Posts com Tag ‘Michael Lonsdale’

O Gebo e a Sombra (2012 – POR/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A construção rigorosa de teatro filmado, o ambiente soturno, as interpretações contidas e o tempo de cada cena arrastados de forma serena. Manoel de Oliveira entrega mais um filme ao público, daqueles que ficam mais saborosas após a sessão. O ritmo lento, os planos fixos e o cenário único não colaboram ao deleite de cada cena, mas o mestre centenário sabe costurar sua história sobre honestidade e cobiça, e principalmente sobre honra e proteger entes queridos. A familia conclama o reaparecimento do filho ausente, provável ladrão, quando aparece (Ricardo Trêpa) é que, os discursos e preocupações dos que estavam naquela mesa de jantar, começam a se encaixar. Um pequeno conto narrado com rigor autoral, colocando a ética moral contra si próprio.

aquestaohumanaLa Question Humaine (2007 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Nicolas Klotz oferece um dos filmes mais esquemáticos e intrigantes dos últimos tempos. Nada é simples, muito menos pouco pensando. De uma aparente conspiração empresarial, dos que almejam assumir a presidência de uma empresa, o filme passa a um profundo estudo da questão humana, de princípios de humanidade, e correlações de multicomplexidade social, criando uma fascinante analogia, entre administração corporativa e o massacre nazista.

Um estudo precioso de personagens e suas correlações, quase um thriller, sem nunca se afastar do mundo corporativo, vivendo apenas de relações humanas e do passado como emoldulador da herança pscicológica de caca um deles. Sua estrutura, não-clara, transforma-se num deleite a cada nova sequência. Um universo de possibilidades que se abre, segredos desvendados que vão muito além do mundo empresarial. A todo momento Klotz está promovendo a discussão, a possibilidade de refletir sob as garras do capitalismo e, principalmente, aos pilares das relações pessoais nesse mundo contemporâneo.

A segunda metade do filme é de revelações, mas, essencialmente de proposições, teorias, e de uma mise-èn-scene capaz de cenas curtidas, com cortes precisos, nos permitindo o tempo ideal de tentar absorver. As imperfeições do psicólogo (Mathieu Amalric), que trabalha no RH da empresa em questão, dão ainda mais peso a essa questão humana proposta, tão ingênuo para uns, e astuto para outros, seus momentos de desequilíbrio, a relação com sua namorada e com as mulheres que flertam com ele, e o joguete na mão dos poderosos da empresa. Até a narração em off, no fim, com tela escura, o público atônito a tantas proposições e essa analogia da carnificina empresarial de uma desumanidade vil e econômica. E a trilha sonora então, genuinamente escolhida, para enriquecer cada espaço entre silêncio e som.