Posts com Tag ‘Michael Fassbender’

A Dangerous Method (2011 – ING/ALE/CAN/SUI)

 A fascinante história da relação entre Carl Jung e Sigmund Freud, contada com elegância por David Cronenberg. Início do século XX, o pai da psicanálise (Freud – Viggo Mortensen) enxerga em Jung (Michael Fassbender) seu discípulo, há uma enorme discussão cientifica sobre os rumos científicos dessa especialidade da medicina. Freud prega que todos os disturbios estão ligados à sexualidade (ok, comentário raso, não cabe aqui detalhar suas teorias), e uma corrente de psquiatras segue suas teorias, entre eles Jung. A trama dá inicio quando Jung começa o tratamento com Sabina Spielrein (Keira Knightley) sensivelmente atormentada, altamente culta.

Enquanto assistimos aos desdobramentos da relação Jung-Sabina, as dicussões cientificas entre Freud e Jung tornam-se acaloradas, rumo ao distanciamento de ideias. Cronenberg capta isso muito bem, de forma sutil e extremamente elegante, ele conduz as diferenças e discussões, assim como toda a carga sexual nas interrelações entre médicos e pacientes. São pessoas que gostam de discutir, de argumentar, e brincam de falar de si mesmas, como se pudessem permanecer invulneráveis aos comentários.

Estou falando aqui baseado em leituras, críticas, videos, resumindo informações de mais de uma dezena de meios de comunicação que em Veneza estiveram. E a sensação é de uma edição de filmes que prometem muitos, finalmente temos uma boa lista de expectativas para que cheguem nos festivais brasileiros e no circuito comercial. Listo abaixo os filmes que aguardo com maior ansiedade dentro da Mostra Competitiva em Veneza.

Faust, de Alexander Sokurov (ganhador do Leão de Ouro)

obs: quem me conhece sabe da minha obsessão por alguns cineastas, poderia dizer que sou figurinha carimbada em sessões de filmes de Kar-Wai, Gitai, e outros. E um desses nomes que realmente me fascinam é o de Sokurov.

 

Shame, de  Steve McQueen (vencedor Coppa Volpi de melhor ator: Michael Fassbender)

obs: quem sabe tragam não só este, como também o ótimo trabalho de estréia de McQueen, o filme Hunger.

 

Tinker, Tailor, Soldier, Spy, de Thomas Alfredson

Obs: nem Árvore da Vida, nem o próprio Faust, e nenhum outro, simplesmente o filme mais aguardado do ano por mim.

 

A Dangerous Method, de David Cronenberg

Obs: a amizade e rivalidade de Jung e Freud

 

Terraferma, de Emanuele Crialese (ganhador do prêmio especial do júri)

obs: cineasta do elogiado Respiro e do interessante Mundo Novo, retratando a delicada questão da imigração africana na Itália.

 

Isso para me ater em apenas 5 filmes, porque ainda tem Carnage de Roman Polanski, People Mountain People Sea de Cao Shangjun, 4:44 de Abel Ferrara, O Morro dos Ventos Uivantes de Andrea Arnold, pelo visto uma ótima edição do festival de Veneza em 2011.

Hunger

Publicado: maio 19, 2009 em Uncategorized
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Hunger (2008 – RU)

Na faculdade um professor disse que onde há prosperidade econômica, não há conflitos, movimentos revolucionários, desde que a União Européia prosperou que não se ouve falar do IRA. Será que o professor tinha razão? Voltamos à década de oitenta, não espere aqui um filme de conteúdo informativo, mas sim de personagens engajados em sua luta, em sua crença, em seu patriotismo libertário. As mensagens do diretor Steve McQueen usam a força da imagem para repercutirem. Em cenas desagradáveis, asquerosas, o governo britânico (Tatcher) é acusado de um tratamento sub-humano aos presos políticos (ou melhor, a acusação forte do filme é de que eram julgados e tratados como presos comuns e não políticos). Celas nojentas, escuras e repletas de insetos e outros bichos repugnantes, restos de comida jogados ao chão, contusões, violência incontrolada. Os presos lutam com sua bravura por seus direitos, tentam greves (primeiramente de banho, quase morrem ao tomarem banho a força). No grande embate do filme, um padre e Bobby Sands (Michael Fassbender) discutem seus pontos de vistas, Bobby Sands planeja uma greve de fome (daí o título) e a discussão torna-se acalorada sobre dogmas, crenças, sobre atitude. O embate cresce enquanto os pontos de vistas são cada vez mais antagônicos. E McQueen registra tudo entre um cigarro e outro, com câmera fixa e certo distanciamento, com rostos meio encobertos, e sem cortes. O diálogo fala por si, eleva o filme a uma posição além do mais uma história política, exasperante pelo impacto das imagens e pela obstinação de seus polidos personagens.