Posts com Tag ‘Matthew McConaughey’

InterestelarInterstellar (2014 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Chistopher Nolan não se conteve com dominar Gotham City, ou penetrar nos sonhos e mudar completamente as vidas dos que dormiam, o diretor precisava de mais, o planeta já não era o bastante para sua mente megalomaníaca (palavras de quem gosta de seus filmes, e muito em muitos deles). Nolan partiu para o espaço, a salvação da humanidade em outra galáxia, vamos abandonar a Terra (esgotada) e transferir a humanidade para outra localidade.

Vejo uma mensagem clara em sua Ficção Científica, ele mira em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, mas o máximo que ele consegue atingir é um episódio, bem longo, e caro, de Doctor Who. A questão verossímel da história, o excesso de explicações para o público médio que só compra o que entende, nem me parecem o maior dos problemas. O filme é fraca dramaturgicamente, começando por como o fazendeiro (Matthew McConaughey) volta a sua vida de astronauta, passando por todo o drama de deixar a família pelo “bem da humanidade”, os ensinamentos de livros de autoajuda do cientista da Nasa. Resumo, o bolo é esburacado, deformado, q beleza gráfica apenas repete Gravidade, mas já perdeu o sabor de novidade.

Dessa forma, essa gigante nave espacial orbita pelos cinemas de forma meio desajeitada, nem tão ruim quanto parecem, porém incapaz de se movimentar, e escapar, da própria teia que o roteiro usa para aprisionar seu público. Tentar emplacar Anne Hathaway no Oscar é quase uma piada de mau gosto, Nolan parece incapaz de domar sua própria ideia, de tão grande que ela se tornou. Depois do espaço, quais as fronteiras que poderão contê-lo?

oscar_2014_2Há quem tenha saído bronquedo da entrega dos Oscars ontem, questionando que sentido há num filme ganhar 7 prêmios enquanto outro apenas 3 e sair como Melhor Filme. Se pensarmos num universo de milhares de votantes que são alvejados por uma metralhadora de opiniões, outras premiações e campanhas massivas de marketing, não dá para se esperar que o ponto alto seja a coerência. A verdade é que o Oscar se torna cada vez mais uma premiação óbvia e antecipada. O problema deve ser o formato da corrida, afinal, quando chega a reta final com os prêmios dos sindicatos (onde os votantes são os mesmos), fica bem fácil diagnosticar quem serão os vencedores da AMPAS.

Por isso, quando Jared Leto recebeu o primeiro prêmio da noite (ator coadjuvante) já se sabia o script das premiações. Havia uma leve dúvida entre Lupita e Jennifer Lawrence, uma possibilidade de Capitão Phillips ganhar Montagem de Gravidade, e Trapaça vencer figurino de O Grande Gatsby. Fora isso, eram certezas atrás de certezas (até documentário já se esperava a derrota de Ato de Matar para A Um Passo do Estrelato). O Oscar não premia o melhor, e sim o que conseguiu a campanha de marketing mais eficiente. O The Hollywood Reporter publicou uma série de entrevistas com membros da academia (mantido o anonimato) que prova como, em muitos casos, as pessoas não viram os filmes e votam de acordo com o hype (link para Brutally Honest Oscar Race)

oscar_2014_1Voltando ao script, enquanto as surpresas não aconteciam e ganhavam Alfonso Cuarón (direção), Matthew McConaughey (ator), Cate Blanchett (atriz), A Grande Beleza (filme estrangeiro) e os prêmios técnicos (som, fotografia, efeitos especiais e etc) para Gravidade. A comediante Ellen De Generes se esforçava em fazer piadas, de pizza a selfie). A festa é longa, ainda não se deram conta de que as apresentações musicais deveriam ser completamente banidas, e os clipes de homenagem devia ser lançados no Youtube apenas para promover o show. Como não fazem nada disso, lá se vão 4 horas de prêmios cantados há semanas.86th Annual Academy Awards - Show

Respondendo ao questionamento que abriu esse post. Gravidade se preocupa muito com a parte técnica, é realmente impecável, mas sua história e personagens são tão capengas que o resultado final não é um grande filme. Já 12 Anos de Escravidão é um duro, competente (sem falar na ladainha da grande história que precisa ser contada). O filme vai ser passado, obrigatoriamente, nas escolas dos EUA. Realmente havia alguma chance de não ser escolhido como Melhor Filme? Eu ainda acho que era o melhor mesmo.

oscar_2014_3Entre os discursos, Lupita foi o único verdadeiramente emocionante, sua alegria contagiante e simples foram o toque de inesperado em toda a festa. Cate Blanchett também agradou com seu estilo sofisticado, porém emocionado. Os demais foram protocolares, até coisas como Ucrânia e Venezuela estamos com você. Hello?

oscar_2014_5No fim, sem surpresas, até que ganhou o melhor, e nas demais categorias os prêmios não ficaram feios. Perder chances de premiar Ato de Matar e A Imagem que Falta são tristes, assim como escolher Frozen quando havia Vidas ao Vento ou Ernest e Celestine entre opções. Mas é Oscar, é lobby, o que mais será falado em alguns anos é o selfie da Ellen que se tornou a foto com mais RT da história da internet.

oscar_2014_6E para nós, brasileiros, por mais que digam que o mais próximo que se chegou de um Oscar foi a brasileria esposa do Matthew McConaughey, o ápice foi a mais que justa lembrança de Eduardo Coutinho no In Memoriam, junto de outros grandes nomes como Philip Seymour Hoffman, James Gandolfini, apesar da lentidão da Academia ao não acrescentar o mais importante de todos, Alain Resnais.

EXCLUSIVE: Matthew McConaughey and Jared Leto film scenes together for The Dallas Buyers Club in New Orleans.Dallas Buyers Club (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Como o Oscar adora as transformações físicas que um ator se sujeita por um personagem, a garantia de vitória dos prêmios de atuação para Jared Leto e Matthew McCounaghey é grande. E realmente são trabalhos de respeito, por mais que não tragam nada de novo ao espectro dos personagens a que se assemelham. O cineasta Jean-Marc Vallée trabalha com cores desgastadas, uma espécie de cansaço visual intimamente ligado à saúde dos dois estranhos que se unem numa luta, inglória, pela própria sobrevivência.

Anos 80, o HIV positivo é sentença de morte, afinal não havia medicamentos para combater a doença. O AZT era testado, enquanto isso os contaminados morriam em poucos dias. Nasce pelos EUA uma espécie de Clube de Compras, onde interessados se uniam e compartilhavam pesquisas, corriam em busca de medicamentos, mesmo na ilegalidade e sem os testes comprobatórios do FDA. Arriscado? Sim. Única saída? Podem ter certeza.

É interessante esse contexto histórico de uma transição até os tempos de hoje em que a AIDS é terrível, mas a vida pode ser prolongada com eficazes resultados. Ron Woodroof (McCounaghey) é o corajoso-machão que enfrenta o governo, peão de rodeios, pega na unha médicos e quem estiver em seu caminho. É o típico americano médio do interior dos EUA, preconceituoso e moralista, que desprevenido acabou como HIV positivo, mas não aceita sua condição sem lutar por sua vida.

Vallée tinha muitos caminhos a seguir, preferiu o de narrar a história concentrando-se nas transformações físicas de seus personagens doentes. Incapaz de oferecer mais detalhes sobre a mecânica do clube, e pouco efetivo num cinema que fuja das amarras conhecidas onde personagens são dóceis (e combativos), e onde o sofrimento psicológico é facilmente substituído pela vontade de viver. Vallée só consegue traduzir sua história num trabalho impessoal, sem a chama da emoção.

padilhaerobocop• O remake de Robocop dirigido pelo diretor brasileiro José Padilha, de Tropa de Elite, vem causando frisson na crítica internacional [Hollywood Reporter] [Variety], ou pelo menos em parte dela [The Guardian]

• Philip Seymour Hoffman para recordar, um pequeno clipe resumindo sua carreira [Vimeo]

• Primeia parte da lista dos 100 Melhores Filmes Franceses da revista mais cool da França [LesInRocks]

• Festival de Berlim começou com bons elogios ao novo filme de Wes Anderson, no link um teaser para quem gosta dos filmes dele [Youtube]

• Novo filme de Gus Van Sant, Sea of Trees, terá Matthe McConaughey como protagonista [The Guardian]

• Mais salas de cinema de rua em São Paulo? Será? A Prefeitura diz que investirá [Uol Cinema]

o-lobo-de-wall-street-cenaThe Wolf of Wall Street (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Martin Scorsese já lançou muitas tendências, já esteve muitas vezes a frente do seu tempo. Ele foi um dos que ressuscitaram o cinema criativo americano (nos anos 70), transformou filmes em clássicos, marcou uma era. Um cara com o talento com o dele, vira e mexe se reinventa, é inexplicável, simplesmente é assim. Enquanto outros tentam se consagrar copiando suas fórmulas (e até mesmo os óculo, não é David O. Russel?), Scorsese vem com algo inusitado, diferente. Um filme debochado, exagerado, com atuações “over” e o humor regado a descaramento e sexo.

Adaptando a autobiografia de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor da bolsa de valores, que acertou na vida, e enriqueceu, enganando clientes e vivendo de tramoias, Martin Scorsese estraçalha com o sonho do americano médio de um mundo de oportunidades. Troca o glamour por uma obsessão doentio por tudo que é proibido e mal interpretado pela sociedade. Nosso protagonista simpático é um bandido do colarinho branco, viciado em drogas, e principalmente em sexo. Leva a vida num grande deboche porque ganha milhões e pode transar com mulheres sob milhares de dólares.

Um show de DiCaprio, cuja interpretação parece a congruência daquela de o Aviador com o Tom Cruise de Magnólia, recheado desse saboroso descaramento sem limites. A perfeita unificação de jovialidade com a teimosia de quem é o dono do mundo, intocável e inalcançável, a a arrogância com a naturalidade dos milhões de dólares.

o-lobo-de-wall-street-cenaAs longas três horas de duração prejudicam o filme, a última sofre de uma edição mais enxuta, de um polimento que os personagens extrapolados não permitiram. A narração em off, que funciona tão bem para o lado humorístico da trama, cai no banal quando entra em cena o FBI e todo o patriotismo americano (que de uma forma ou de outra está enraizada em casa todos os americanos, Scorsese inclusive). Como resultado final, o Lobo é pura injeção de adrenalina num cinema que patina entre os filmes grandiosos e os indies, sempre entre clichês comerciais focados em bilheteria e nunca no filme em si. Scorsese faz vibrar com cenas beirando o ridículo, mas que no contexto soam tão engraçadas.

mudMud (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Jeff Nichols não esconde sua inspiração em Mark Twain, dois jovens (Tye Sheridan e Jacob Lafland) navegando pelos afluentes do Rio Mississipi, com o pequeno barco a motor eles desbravam uma ilha, que acreditam ser deserta, um território só deles, pronto a ser explorado. Diferente do que o título nacional sugere, o filme é muito mais sobre dois garotos embarcando numa aventura, perigosa, do que a sugerida história de amor que move o sujeito misterioso (Matthew McConaughey).

Garotos aventureiros, corajosos, mas, acima de tudo, movidos por uma fé em alguns valores que os deixam mais fortes do que aparentam. Amizade e amor são fundamentais, mesmo que sejam apenas adolescentes e desconheçam os verdadeiros meandros de um relacionamento, como se o amor justificasse qualquer coisa. O encontro com o Mud, o estranho e faminto escondido na ilha deserta, cria laços de amizade, ouvem e acreditam piamente nas histórias do desconhecido, viajam pela própria imaginação atiçada por esse cara meio repugnante, meio sedutor.

mud2Essa mescla de amor marginal e personagens tão delinquentes (vide Reese Witherspoon, e até mesmo Sam Shepard), com a inocência de adolescentes que colocam a coragem (o amor, ou desejo por bens materiais) acima de riscos que eles nem sabem medir, oferecem um pouco dessa possibilidade de se enfeitiçar por entre arbustos e histórias que quase se materializam em contos de fada marginais.

killerjoeKiller Joe (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

William Friedkin emprega um tempo a suas cenas que o desconforto e a tensão se tornam amigas inseparáveis, aliadas certeiras, causando estardalhaço no público. Uma familia destrambelhada, o filho (Emile Hirsch) convence o pai (Thomas Haden Church) a contratarem um assassino profissional (Matthew McConaughey, em grande atuação) para matar a mãe (e ex-esposa) e ficarem com o dinheiro do seguro. O matador quer o dinheiro, e também, uma noite de amor com a irmã dele (Juno Temple).

O clichê de confusão com seguro, arrependimento e outros planos maquiavélicos fica camuflado nessa direção inspirada de Friedkin, e em como McConaughey se coloca como impiedoso e focado em seus objetivos. A familia de marginais, o florescer de uma jovem virgem, Friedkin filme em detalhes, os diálogos se dividem entre inspirar e expirar, com maestria e bom gosto.