Posts com Tag ‘Michael Cimino’

osicilianoThe Sicilian (1987 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Em muitos pontos a filmografia de Michael Cimino me faz lembrar Coppola, também na fase da Nova Hollywood. Ambos filmaram a Guerra do Vietña, ambos adaptaram Mario Puzo em histórias envolvendo máfia, a Sicília. Há outros filmes de Cimino que tem algo do clima de O Poderoso Chefão, talvez Cimino seja mais virtuoso no ato de filmar, porém mais próximo do cinema de ação.

Christopher Lambert (sempre fraquinho) encarna Giuliano (personagem verídico que agia como Robin Wood nas minhtanhas da Sicília). O roteiro apresenta ascenção e queda, a proximidade com o povo, a ingenuidade do ego inflado e a sabedoria dos verdadeiros mafiosos em manipularem-no. Cimino dá sinais de seu estilo em alguns momentos, aproveitando, por exemplo, na visão árida das montanhas. Porém, de forma geral, pelas atuações irregulares, ou pela condução quem esboça um western, mas se apresenta apenas como um filme que adapta as ideias do livro, de forma pouco inspirada.

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oportaldoparaisoHeaven’s Gate (1980 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da obra-prima ao fracasso. Na inernet facilmente encontra-se textos que pontuam a importância histórica do grandioso filme de Cimino, a disputa com o estúdio, o fracasso de bilheteria, o orçamento estourado, o ego inflado por aquele jovem promissor que ganhara 5 Oscar’s e pretendia realizar, nada menos, que a obra-prima definitiva do cinema americano. E não venham me dizer que esta não era a intenção, porque o filme dá todos os sinais da eloquência com que Michael Cimino conduz seu filme. Da frustração irrestrita com que o filme foi recebido à aclamação da crítica como verdadeira obra-prima, quando do relançamento da versão do diretor, o filme se tornou maldito e amado.

O tema não era nada palatável, e o clima da época (pós Guerra do Vietña) indica que não era o tema que o público estava ávido em descobrir. Afinal, tratar de um momento histórico americano em que o presidente do país aceita que um grupo faça uma lista, e execute, 125 pessoas (na maioria imigrantes que atrapalhavam seus negócios), está longe de entreter. Do discurso inflamado do orador da turma (John Hurt), à caçada que se torna o condado de Johson, Cimino cria dezenas de planos fabulosos em reconstituição de época, cenários, e a violência sanguinária. O balett da câmera acompanhando os bailes, as cenas com centenas de figurantes, a porção western (há quem considere que o filme matou com o gênero), a trilha sonora precisa entre a emoção e o bucólico. É tudo lindo de se ver.

Porém, de tão grandioso, a almejada obra-prima de Cimino se apresenta como um polvo gigante, desengonçado, que se movimenta em slow motion. O triângulo amoroso (Kris Kristofferson, Isabelle Huppert e Christoher Walken) é instável, falta fluidez. O personagem de Jeff Bridges parece meio perdido na história. O roteiro não consegue dar conta de tamanha grandiosidade, de estruturar seus personagens, o massacre e o triângulo amoroso acabam como as tábuas de sustentação enquanto Cimino apresenta sua desenvoltura em criar cenas lindas. Cavalos, carruagens, os trajes coloquiais, o western como toques de épico, a perseguição à imigração. Talvez fossem necessárias 5 horas de duração para que Cimino conseguisse desenvolver tudo que pretendia, a versão de 219 minutos ainda manté o filme confuso, ainda que belíssimo.

ofrancoatiradorThe Deer Hunter (1978 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

A brutalidade da antológica sequencia de roleta russa, com vietnamitas se divertindo com soldados americanos capturados, é um dos momentos mais aterrorizantes que carrego na memória, desde criança. Inesquecível como Michael Cimino costura toda a cena com Michael (Robert de Niro) e Nick (Christopher Walken) à flor da pele, entre a loucura e a paura de enfrentar a morte, de frente. São momentos atordoantes, enlouquecedores, é a guerra diante de nossos olhos, sem glamour, em sua mais pura violência.

O roteiro da cabo do antes, durante e depois da Guerra do Vietña, praticamente um glossário das mutações causadas nos sobreviventes. Amizade, reconstrução de vida, infidelidade, instinto de sobrevivência, culpa, loucura. Sob a ótica de um grupo de amigos, Cimino constrói a irregularidade desses jovens que se divertem em casamentos e bebedeiras, divertem-se caçando na mata como numa terapia masculina, carregam o nacionalismo reluzente e o orgulho de servir o exército, enquanto deixam namoradas/esposas em casa. São dilemas, dúvidas, Cimino captando todas as inconsistências humanas.

No foco Nick, Michael, e Steven (John Savage), além de Linda (Meryl Streep), os caminhose seguidos por cada um, no pós guerra, traçam o retrato dos fragmentos dessa geração americana totalmente influenciada pelos horrores vividos. O emblemático reencontro de Michael numa caçada é a tradução precisa da irregularidade que ficará marcada em cada um daqueles meros trabalhadores de indústrias siderúrgicas.

natrilhadosolThe Sunchaser (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A proposta nem é das mais elaboradas, presidiário perigoso fugir sequestrando o médico que lhe atendeu no hospital. O médico, chato de tão certinho, interpretado por Woody Harrelson, já é um show a parte. Afinal, é impactante ver o ator, após tantos personagens desregrados, assumir a encarnação do engomadinho, playboy, cheio de teorias convervadoras. De outro lado um índio navajo (Jon Seda), paciente em câncer terminal, querendo fugir para suas origens, suas crenças sagradas.

O embate entre ciência x fé é uma das propostas, mas Michael Cimino não perde o DNA da arma na mão e disparos de tiros por todos os lados. Há ação, humor, os travellings cheios de movimento do cineasta, o exercício de seu estilo numa história com apelos dramáticos e clichês que vão desde o grau de amizade estabelecido, o medo da situação, e principalmente a figura de qualquer outro personagem que não os protagonistas.