Posts com Tag ‘Mia Wasikowska’

kinopoisk.ruMaps to the Stars (2014 – CAN/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Fico imaginando como teria sido recebido o novo filme de David Cronenberg nas mansões de Hollywood. Tanta gente da indústria citada nominalmente, ou representada, por esse veneno corrosivo do cineasta que traz as estranhices para próximo do público. Seu novo filme não perdoa nada da capital do cinema americano, da hipocrisia das relações sociais, aos devaneios emocionais e promiscuidades sexuais.

Adolescentes dependentes químicos, pessoas desequilibradas e violentas, relacionamentos quebradiços, aspirantes da indústria de cinema que trabalham servindo aos ricaços. Cronenberg é incisivo, cruel. Seu filme é irregular, de formas geométricas imperfeitas. Obtuso e perturbado.

Julianne Moore vive a atriz em crise, desesperada por entrar no filme que sua mãe atuou (décadas atrás), e apresenta todos os desequilíbrios emocionais que podemos imaginar. John Cusack é o terapeuta das estrelas, seu filho (Evan Bird) é o problemático astro adolescente, alcoolatra, dependente químico. A família tem membros ainda mais transloucados. Nesse tabuleiro que Cronenberg brinca de relacionar os demais personagens, do motorista de limousines (Robert Pattison, novamente nesses carrões num filme de Cronenberg), a misteriosa garota de luvas (Mia Wasikowska), a mãe fragilizada (Olivia Williams).

É a desglamourização de Hollywood baseada em suas próprias necessidades de construção. Festas, vaidade, esquisitices, dinheiro farto, poder. Cronenberg não lida com os temas, ele os expõe impiedosamente, demonstrando podridão onde tenta se vender glamour. Loucura onde deveria ser o mundo dos sonhos. Nos entrega um mapa cruel, nefasto

only-lovers-left-aliveOnly Lovers Left Alive (2013 – EUA/ING/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O sempre hipnótico Jim Jarmusch vem com sua versão de romance entre vampiros. Algo mais platônico e contemplativo que o hype pop atual, um oceano separando o casal (Tom Hiddleston e Tilda Swinton). Eles dormem durante o dia e à noite falam pela internet, bebem sangue e admiram aspectos culturais humanos. A distância, a eternidade, o tempo é fatal a eles e essencial ao filme.

Jarmusch analisa comportamentos, dos mais equilibrados que buscam harmonia com a humanidade (com depressões e pensamentos suicidas) até a inconsequência da juventude (Mia Wasikowska). O amor é belo, a cumplicidade legítima. Jarmusch penetra na eternidade quase a tornando um martírio infernal que consome e desgasta, cujo amor parece ser a única salvação frente o tédio secular

stokerStoker (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A estreia do coreano Park Chan-wook em Hollywood não traz grande brilho a uma carreira que explodiu, para, logo a seguir, cair num buraco negro sem fim. Os fãs surgidos com Oldboy vão se esvaziando a cada novo filme, demérito exclusivo do próprio cineasta que não acerta mais na fórmula, e esse aqui não deve ajudar muito.

Chan-Wook vem cheio de firulas na direção e na fotografia, que colaboram (até positivamente) com a atmosfera de suspense/terror, mas não resolvem o roteiro sofrível. Aliás, essa indefinição pelo gênero é mortal, a não opção pelo terror deixa o enredo ilusório, com conexões frouxas ao explicar comportamentos que se conectariam por relação de sangue. Os personagens apresentam-se estereotipados nas próprias carreiras dos atores, Nicole Kidman perdida, Mia Wasikowska esquisitinha, Matthew Goode galã caricato, nem nisso Chan-wook conseguiu, ao menos, inovar.

Lawless (2012 – EUA)

A adaptação do livro The Wettest County in the World (de Matt Bondurant), dirigida por John Hillcoat vem cheia de violência e sangue escorrendo. Pode parecer antagônico, mas peca no classicismo narrativo dos filmes da época de Al Capone e a Lei Seca. A violência crua, ao invés de romântica de alguns filmes do gênero, é pouco para dissociá-lo de mais uma história de gangsteres, policiais corruptos e disputas de poder. Além da presença de mulheres passivas e algum herói em atos heroicos inesperados.

Hillcoat não consegue ir além da máxima de mocinhos e vilões, por mais que todos sigam e vivam sob suas próprias leis. Emprega ritmo arrastado, o filme se arrasta na disputa entre o corrupto (Guy Pearce) e os irmãos durões (Tom Hardy, Shia LaBeouf e Jason Clarke), enquanto a elogiada fotografia parece limpinha demais, e as relações amorosas-pessoais variam entre o passivo e o bobinho.

E quando chegam os momentos mais eloquentes, as grandes disputas entre mocinhos (vilões) e vilões, sobra exagero e ressurreição. No começo a história se apresenta como baseada em fatos reais, o que não precisava era parecerem tão super-heróis assim.

Restless (2011 – EUA)

Em Casa Vazia um sujeito invadia residencias quando os moradores não estavam, numa dessas visitas uma mulher se apaixona por ele. Ela passa a invadir com ele as casas. Inquietos começa com um jovem riscando no chão o contorno do seu corpo (como nos filmes policiais marcando onde estava o corpo da vítima), mais adiante na história o jovem está marcando o contorno do corpo dele e da namorada, e eles estão ali, caídos pelo chão (foto), de mãos dadas. Amor é isso, permitir que pequenos prazeres que eram só seus, possam ser divididos a dois, deixar outra pessoa inserir-se no que lhe é importante na vida.

Gus van Sant traz uma história de amor, novamente ele está trabalhando com a juventude, mas aqui, ao invés de tentar compreendê-la o cineasta está apenas pegando emprestado a idade dos personagens, utilizando-os como meio e não como tema. Ele (Henry Hopper), bem “ele é diferente”, traz à tona o que lhe assombra, por exemplo é penetra de funerais. Já ela (Mia Wasikowska) é daquelas que desperta o amor à primeira vista, a vivacidade, o entusiasmo em falar de Darwin e dos pássaros, a luva vermelha, o sorriso permanente, difícil é não se apaixonar por ela.

Só que ela vive as últimas semanas de um cancer terminal, são dois jovens encarando a explosão de uma bomba atômica no estomago e com prazo de validade a expirar. Pois, Van Sant explora toda a delicadeza do amor, aproveitando as pequenas coisas capazes de marcar as lembranças desses pequenos momentos. Um beijo na chuva, uma metáfora entre eles e um pássaro que canta só pela manha, a maneira carinhosa como eles se chamam. Enfim, essa coisa de saber viver o amor e brincar ao mesmo tempo, sem se preocupar com o julgamento de quem está em volta.

Em alguns momentos esbarra no sentimental, na mão mais clássica que também conhecemos na carreira de Van Sant, mas em sua grande maioria trata-se de um filme adorável, de silencios românticos e melancolicos. Annabel e Enoch, um filme de profunda tristeza, ainda assim recheado desse sabor de vivacidade, e aquele final lindo (que eu implorava para ser exatamente como foi).