon (2017 – EUA) 

Curioso que Matt Damon esteja, no mesmo ano, em duas produções tão questionáveis, de cineastas consagrados, e que se passem em comunidades perfeitas para o sonho americano, e ambos com estreia mundial no mesmo festival. Pequena Grande Vida (de Alexander Payne) ainda vem ai, enquanto isso temos em cartaz esta nova comédia de humor negro, de George Clooney, com roteiro dos Irmãos Coen.

Suburbicon é um desses modelos perfeitos do american way of life dos anos 50, uma comunidade em que as casas não tem muros, o gramado bem cuidado e as famílias vivem em harmonia. Adicionando a questão racial, porque o ambiente perfeito é confrontado com a chegada de uma família negra no local. Os moradores protestam, fazem manifestação na casa do tipo de pessoas das quais eles tentaram fugir em Suburbicon.

Na casa vizinha, a verdadeira da trama ocorre, onde a família de Gardner Lodge (Damon) sofre as consequências da invasão violenta de bandidos em sua casa. Filho (Noah Jupe), esposa (Julianne Moore), e cunhada (Moore também) amordaçados, insultados, agredidos. Dai em diante, o roteiro tenta nos convencer da verdadeira personalidade de cada um dos personagens, um jogo de sordidez, golpes meticulosamente planejados e consequências tardias.

O todo sofre da mesma ingenuidade de seus personagens, e a comédia de erros soa frágil enquanto tenta se camuflar na panela de pressão racial prestes a explodir na casa ao lado. Caricaturas incongruentes e exagero de situações que tentam perpetuar toda a proposta do universo de personagens que os Coen consagraram no cinema (se bem que não é a primeira vez que não funcionam bem), enquanto isso, Clooney parece mais preocupado com o cacoetes desses personagens, do que em dar uniformidade ao seu filme.


Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

margaretMargaret (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O nome de Kenneth Lonergan talvez fosse mais conhecido como roteirista dos filmes Máfia no Divã e Gangues de Nova York, mas devido ao sucesso de Manchester à Beira-Mar (seu terceiro longa-metragem), essas referências tendem a serem deixadas de lado, em prol da carreira desse habilidoso, e promissor diretor bissexto, da cena indie dos EUA. Vejamos o caso deste extraordinário trabalho, que foi seu trabalho anterior.

A referência à Margaret do título vem de um poema estudado em aula, e que a estudante Lisa Coehn (Anna Paquin) vê claras referências em sua vida, no momento. Aos dezessete anos, a garota vive da efervescência adolescente, entre crises diárias com a mãe, relativamente ausente, e os telefonemas conciliadores do pai (o próprio Lonergan). E também, obviamente, da relação com garotos, através da descoberta do sexo, das liberdades conquistadas pela idade, ou poor essa presença distanciada da mãe, e as besteirices da fase de transição antes de se tornar adultos. E, em uma dessas bestericies, a garota se vê envolvida num acidente de um ônibus (Mark Ruffalo interpreta o motorista)  atropelando uma mulher, por cruzar um farol vermelho (ou não).

É do trágico que Lonergan constrói camadas, e mais camadas, através de seus personagens. Digressões morais, e ambiguidades humanas capazes de desenvolver personagens de forma tão sólida. Afinal, não só a figura central e insegura da garota, mas também, sempre à sua órbita temos o pai e sua esposa pouca afeita à enteada, a mãe atriz (J. Smith-Cameron) que vagueia entre a vaidade e o despertar de um romance (Jean Reno), fugindo o padrão de ser espelho da filha, por seus comportamentos ora meio desequilibrados, ora totalmente egoístas. Até mesmo coadjuvantes menores, que passariam despercebidos, mas aqui engrossam o caldo dessa sopa dramática, de um estudo das fragilidades e sensos de justiça do ser humano, coadjuvantes estes que podem só aparecem como vozes ao telefone e ainda assim conseguimos compreender suas motivações e comportamentos..

É impressionante a força com que Lonergan conduz personagens em suas conectividades, tanto de forma coletiva, quanto em suas próprias individualidades, e permite que seus dramas pessoais prossigam paralelamente ao desfecho desse acidente, que envolve advogados, imprensa, sindicatos, o peso da culpa e a carga de prejudicar, ou não, uma família, cujo patriarca tem relativa, ou muita culpa, dessa tragédia que pode beneficiar pessoas que nem se importavam em vida com aquela que foi a única vitima de um roteiro tão intrincado.

cacadoresdeobrasprimasThe Monuments Men (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quando nos damos conta de mais um filme com George Clooney e sua trupe tem-se a impressão de algo estilo Onze Homens e Um Segredo ou Bastardos Inglórios. Aquela sensação de que os atores estão se divertindo mais ao gravar do que o público em assistir (não que o público não se divirta). Mas não é bem assim nessa nova incursão de Clooney pela direção. Sua motivação aqui são grandes temas, um resgate do cinema dos anos 40, aquele que tem o herói John Wayne e uma trilha sonora animada que beira o patriótico.

Plena Segunda Guera Mundial, os aliados encurralando Hitler, eis que surge uma equipe de oito bravos homens dispostos a dar a vida em prol de resgatar e proteger as obras de arte de Michelangelo, Picasso e etc, que foram roubadas pelos Nazistas. Vamos salvar a arte, e isso é assunto sério, então Clooney não pode ficar com piadinhas. O pouco do alívio cômico ou está entregue no trailer (Matt Damon pisando na mina) ou fica a cargo de Bill Murray. Mas é pouco, quase nada, Clooney queria mesmo resgatar a áurea de bravos soldados numa causa nobre, e meteu os pés pelas mãos.

elysiumElysium (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Neill Blomkamp chegou a Hollywood com seu sucesso em Distrito 9, e o que ele apresenta em sua estreia nos EUA é uma versão amplificada daquelas favelas sul-africanas e do próprio universo de guerra por sobrevivência do trabalho anterior.

Mais dinheiro, astros maiores, e um roteiro com ego mais inflado e faraônico. Matt Damon encarna o herói “imorrível”, aquele que apanha o filme todo, mas está sempre preparado para mais uma luta, outra corrida. Enquanto Damon tenta salvar o mundo, reencontra sua paixão da infância (Alice Braga) e tem ajuda de um nerd lider da rebelião (Wagner Moura dublando sua voz, e é outro em atuação patética).

Eles vivem no planeta Terra, mas queriam mesmo estar em Elysium, onde moram os ricos (como a caricata Jodie Foster). Um mundo perfeito onde todos guardam, na sala de casa, uma máquina capaz de curar todas as doenças do mundo. Claro que os pobre vivem em condições subumanas na Terra e querer ir para lá. O plot interessante, mas Blomkamp e sua turma estragam tudo com excesso de velocidade nas cenas de ação, com atuações absurdamente patéticas, e um heroísmo clichê em níveis radioativos de irritatividade. A decepção vem de todos os lados, da repetição visual de Distrito 9, ao roteiro estapafúrdio.

Behind-the-candelabraBehind the Candelabra (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Com todas as plumas e paetés, possíveis e imaginárias, Steven Soderbergh filma parte da vida do pianista Liberace (Michael Douglas), mais precisamente os anos finais de sua vida, com foco maior em um de seus relacionamentos amorosos (Matt Damon). Carinho, mimos, excessos e brigas. Soderbergh não consegue imprimir nada autoral, apenas mais uma biográfica trágica de um artista.

Vale mais pela entrega dos atores, o eterno pegador Michael Douglas se submetendo ao papel de uma “bicha-velha” e rica, que seduz pelo dinheiro que pode oferecer a suas presas. Por outro lado, esperar apenas atores comprometidos é desdenhar da própria capacidade de um filme, mas como projeto da HBO, se encaixa perfeitamente no padrão telefilme, de voos rasos e corretos.

terraprometidaPromised Land (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Gus Van Sant é um cineasta de lógica quase indecifrável, sua carreira vive no vai-e-vem de projetos de apelo comercial, com outros extremamente delicados e únicos, remake de clássico de Hitchcock, outros vagarosos e incríveis, até melodramas por excelência. Um dos principais interesses comuns é o indivíduo, das mais diferentes personalidades, Van Sant sempre tenta buscar algo mais de seus personagens.

O conteúdo político não poderia ser mais atual, porém a lembrança de ein Brockovich será imediata no público. A exploração de gás natural em regiões rurais nos EUA, familias vendendo a concessão em troca de um dinheiro fácil que pode aliviar, em muito, suas vidas. Matt Damon e Frances McDormand são os responsáveis pelos contratos, por garantir o menor valor por cada acre.

Se o diretor quer esfregar no rosto de todos os passos pouco éticos desses grandes conglomerados, não seria necessário, aparentemente todo mundo já entendeu a exploração e a quantidades de crimes ambientais que estão ocorrendo. Van Sant quer estudar a ética do perspicaz vendedor, testar os limites morais, as mudanças de comportamento. Resolve todas as questões de forma branda, morna, tal qual a vida limitada dos moradores dos rincões americanos.