Posts com Tag ‘Michael Keaton’

Spider-Man: Homecoming (2017 – EUA) 

Chegou o dia em que o cinema transformou O Homem-Aranha em coadjuvante do Homem de Ferro e dos Vingadores. Aquela aparição relâmpago, que causou frisson no último Capitão América, não poderia nos dar tantas pistas, do que não queríamos ver… como ele se encaixaria no Universo Marvel. O filme surge como outro subproduto de algo maior, que são os Vingadores, até mesmo de personagens maiores, bem diferente do que sempre ocorreu.

Universo Marvel à parte, o filme dirigido pelo impercepível Jon Watts é narrado (e praticamente voltado) sob a ótica desse garoto de quinze anos. A identificação com esse público-alvo é mais que direta, é absoluta. E nisso está todo o tom do filme, mesmo que para isso precise desprezar qualquer traço de Cinema em prol das piadinhas, a qualquer custo desse humor Marvel, e das cenas de ação atabalhoadas. É um filme de desperdícios, e raso nos pouquíssimos temas que aborda. Porque há sim essa questão da juventude apressada, incapaz de ter paciência, mas esse ponto é engolido, assim como qualquer relaciomanento pessoal, romântico ou afetivo, por mais e mais piadas baratas. Ok, o filme não precisava explicar os personagens, já os conhecemos, mas quais são as características da Tia May, ou da namoradinha do colégio? Simplesmente estão lá, vazios quato a profundidade que Watts dá  seu filme.

O tom do filme já estava escancarado no found footage do início, mas Watts é incapaz de escapar de sua armadilha, ou de deixar de fazer o filme girar em torno de Tony Stark. Não há praticamente uma cena em que ele não seja citado (ou esteja presente). Por outro lado, o filme diz muito sobre essa geração de novos adultos, incapazes de se desprender do lado mais criança. Só consigo encontrar Cinema na sequencia entre o apertar de campainha e o fim do baile para Parker, é muito pouco no meio desse emaranhado de cenas jogadas num ritmo alucinante. A cada novo filme, o Homem-Aranha regride na idade, tenta assim representar uma nova geração de fãs, mas só tem conseguido perder seu charme de rapaz atrapalhado.

spotlightSpotlight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O irregular cineasta Tom McCarthy (que no ano anterior cometeu a terrível comédia Trocando os Pés, com Adam Sandler), dessa vez consolida seu nome, da cena independente, com um dos principais aspirantes ao próximo Oscar. Baseado nos fatos reais de uma investigação do jornal Boston Globe, que desencadeou um escândalo gigantesco de padres pedófilos, o filme tenta entrar na redação do jornal e dar maior ênfase à corrida da noticia, do que ela propriamente.

É um estudo empolgante da garra com que jornalistas buscam a noticia, e a forma com que se relacionam a ela, enquanto as discussões entre editores formatam os próximos passos, o como seguir (que muitas vezes é totalmente diferente do que os jornalistas gostariam). Tom McCarthy é feliz em tratar simultaneamente noticia e jornalismo, uma profissão que tenta passar pela reformulação das eras da internet, e parecenem tão valorizada quanto outrora.

Esse resgate do profissional, principalmente o personagem de Mark Ruffalo, converge com o espirito investigativo, com a ânsia por mais, a insatisfação. Tudo resumido pelos planos e contra-planos, os diálogos acalorados, e as posições dúbias em muitos os casos. Se McCarthy pouco explora os verdadeiros interesses editoriais (deixa tímidas perguntas no ar), traz um retrato pulsante do que é o ser jornalista.

birdmanBirdman: or (The Unexpected Virtue of Ignorance) (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Exagero, extravagância, eloquência. Não faltam adjetivos capazes de rotular o novo filme de Alejandro González Iñarritu. O cineasta mexicano, que explorou o recurso das histórias que se entrecruzam até esgotar a paciência do público, vem agora, com o ego nas alturas, discutir a inesperada virtude da ignorância. O ator (Michael Keaton) que tenta na Broadway a redenção após o estigmar de ser o herói dos cinema (Birdman) é prato cheio para Iñarritu preencher com histerismo os bastidores de uma peça prestes a estrear.

O ego de Iñarritu começa pelo falso único plano-sequencia, a qual o filme ser apresenta. Personagens berrando o tempo todo, os nervos à flor da pele, é tudo capturado pelo exagero de discursos agressivos, e pela petulância de quem tenta resumir os males do mundo em meia-dúzia de personagens caricatos. É o cinema da demasia, da loucura calculada na pretensão de um estudo psicológico humano, que não vai além da arrogância da sátira do absurdo.

Robocop

Publicado: fevereiro 24, 2014 em Cinema
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robocop_2014Robocop (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O remake dirigido por José Padilha mais parece um ponto de encontro de Tropa de Elite com o clássico de Paul Verhoeven. Pouca coisa restou para comparar os filmes, e nessa comparação o cineasta brasileiro sai perdendo. Estão lá desde o apresentador de tv influenciável e manipulador (Samuel L. Jackson), os políticos inescrupulosos e corruptos no topo da pirâmide do crime, e até o espírito do invencível e incorruptível que era representado pelo Cel nascimento e agora surge na figura do Robocop (Joel Kinnaman).

Gary Oldman resgata o médico louco e fascinado pela criação de seu Frankenstein, enquanto o policial robô é transformado numa espécie de justiceiro vingador de sua própria história. Dessa forma, toda a carga humana e o embate homem x máquina (que pareciam temas mais fortes da versão de Padilha) são diluídos por essa obsessão em rapidamente culpar e prender aqueles que causaram o atentado que o transformaram no policial cibernético.

Há vilões por todos os lados, alguns deles por razões pouco explicáveis, é a forma de José Padilha tratar a questão da violência onde, exceto o herói e o povo, os demais são todos os que discordam de seus métidos. E finalmente chegamos às cenas de ação, onde o excesso de câmera tremida e o aspecto visual que mais se preocupa com a “jogabilidade” de um videogame dão a perfeita sensação de sermos coadjuvantes num jogo de Counter Strike. Padilha é hábil nesse processo de invasão da favela (no caso galpões cheios de bandidos armados), filma de todos os ângulos, de maneira ágil e alucinante. Pena que o difícil seja distinguir o que se está vendo. Antes o inimigo era outro, agora está em outro lugar.

jackie_brownJackie Brown (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Quando se fala em Jackie Brown, muitos colam o rótulo de melhor filme de Quentin Tarantino, ou da interpretação da vida de Pam Grier. São os que sempre preferem os filmes que não tiveram tanto hype na carreira de um cineasta/ator. Realmente é um filme delicioso, no virtuosismo de Quentin Tarantino, no quebra-cabeças equilibrado do roteiro, nos momentos vibrantes causados pelos plano-sequencias acompanhando cada um dos envolvidos no momento crucial do filme.

Pam Grier está ótima, assim como Michael Keaton e Robert Forster em atuações discretas, contidas e irrepreensíveis. Jackie Brown é um filme de estilo, e Tarantino não se cansa De recheá-lo com delírios a seu público em cenas simples, com cortes secos, falas monossilábicas, e um time decisivo para cada seqüência. Como sempre o cineasta é cuidadoso na trilha sonora, e nos diálogos caprichados que primam pela habilidade de se fazer do enxuto o virtuoso. Seis pessoas, meio milhão de dólares, uma envolvente história de tráfico de armas, uma aeromoça trazendo dinheiro do México e um agente de fianças apaixonado.