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The Great Gatsby (1974 – EUA)

Mais uma adaptação de um dos grandes clássicos da literatura Americana (Scott Fitzgerald), com roteiro do grande nome dos anos 70 (Francis Ford Copolla) e direção de um britânico desconhecido (Jack Clayton). Algo estranho aí, não? A reconstituição dos anos 20 e a burguesia imponente de grandes festas, de convites pomposos para chás, e do abuso social pela força financeira, são temas presentes nessa história de amor pontuada pelos comportamentos delineados dos personagens. Gatsby (Robert Redford) é o ricaço misterioso, promove as melhores festas da cidade em sua mansão e poucos conhecem seu rosto. Daisy Buchanan (Mia Farrow) é a típica socialite, mimada e futil, infeliz no casamento, vive sob o peso das traições do marido. Realmente havia um problema, e a escolha de Clayton é flagrante, o filme está todo estruturado e mal desenvolvido, falta dinamismo, falta transpirar esse romance, a obra vive dos seus alicerces sólidos e dos personagens definidos, nunca das suas características cinematográficas. O casal que revive um romance passa tardes num gramado sob o sol, a cena está ali, nunca a sensação que aquele momento lhes traz, falta emoção, falta paixão, estamos nos anos 20, porém não os vivendo.

Zelig

Publicado: janeiro 30, 2012 em Uncategorized
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Zelig (1983 – EUA)

Leonard Zelig (Woody Allen) é um sujeito mais do que peculiar, afinal quem desenvolve a estranha habilidade de transformar sua aparência (ao lado de japoneses os olhos ficam puxados, de negros a pele escurece e etc)? Contado sob o tom de falso documentário, temos aqui uma bem-humorada e espirituosa sátira de Allen. Primeiro por todo o objeto de estudo da psicanálise, os médicos obcecados em entender a peculiaridade do caso, além disso, o estranhamento da população e depois a questão mercadológica suscitada por Zelig (venda de bonecos, jingles divertidíssimos).

Ambientado nos anos 30 (época que Allen tem tanto carinho, seus filmes se repetem aos montes por aquela década), a graça maior está nas situações arquitetadas por Allen, desde o desenlace amoroso com a psiquiatra (Mia Farrow), e mais precisamente nas aparições junto a acontecimentos históricos ou pessoas importantes (como a festa na casa do todo poderoso Cidadão Kane com Charles Chaplin e cia, ou atrapalhando um discurso de Hitler, hilário), daí pode-se notar o quanto Forrest Gump copiou descaradamente Zelig (não só nessas aparições históricos, como em parte do estereótipo do personagem).

aeradoradioRadio Days (1987 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Dessa vez a genialidade de Woody Allen nos remete, de forma nostálgica, à época de ouro do rádio, quando as famílias reuniam-se em torno dele para apreciar seus programas favoritos. Era o auge desse meio de comunicação, a inexistência da TV, internet e etc deixava o caminho livre para que o rádio invadisse lares e dominasse o entretenimento familiar. Woody Allen recorda assim de sua juventude Allen, e de maneira discreta, o cineasta conta como apaixonou-se pelo jazz e como era a vida à época.

Em Nova York no início da Segunda Guerra Mundial, uma família judia comum se une, na sala de casa, para ouvir rádio e discutir os problemas de cotidiano. Solteiras querem se casar, casados brigam e reclamam, enquanto as crianças divertem-se num mundo de sonhos e fantasia. Não conheço outro filme em que o ator principal seja o rádio. Entre os inúmeros personagens, o garoto Joe (Seth Green) tem participa mais destacada, mas nada que nos permita considerá-lo como o centro das atenções, mas ter um garoto como foco maior facilita o tom romântico e pueril. Allen cria grandes sacadas, como na cena inicial com os ladrões respondendo ao programa de rádio, ou a professora substituta que fora espiada de binóculos pela garotada. Essa mesma garotada que caça desesperadamente submarinos inimigos em plena Guerra.

Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello, Dianne West e Diane Keton (cantando) são as estrelas que aparecem rapidamente durante o filme. Woody Allen fala do que gosta (música), do jeito que gosta de fazer, tornando talvez essa comédia leve no melhor filme de sua carreira. Uma bela homenagem ao rádio, que perdeu o glamour da época mais continua nos embalando em casa, no trabalho, no transito, na vida. Vale atenção à trilha sonora e a importância da música ao filme, principalmente Jazz e Big Bands ao som de gente como Gleen Miller e Cole Porter. Além da participação especialíssima de Denise Dumont cantando Tico-Tico no Fubá.

contosdenyNew York Stories (1989 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Três grandes diretores unidos, num filme coletivo, para contar pequenas histórias em Nova York. Histórias não conectadas, a não ser por serem passadas dentro da cidade homenageada, e tão filmada por todos eles. Pequenos contos, variando entre a comédia e o drama profundo, abordando temas como relacionamentos, amor, arte, mães e até misticismo.

O primeiro conto é dirigido por Martin Scorsese. Lição de Vida é o melhor dos três segmentos, e é fácil notar o dedo do diretor através de suas obsessões estilísticas. Em cada cena, em cada close, há muito de Scorsese por ali, talvez seja um de seus melhores momentos. Lionel Dobie (Nick Nolte) é um artista plástico completamente apaixonado por sua assistente e amante, Paulette (Rosanna Arquette). A jovem o troca por um comediante, e ele faz de tudo para reconquistá-la. Lionel não consegue viver sem a presença da amada, sofre profundamente, sai de si, e transpassa suas emoções para as telas, embalado na deliciosa trilha sonora (Rolling Stones e outros). Como todo artista, Lionel é excêntrico e difícil de lidar e tenta jogar com a inocência, e fragilidade de Paulette, a fim de confundir e domar a jovem. Nick Nolte em estado de graça.

A Vida Sem Zoe é dirigido por Francis Ford Coppola, e infelizmente parece bem menos inspirado que os demais contos. Narra a história de Zoe (Heather McComb), uma garota de doze anos, que mora num hotel de luxo, enquanto seus pais viajam o mundo trabalhando separados. Muito superficial, tenta mostrar a dificuldade com as relações pais e filha, e do próprio relacionamento sempre distante do casal.

Édipo Arrasado é leve e despretensioso, mas com um roteiro inteligente e inusitado. Dirigido e protagonizado por Woody Allen, consegue fechar muito bem o filme, de maneira agradável e menos densa que os anteriores. Sheldon é um advogado que não consegue conviver com sua mãe, mesmo com cinqüenta anos, sente-se superprotegido por ela, e envergonhado quando ela fala sobre sua infância. Namorando com Lisa (Mia Farrow), que tem três filhos pequenos, e sob desaprovação da mãe dominadora. Sheldon adoraria a idéia de sua mãe sumir (quem não em alguns momentos?). Num domingo, ele leva todos a um show de mágica, e o mágico chama sua mãe para o truque das espadas na caixa. Após o truque, quando ela deveria reaparecer, ela desaparece sem vestígios. Nem o mágico, nem o público, nem o pessoal do teatro, encontram a senhora. Após alguns dias de procura, Sheldon desiste, quando de repente sua mãe aparece no céu. E a figura passa a ficar por lá, de dia e de noite, conversando com a cidade inteira, e se tornando em realidade os piores pesadelos de Sheldon, afinal, não há mais segredos em sua vida particular.

maridoseesposasHusbands and Wives (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Woody Allen apresenta um formato diferente de seus filmes, um falso documentário sobre matrimônios, apontando problemas mais reais dos casamentos atuais. As inseguranças expostas sem julgamentos, os fatos são contados sem a busca pelo dono da razão. Maridos e esposas é divertido por ser tão real. E essa sensação de veracidade é intensificada pela câmera na mão, as tomadas tremidas. Dizem as más línguas que muitas das situações narradas foram vividas por Woody Allen, em seu casamento com Mia Farrow.

O filme começa com um longo plano-sequencia, câmera na mão, a imagem é mio suja e os personagens e objetos atrapalham um pouco a cena. Nessa cena estão os casais Gabe Roth (Woody Allen) e Judy Roth (Mia Farrow), e Jack (Sydney Pollack) e Sally (Judy Davis). São muito próximos, mas aquele encontro é para informar que Jack e Sally estão em processo de divórcio. A informação pega o outro casal de surpresa, causa estranheza.

A partir daí, o filme é narrado por depoimentos dos quatro, respondendo perguntas de um entrevistador, relembrando fatos. Tais depoimentos servem para resgatar todos os tipos de problemas comuns em matrimônios, como crises entre os casais, a atração dos homens por mulheres mais jovens, a busca de mulheres por outros amores, a briga entre ex-casados. Tudo tratado de maneira simples, em diálogos bem elaborados. E como na vida, o vai e vem leva cada um destes personagens ao seu rumo, cada qual com suas características e diferenças em personalidades. E seguem rumos que muitas vezes ninguém imaginaria. Traições, flertes, vidas amorosas expostas num belo filme de Woody Allen.