Posts com Tag ‘Matthew Modine’

The Dark Knight Rises (2012 – EUA) 

Nada na carreira de Christopher Nolan se compara, em grau de grandiosidade, com este terceiro capítulo da saga de Batman (dizem ser o último, mas ficaram tantas questões e possibilidades abertas que fica difícil acreditar que seja mesmo o fim). O tom é de definição, de eloquência, tudo é faraônico. A história recomeça oito anos após o filme anterior, Gotham City (imagino eu nunca foi tão assumidamente NY) se tornou uma cidade pacífica, Batman desapareceu (até por falta de necessidade), o ricaço Bruce Wayne vive recluso.

Intrigas político-economicas e um vilão bombado, Bane (Tom Hardy), são as armas de Nolan para retomar o caos em Gotham. Mas como disse, dessa vez a gradiosidade é ilimitável, guerra civil e explosões por cada canto da cidade são apenas algumas das artimanhas poderosas do filme. A verdade é que o filme tenta não perder o folego, nesse quesito o som (e a trilha) são fatais, criando situações-climax a torto e a direito (principalmente nas revelações finais). Parte do público nem se contém, tamanha vibração.

Ainda há espaço para a sensualidade com Anne Hathaway numa irresistível mulher-gato (por mais que nunca seja batizada assim), e também para sequencias dramáticas exageradas, carregadas, realmente fracas (e nisso, a comparação com o Coringa de Ledger torna ainda mais sofrível tais cenas. Marion Cotilard e Tom Hardy, coitados). O desfecho parecia perfeito, Nolan estava prestes a fazer um golaço, mas peca um pouco depois da explosão-crucial, cria história onde não precisaríamos e perde a oportunidade de fechar com coragem essa trilogia.

Um filme de super-herói que pretende ser “humano”, fora das possibilidades tecnológicas, que deseja acreditar em superação, em insistir no sombrio e apostar na moralidade, Nolan vai muito bem quando enlouquece com cenas de ação impressionantes, e se enrola nos meandros da história.

nascidoparamatarFull Metal Jacket (1987 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A visão de Stanley Kubrick sobre a guerra do Vietnã é bem peculiar, como de praxe em sua filmografia. Nascido para Matar é um filme perturbador. Dividindo a narrativa em dois momentos distintos, no primeiro ato os recrutas são treinados para a batalha, e o filme é excelente. Já no segundo ato, a guerra de fato acontece, e a narrativa deixa a desejar.

Joker (Matthew Modine) é o narrador e fio condutor da trama. Recrutado para lutar no Vietnã, é treinado pelo Sargento Hartman (R. Lee Ermey), no mesmo pelotão que Cowboy (Arliss Howard) e o atrapalhado Gomer Pyle (Vicent D’Onofrio). Nessa fase, Kubrick destrincha o sofrimento dos recrutas, o tratamento desumano dado pelo superiores, tudo de forma crua e cruel.

Finalmente os recrutas são enviados à guerra. Entre batalhas e todas as dificuldades do front que o cinema tanto debateu, Joker acaba deslocado para o jornal do exército, onde retrata as notícias da guerra para os soldados. Ali ele questiona os motivos da guerra, as mortes dos jovens, as notícias falsas, o massacre dos vietcongs.

Teremos pesadelos de lembrar do sargento interpretado por R Lee Ermey, durão, perfeccionista, cruel ao extremo com seus comandados. Fora o piscar de olho mais inesquecível do cinema. Mas, outra lembrança ficará marcada, a mudança de comportamento do personagem de Vicent D’Onofrio demonstrando como o sistema pode transformar e alienar os jovens, talvez seja a crítica de Kubrick mais eficaz no filme todo.