Posts com Tag ‘Mel Gibson’

ateoultimohomemHacksaw Ridge (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Há dois filmes dentro desse retorno à direção de Mel Gibson, dez anos após Apocalypto. E ambos fazem muito sentido dentro da filmografia, e do que conhecemos fora das telas, na vida do astro australiano. Um deles, que abre e fecha este drama de guerra, carrega, explicitamente, estas convicções mais latentes do cineasta. Estamos falando de religião, de levar às últimas consequências suas crenças. No outro filme em que este se divide, temos a violência inclassificável e irrestrita, até um tipo de intersecção, espécie de diálogo, com sua estreia na direção, O Homem Sem Rosto.

O drama de vida de Desmond Doss (Andrew Garfield), baseado em fatos reais, um caipirão de Virgínia, com pai ex-militar da Primeira Guerra Mundial e alcoólatra violento, que se alista no exército, durante a Segunda Guerra Mundial, sob a promessa de que não precisará pegar em armas e nem matar ninguém. Narrado como um drama ultra convencional, de trilha sonora edificante, e pseudo humanista, há momentos que variam do cômico (pelo ingênuo) ao drama para ter dó-do-personagem-bonzinho. O filme se comunica com um tipo de cinema envelhecido, que já tende a desagradar boa parte do público, cansado de um formato que o Oscar cansou de premiar ao longo de décadas.

La pelo miolo, após o longo período narrativo com todo o treinamento e as questões de corte marcial x convicções religiosas, os soldados americanos, finalmente, partem na missão de conquistar o topo da Serra de Hacksaw, contra as tropas japonesas. E é impressionante o cinema cheio de vigor, de violência crua e realidade flamejante que Mel Gibson oferece. São sequencias eletrizantes de explosões e batalhas, filmadas como se fosse em tempo real, o que aumenta, ainda mais, essa sensação de veracidade. Esta parte, em isolado, talvez seja um dos melhores filmes do ano, tamanha a capacidade em manter o público hipnotizado, entre trincheiras e névoa, entre barro e sangue e a adrenalina de enfrentar o inimigo.

Mas, como dito acima, o filme volta a ter Doss protagonizando a trama, agora, mais precisamente, com o feito que o tornou a figura que “merecia” um filme a seu respeito. E lá vai ele, até o último homem, recolocar em voga suas convicções religiosas, sua coragem destemida, e seu sorriso enfadonho, a ponto de este texto estar questionando altamente o que tanto veem na interpretação de Andrew Garfield. É bom e velho Mel Gibson de volta, podem esperar que em breve teremos A Paixão de Cristo 2.

herancadesangue

Blood Father (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Filme de encerramento do último Festival de Cannes, é mais uma fita de ação tentando resgatar a carreira de um astro do gênero, nos anos 80-90, cuja carreira beira o ostracismo. Mel Gibson segue a linha dos atores que voltam no tempo, ao invés de tentar construir algo olhando para frente. Na direção, o francês Jean-François Richet, que tenta emplacar seu nome no cinema americano, após o sucesso francês Inimigo Público número 1.

Aqui, a filha de Gibson (que vive num trailer, no deserto da Califórnia, fazendo tatuagens após sair da cadeia), é jurada de morte por uma gangue de traficantes. Em diante, jás pode imaginar os caminhos do roteiro, aliás adaptação do romance escrito por Peter Craig. Em resumo, é um filme que tenta resgatar o cinema de ação oitentista, sob todos seus aspectos, mas não consegue ir além do genérico.

madmaxMad Max – A Trilogia

Em breve chegará aos cinemas o novo filme da saga australiana apocalíptica de Mad Max. Mesmo 30 anos após o lançamento do último filme, o diretor George Miller é quem está à frente desse quarto capítulo. Momento propício para, como eu fiz, rever estes filmes que permearam a adolescência, que preencheram tardes. De dar de cara com a juventude de Mel Gibson, e, principalmente de perceber que grandes temores futuristas dos anos oitenta ainda nos afligem (ou nos atingem): guerras, o poder do petróleo, riscos de falta de água.

madmax1Em 1979, Mad Max (estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza) aparece com a história de um grupo de motoqueiros arruaceiros colocando terror nas estradas australianas. O policial Max (Mel Gibson) se vê tendo de abandonar, a carreira, e proteger sua família, após “ser jurado” pelo grupo que assola a região com carnificina desenfreada. George Miller filma perseguições inesquecíveis, a violência explícita de filmes de terror, as roupas de couro e metais que amedrontam só de aparecer em cena. É um filme viril, implacável.

madmax2O segundo capítulo é de 1983, Mad Max 2 – A Caçada Continua (estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza) absorve o pós-guerra que desestabilizou o mundo. Combustível virou moeda de troca letal, água praticamente o ouro líquido. A sobrevivência algo primitivo, a sociedade regida pela barbárie. Regiões completamente áridas, apenas terra seca e destroços de diferentes tipos de veículos. Max se tornou um vingador solitário, trafega pelas estradas aniquilando marginais. Sua vida não parece ter sentido algum, consumido pela tragédia e necessidade de vingança. Na segunda metade, praticamente uma batalha medieval, um grupo com mulheres e crianças criou uma fortaleza, possuem um caminhão tanque de combustível. Gangues de motoqueiros assassinos querem roubar o caminhão-tanque. George Miller intensifica grandes cenas de batalhas apocalípticas, sempre com máquinas e figurinos metálicos, cria assim um visual próprio, alucinante, enquanto filma visceralmente sequencias empolgantes.

madmax3Além da Cupula do Trovão (estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza)fecha a trilogia futurista, foi lançado em 1985. Tina Turner é a líder de uma cidade que ainda sobrevive à falta de água. Ela vive conflito com o grupo que produz energia à cidade, e contrata Max para matá-lo. Neste filme George Miller divide a direção com George Ogilvie, e o que se vê é uma grande aventura infanto-juvenil, praticamente um Goonies sem encanto. Perde-se a mão do que estava sendo construído, com exceção da luta mortal na arena, onde o clima dos filmes anteriores permanece intacto. O restante são crianças ajudadas por Max, se metendo em aventuras, acreditando que ele seja o Messias.

MachetemataMachete Kills (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O charme do filme anterior, e de boa parte dos trabalhos de Robert Rodriguez é o estilo que se impõe com virilidade e humor. Homens másculo e imorríveis, mulheres lindas com suas metralhadoras, sangue jorrando por todos os lados. A questão é encontrar o limite. Quanto o público tolera dos acontecimentos impossíveis, da imortalidade do protagonista, dos excessos de personagens e diálogos? Pelo fracasso desse segundo capítulo (que já prometeu um próximo, no espaço) esse limite existe, e Rodriguez o ultrapassou.

A trama envolve do presidente dos EUA até chefes da máfia mexicana, incluindo um muro que fora criado entre EUA e México para evitar a invasão dos ilegais. De resto, uma constelação de estrelas entrando e saindo de cena em sequencias mirabolantes, e que não repetem o charme e humor de outrora. Coisas como “Machete não twita” não funcionam tão bem e o descrédito desse filme é certo.

sinaisSigns (2002 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um teste de fé! O conteúdo religioso é muito mais presente do que os trailers poderiam vender. Um suspense testando a fé de um homem, que deixou de acreditar. O roteiro usa o suspense, a questão alienígena como pano de fundo, colocando a prova a fé do protagonista, um antigo padre que deixou de acreditar em Deus após o acidente automobilístico fatal de sua esposa.

Graham (Mel Gibson) mora com seu irmão Merril (Joaquim Phoenix), e seus filhos (Rory Culkin e Abigail Breslin) numa fazenda que, certa manhã, estranhos desenhos aparecem no meio do milharal. As plantas estão todas deitadas de maneira uniforme, impossível ser feito à mão, e sem emitir algum barulho. Os animais começam a ficar violentos, tanto em sua fazenda como na da vizinhança. Em poucos dias, a TV começa a mostrar desenhos semelhantes, em várias plantações, ao redor do mundo. Além de imagens de estranhos corpos iluminados no céu. Graham tenta proteger seus filhos das informações aterrorizantes, mas o assunto fascina a todos, não só em sua casa. A expectativa quanto à intenção dos extraterrestres e a espera de uma possível invasão toma conta dos noticiários, o assunto monopoliza conversas em bares, e onde mais se possa imaginar.

M. Night Shyamalan volta a perder parte do prestígio conquistado com o fenômeno O Sexto Sentido, seu novo trabalho cai no colo da decepção. Começando pela pieguice de sua tentativa de imitar o monstro do suspense Alfred Hitchcock. Seu filme é lento, quase como um filme de arte, os close-up’s exagerados, e o tema do sobrenatural acaba pouquíssimo aprofundado. Mesmo a questão da fé não é tão intrigante assim. Shyamalan perde mais tempo com personagens assistindo noticiários e lendo livros sobre Et’s. Os últimos 15 minutos dão novos ânimos ao filme, mesmo que não o bastante para recolocar o filme nos eixos, porque na memória ficam algumas das cenas ridículas como a que mostra Mel Gibson e Joaquim Phoenix, sentados em frente à TV, com as mãos nos joelhos, exatamente na mesma posição, assustados com o que vêem na tela (parecia mais filme de comédia besteirol).