Posts com Tag ‘Michel Franco’

chronicChronic ( 2015 – MEX) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O segredo do roteiro, premiado na última edição de Cannes, é de oferecer detalhes de David (Tim Roth) de forma gradativa, para que o público só consiga compreende-lo melhor quando já estiver bem familiarizado com ele. Enfermeiro especializado em doentes terminais, David é tão dedicado que não parecer ter vida própria além do trabalho.

É outro típico trabalho de Michel Franco, em meio de seus longos planos fixos, o cineasta mexicano apresenta a miséria humana da situação. Explora, pacientemente, e sadicamente, os momentos íntimos dos pacientes (banhos e todo tipo de excreções), enquanto demonstra a indiferença, e sentido de obrigação, dos familiares para com os pacientes.

Franco explora momentos que quase ninguém quer ver, assim como seus filmes anteriores (Daniel e Ana, Depois de Lúcia), o indigesto como fio condutor. Para, paulatinamente, adentrar a vida pessoal e compreender os dramas de David. Poderia ser piegas e bonito, mas não, Franco está sempre em busca do choque entre imagem e reação do público, em causar afastamento, e assim conduz outro de seus filmes rumo à frieza que lhe é peculiar.

Depois de Lucia

Publicado: março 14, 2013 em Cinema
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Después de Lucía (2012 – MEX) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A cruzada de Michel Franco é contra temas que alcancem o limite do revirar o estômago. Vai muito além do que Haneke, nesse quesito. Porém, seu objeto de observação é o cotidiano, abalado por situações grotescas. Sua profundidade é apenas a dor, o sofrimento. E também, do como lidar dentro desse mundo contemporâneo e tecnológico.

A sequencia inicial já nos deixa boquiabertos, o motorista tira o carro do mecânico, dirige por uma avenida, e de repete para. Na pista do meio, sem mais nem menos, desce e larga as chaves. Com nossa curiosidade aguçada, ele narra a relação de uma garota com seu pai, e os novos amigos de escola, após a recente morte da mãe e mudança de cidade.

Franco entra no mundo dos vídeos da internet, da juventude descobrindo drogas e sexo, e cria um jogo macabro de abuso, por quem detém algo que voce não deseja que ninguém veja. Mas até onde vai o limite desse poder? O quanto se pode suportar calado os maustratos? Franco filma os abusos, um pior do que o outro, mostra a juventude dominada por seus próprios líderes, incapaz de se rebalar temendo represálias. A força narrativa do cineasta controla exatamente o que ele pretende apresentar, é também um manipulador nato, e obriga que seu público tenha estômago.

danieleanaDaniel & Ana (2009 – MEX) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um casal de irmãos ricos é sequestrado. Não há pedido de resgaste, nem mesmo um longo cativeiro. O interesse dos seqüestradores é especialmente bizarro. Eles obrigam os irmãos a praticar sexo frente às câmeras. A premissa é exatamente essa, dura, direta, chocante (a cena da filmagem é acachapante, de sensualidade inexistente, de asco gritante).

O cineasta Michel Franco, vencedor do Camera D’or, trata de uma história real (segundo os créditos tratada exatamente como ocorreu, apenas os nomes foram trocados), e por incrível que pareça, o filme serve como uma denuncia de casos que se repetem mundo a fora (que tipo de pervertido se interessaria por um filme desse naipe?). Sem um discurso panfletário, sempre câmera fixa, e normalmente planos abertos, dando exata e aterrorizante dimensão de espaço (seja dentro da casa da família, seja no carro, ou nas ruas da cidade). Chega a sensação, em alguns momentos, das paredes se moverem, tamanha sensação de estranheza e pavor que os irmãos sentem.

Na trama, Ana (Marimar Veja) e Daniel (Dario Yazbek Bernal), eram muito unidos até então. Ela preparando-se para seu casamento, e ele um garoto sociável, descobrindo o sexo com sua namorada. Após o incidente, não conseguem demonstrar nada além de silêncio, introspecção e perturbação. Todo esse desconsolo pode ser notado a cada olhar vago, a cada movimento desanimado e sem perspectiva dos atores. A vida segue, para eles parece que não. Pessoas marcadas como gado, sentimentos corrompidos, e o choque por tamanha brutalidade e falta de escrúpulos por um crime tão desalmado.