Posts com Tag ‘Michael Madsen’

osoitoodiadosThe Hateful Eight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Após tantas polêmicas quanto ao roteiro que vazou, a ponto de Quentin Tarantino quase abdicar do filme, estamos novamente com outro western spaghetti, quase um exploitation, do cineasta americano que não se cansa de suas referências. Quase um conto remetendo a história americana desse passado escravagista e racista, enquanto Tarantino não deixa de elencar que é seu oitavo filme, com seus planos cheios de estilo e outras marcas registradas, Outra repetição marcante é o ritmo pacato dos diálogos, que vão explicando os meandros do roteiro super-elaborado, e até as idas e vindas da mesma cena, sempre trazendo novos significados.

Circustancias colocam oito sujeitos dentro de uma cabana, escapando da nevasca. Caçadores de recompensa, enforcadores, um xerife e um general. O clima de insegurança se confunde com a aspereza no trato entre eles. Enquanto isso, o cinema de Tarantino segue com os sinais de cansaço da dependência de sacadas muito além do genial, que nem sempre se realizam. E a falta delas dá lugar a repetição, seus filmes persistem com narrativa palatável, com esse amor cinéfilo levado as últimas consequências. Não que isso tudo resulte no frescor de seu início de carreira.

 

caesdealuguelReservoir Dogs (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Numa manhã qualquer, um bando de homens engravatados (com cara de mafiosos) tomam tranquilamente um café da manha, discutem sobre a música da Madona, brigam por causa de uma gorjeta, tudo parece calmo. Quentin Tarantino acompanha aquela mesa-redonda matinal com uma câmera espreita, eram os primeiros passos de um cineasta que chegara para imprimir seu ritmo e causar frisson, reinventar a união do pop e do cinema autoral.

De um assalto “frustrado” a uma joalheria, e uma diversidade de flashbacks, somos apresentados a cada um daqueles figurões do crime. A narrativa é cuidadosa em traçar seus perfis, nos deliciando com humor áspero permeado pelo vermelho sangue que anda espalhado pelos poucos cenários. Dentro de suas excentricidades, cada personagem é charmosamente estudado, e Tarantino ousa nos fazer apaixonar por cada um daqueles brutamontes cruéis e fascinantes, num filme simples, direto e assumidamente cool que encontra a perfeição da violência gráfica e os primeiros passos desse cineasta cheio de tendências e paixões que fariam de Cães de Aluguel um clássico cult imediato.