Posts com Tag ‘Montgomery Clift’

osdesajustadosThe Misfits (1961 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Cada flame como um último suspiro, essa é a sensação que John Huston transborda em seu filme. É o último suspiro dos westerns, tanto que os caubóis correm atrás de mustangs (um tipo de cavalo) para fins pouco glamorosos. Os próprios durões já demonstram sinais de cansaço, Clark Gable longe da elegância da juventude, Montgomery Clift é o próprio caubói frustrado que liga para a família e não tem um puto no bolso. E quem chamaria o mecânico interpretado por Eli Walach de um piloto aventureiro?

A dama ingênua e indefesa, defensora dos animais e do amor platônico é ela, só poderia ser ela Marylin Monroe (na época esposa do roteirista do filme, Arthur Miller). Ela brilha na primeira aparição, e depois cai perfeitamente no papel de “desajustada”. Juntos, esse grupo apresenta uma decadência dolorosa, que a própria vida de não-assalariados parece assolá-los. Huston praticamente desconstrói o glamour dos clichês, o filme não é sobre essas pessoas, mas sobre a sombra do que elas se tornaram na sociedade.

Uma das mais lindas cenas de beijo da história do cinema|

A Place in the Sun (1951 – EUA)

A história do jovem humilde, de cidade pequena, buscando um futuro promissor, um lugar ao sol. Lá George Eastman (Montgomery Clift) descobre um universo de novidades, o luxo e a riqueza de um lado, o dia-a-dia honesto e humilde de outro. O diretor George Stevens consegue captar e expor esses dois mundos sem nenhum quê pejorativo, sem pré-conceitos. George é o que é, seu tio (que o emprega em sua fábrica) também, e esses dois mundos se cruzam com a natural estranheza e distanciamento. Um namoro às escondidas, uma paixão avassaladora (aquilo é o amor de uma vida, não?), as fragilidades de quem precisa manter as aparências sociais.

Se todo o filme é envolto numa camada de romantismo doce e puro, num cuidado meticuloso em tornar cada cena aconchegante ao publico, a famigerada cena conhecida como um dos beijos mais famosos do cinema atinge o ápice. Plano fechado, a imagem sob os ombros dele, Elizabeth Taylor de frente para a câmera, se aproxima com aquele olhar enigmático, a beleza inspiradora, enquanto você assiste àquele movimento calmo e natural, o tempo parece parar à sua volta, os segundos passam calmamente, você ali inerte, embasbacado com todo aquele romantismo carregado, hipnótico. O filme é incrível, a cena do beijo inesquecível.