Posts com Tag ‘Michelle Williams’

Wendy & Lucy (2008 – EUA) 

Tão bonito quando o cinema faz do pouco, muito. É o caso do filme que solidificou a carreira de Kelly Reichardt como um expoente do cinema indie americano, mas com assinatura própria, distante da pobreza pasteurizada da maioria dos filhos de Sundance. Do pouco, muito, porque a história é tão simples, quanto real e dolorida. Wendy (Michelle Williams) conseguiu um emprego no Alasca, e tenta viajar até lá, mas o dinheiro está curto e as dificuldades só crescem.

Reichardt filma a alma dessa jovem em dificuldade. Faminta, desesperada, sem poder contar com ninguém. Não espere um melodrama, sua câmera é crua, dolorosa, e variando entre plano fechados ou bem distantes, formando assim um ritmo narrativo que permite ao público respirar, e colocar sua protagonista ora como mais uma no mundo, ora como a que passa as mazelas da humanidade e parece não ter saída. Afinal, estamos na crise que assolava os EUA economicamente, e sua situação representa a de tantos outros jovens, sem esperança, fruto de um sistema em colapso. Seu drama abre espaço para outros dramas dos personagens que ela encontra pelo caminho, enquanto tenta reencontrar sua fiel companheira, a cadela Lucy.


Festival: Cannes 2008

Mostra: Un Certain Regard

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manchester-by-the-seaManchester by the Sea (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Sim, realmente existe uma cidade em Massachusetts chamada Manchester by the Sea, com população de pouco mais de cinco mil habitantes. A nova história familiar universal, do diretor Kenneth Lonergan, poderia novamente ter ocorrido em qualquer lugar do mundo, como emoções e situação tão possíveis da realidade de qualquer um, mas por estarem representadas numa cidade tão pequena quanto esta, representa ainda mais.

Estamos diante de um sujeito arisco, Lee Chandler (Casey Affleck), que abdicou da vida social para, apenas, sobreviver, com seu emprego de zelador em Boston. A morte prematura do irmão (Kyle Chandler), o obriga a retornar, provisoriamente, à pequena Manchester, para tomar conta do sobrinho adolescente (Lucas Hedges), e, invariavelemte, enfrentar seus traumas do passado. Entre flashback’s e a transição dos envolvidos com a perda, o filme abre os detalhes da amargura de Lee, e dos personagens à sua volta em memórias e reencontros. E, nos coloca diante da dor insuportável da perda, aquela que pode não nos deixar caminhar adiante.

Foram apenas três filmes em dezesseis anos, talvez por conta de roteiros tão elaborados. Novamente nos situamos diante da relação tio-sobrinho, num filme de Kenneth Lonergan, e de tantas camadas de complexidade em relações humanas. Antes o diretor desenvolvera histórias de famílias ou situações complicadas, dessa vez, ele traz o peso do passado para um novo dilema trágico. O detalhe de ser numa pequena cidade é crucial para entender, e intensificar, um pouco da necessidade de Lee se afastar daquele passado. Em duros golpes no âmago do público, Lonergan e Casey Affleck oferecem o escancaramento das feridas incuráveis de um homem, que devido a nova tragédia, precisa reviver sentimentos angustiantes e jamais superados.

Prepare-se para sentir na pela a dor de Lee, que o filme teima em nos colocar de forma nada melodramática. Seca quanto o frio daquele inverno em New England, dura quanto a realidade daquela fatalidade, e do peso emocional que o tempo ainda pode provocar nos envolvidos. Não é um filme sobre superar, longe disso, é um filme sobre ter coragem para lidar: com suas obrigações familiares e com o peso do horror de um passado insuportável. Mesmo tendo, simplesmente, desistido, aprisionado como um criminoso dentro de sua própria rotina e seu próprio cárcere. Cenas, por exemplo, como a do reencontro com a ex-esposa (Michelle Williams) não deveriam ocorrer, mas são exatamente estas que dão a tônica do que simplesmente ocorre na vida, e marcam profundamente nossas vidas, até o fim.

certasmulheresCertain Women (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Os que gostam do cinema de Kelly Reichardt já podem aumentar o grau de empolgação com seu novo filme, porque este espaço já o considera um dos bons destaques do ano. Sem perder aquele ar de western moderno que seu cinema exala constatemente, Reichardt narra em três histórias, quatro mulheres cujas vidas se cruzam direta e indiretamente, na pacata cidade de Livingston, Montana. Unidas, ela têm em comum, a fortaleza do protagonismo de suas próprias vidas, que impõe não só por sua independência, como pelo desejo (tanto profissional e econômico, quanto amoroso) como um dos pilares motivacionais de cada uma delas.

A primeira é a advogada (Laura Dern), que sofre com seu cliente machista, que não lhe dá ouvidos, e ela precisa se reinventar, além dos seus conhecimentos jurídicos, para cumprir suas obrigações profissionais e até seu orgulho de enfrentar o caso e o cliente, é um bom exemplo. Outro caso é o da mulher (Michelle Williams), que toma a frente das negociações, para adquirir o terreno onde pretende construir a nova casa para ela, seu marido e a filha adolescente. O marido é passivo, ela é quem toma todas as rédeas da situação.

Tomar as rédeas é o que faz a, até então tímida, fazendeira (Lily Gladstone) em sua obsessão romântica por sua professora, e recém-formada advogada (Kristen Stewart). Aliás, vale o parênteses de que é costume encontrar destaque para as três estrelas famosas do filme, e omitir o nome de Lily Gladstone, que talvez seja a grande interpretação, e o grande personagem da trama de Reichardt. Longe de arroubos dramáticos, decidida e contida, ela é guiada por seus instintos e Gladstone traduz todas a segurança, e as incertezas, de maneira límpida e forte.

A cada novo filme, Kely Reichardt consolida-se como um dos nomes fortes, e com pegada autoral própria, dentro da cena de cinema indie americano que foge dos cacoetes de uma cinema de losers geeks (nerds) que virou moda no Festival de Sundance. Reichardt é um dos poucos casos de um cinema indie com características suas, que fogem dessa cartilha, e trazem oxigênio e sustentação a uma cena indie além dos arquétipos de personagens que se repetem à exaustão. São quatro mulheres ditas comuns, em fatos realmente triviais, mas que colocadas sob uma perspectiva, apontam certamente a posição igualitária feminina, que o cinema tenta intensificar enquanto as injustiças da sociedade moderna ainda não teve coragem de corrigir.

OzMágicoePoderosoOz: The Great and Powerful (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Chamar um filme de honesto é quase dizer que não te irrita, mas que não é grande coisa. Porém, nesses tempos em que todos os personagens da infância estão se tornando guerreiros brutamontes (desde Sherlock Holmes a João & Maria), o reencontro com o Mundo de Oz, é quase um alívio.

James Franco é o mágico farsante e mulherengo, em interpretação que mais parece Jim Carrey de tão caricata. Até a transposição do “nosso mundo” para Oz, o filme é em preto e branco até que Sam Raimi crie um visual colorido lindo (já visto em outros filmes), além de costurar bem o 3D, e dar espaço aos personagens coadjuvantes.

E o mais difícil, mantém a magia do caminho dos tijolinhos dourados (sem poder fazer referências claras à história clássica do Mágico de Oz, coisas de contratos). Entre bruxas boas e más, temos Michelle Williams, Rachel Weisz e Mila Kunis, e um universo a que estamos familiarizados muito bem. Raimi não faz grande filme, mas costura para que o todo não cause estranhamento, e isso, como disse, é um alívio.

entreoamoreapaixaoTake This Waltz (2012 – CAN) 

Sarah Polley ataca pelo mundo dos clichês indies, imita Miranda July nas cenas em que busca sensibilidade esquisitinha, faz de tudo para enquadrar seu filme num arquétipo de beleza melancólica com uma protagonista (Michelle Williams) com cara de fofa e vazia. A garota dividida entre o marido alegre demais e bronco, e o vizinho metido a artista e bom de papo, não vai além de cenas com “plasticidade” moderninha e silêncios não inspirados.

A dúvida entre o novo e a rotina, entre amor e paixão, na verdade está nas entrelinhas. No fundo é um filme sobre personagens vagando pelo nada de seus vidas pacatas, flertando com o humor tolo para sobreviver ou de inspirações poéticas do por-do-sol. Parecem mais pessoas sem conteúdo, simpáticas, bons vizinhos, gente de bem, não necessariamente interessantes. E quando vem o clipe de Take This Waltz, pronto a breguice indie atinge o ápice com a leveza de um ferro de passar caindo pela janela.

My Week with Marilyn (2011 – ING/EUA)

O mote seria descrever a intensa relação entre Marilyn Monroe (Michelle Williams) e Laurence Oliver (Kenneth Brannagh) durante as filmagens de The Prince and the Showgirl. Não é bem sobre isso que o filme trata. Tudo começa com excesso de vislumbre, até a direção de Simon Curtis parece vislumbrada com a hipótese de filmar Miss. Monroe, a primeira metade parece presa, amordaçada, o garoto insistente Colin (Eddie Redmayne) consegue emprego na produção do filme e todos estão na expectativa da chegada da musa do cinema. E, mesmo quando ela chega, estão todos atonitos que o próprio filme se comporta dessa forma.

As filmagens tem início, e a fragilidade comportamental de Marilyn irrita Sir Oliver. O clima esquenta, descobrimos uma pessoa volúvel, frágil e carente de atenção. Descobrimos que a Marilyn por trás das câmeras, é praticamente a mesma que conhecemos nos filme. A história fica mais interessante, Marilyn só sente segurança no garoto Colin, a semana de filmagem fica confusa e aquele garoto que sonhava participar de uma produção de Laurence Oliver, ganha o bonus de uma “proximidade” inexplicável com a musa das musas. Simon Curtis não é capaz de um grande filme, ficamos com a atuação apaixonante de Michelle Williams, e com esse gostinho de mais um pouquinho da sensualidade de Marilyn Monroe.

Meek’s Cutoff

Publicado: agosto 31, 2011 em Uncategorized
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Meek’s Cutoff (2010 – EUA)

Quando o melhor do filme está atrás da câmera insinua-se que alguma coisa não saiu certo na realização. O tom lento empregado pela cineasta Kelly Reichardt, a aridez da paisagem que pode ser sentida pelo público, a utilização destacável de profundidade, da amplitude daquele velho oeste por onde três famílias desbravam o destino em busca de melhor sorte. Contratam um “especialista” em busca de um atalho e começam os problemas: a falta de água e a presença de índios. Todo esse invejável aperfeiçoamento técnico na condução de Reichardt sofre com a ausência de uma história em si, personagens que vivem à sombra da posição de coadjuvantes, conflitos étnicos resgatando o bem e o mal (e princípios de uma humanidade), nada que se sustente, nem mesmo o esforço em tornar Michelle Williams o ícone do filme, sendo que, mesmo bem ela se repete em feições tais como a aridez daquele deserto seco e infindável.