Posts com Tag ‘Morgan Freeman’

lucyLucy (2014 – FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Luc Besson não tinha se aposentado? Que pena que não era verdade. O diretor francês volta com essa ficção científica, numa pegada mais rica, e tão acelerada quanto era Subway. A tese de que usamos apenas 10% do cérebro, e se alguém tivesse a capacidade de utilizar 100%. No caso de Lucy (Scarlett Johansson) foi o pretexto para transformar a loira fatal em brutamontes, ou numa metralhadora ambulante.

Morgan Freeman volta naquele tom professoral, de quem tem todas as respostas do mundo, na sua voz pausada. Gangues e traficantes, drogas azuis que deixam a imagem entre o cibernético e o suntuoso, mas, tudo é pretexto para um filme de ação cheio de criações visuais espetaculares. Luc Besson, você não tem jeito mesmo.

 

 

Anúncios

truquedemestreNow You See Me (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Se David Copperfield fosse parar no cinema, o resultado seria um filme como esse. O diretor Louis Leterrier usa de todas as artimanhas e pirotecnias do cinema (desde efeitos especiais, a roteiros cheios de segredinhos) para criar esse entretenimento pipoca-tamanho-família. Um conjunto de tolices muito bem tramadas por um ritmo narrativo agradável e um grupo grande de atores famosos (Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Woody Harrelson, Mark Ruffalo, Mélanie Laurent, Morgan Freeman, Michael Caine, Dave Franco).

Mais tarde a história abusa do “mentir ao público” e aquele show de mágica, misturado com roubo a banco, naufraga na paciência dos que cobram um minimo de coerência. Personagens caricatos, romances óbvios desde a primeira cena, e a transposição do mundo dos ilusionistas para o mundo do cinema, que deixa tudo mais fácil.

oblivionOblivion (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os projetos megalomaníacos onde Tom Cruise se mete, a inexplicável obsessão dos diretores por terem Olga Kurylenko no elenco, e a eterna sensação de ter assistido esse filme, milhares de vezes, só mudando a roupagem. A soma desses fatores lança Oblivion no mar daqueles filmes que sobrevivem sob o alicerce do universo dos efeitos especiais.

O sci-fi dirigido por Joseph Kosinski traz ao mundo do cinema uma nova série de naves e armas fantásticas, que facilmente fazem inveja à criançada, e ao nicho ficionado (aquele “helicoptero” do futuro é de deixar qualquer um louco). Porque não passa de uma colagem de várias histórias num corpo bem produzido. Salvar o mundo, sempre o tema de Hollywood, se o futuro guardasse metade do que esses roteiristas esperam, estávamos perdidos.

The Dark Knight Rises (2012 – EUA) 

Nada na carreira de Christopher Nolan se compara, em grau de grandiosidade, com este terceiro capítulo da saga de Batman (dizem ser o último, mas ficaram tantas questões e possibilidades abertas que fica difícil acreditar que seja mesmo o fim). O tom é de definição, de eloquência, tudo é faraônico. A história recomeça oito anos após o filme anterior, Gotham City (imagino eu nunca foi tão assumidamente NY) se tornou uma cidade pacífica, Batman desapareceu (até por falta de necessidade), o ricaço Bruce Wayne vive recluso.

Intrigas político-economicas e um vilão bombado, Bane (Tom Hardy), são as armas de Nolan para retomar o caos em Gotham. Mas como disse, dessa vez a gradiosidade é ilimitável, guerra civil e explosões por cada canto da cidade são apenas algumas das artimanhas poderosas do filme. A verdade é que o filme tenta não perder o folego, nesse quesito o som (e a trilha) são fatais, criando situações-climax a torto e a direito (principalmente nas revelações finais). Parte do público nem se contém, tamanha vibração.

Ainda há espaço para a sensualidade com Anne Hathaway numa irresistível mulher-gato (por mais que nunca seja batizada assim), e também para sequencias dramáticas exageradas, carregadas, realmente fracas (e nisso, a comparação com o Coringa de Ledger torna ainda mais sofrível tais cenas. Marion Cotilard e Tom Hardy, coitados). O desfecho parecia perfeito, Nolan estava prestes a fazer um golaço, mas peca um pouco depois da explosão-crucial, cria história onde não precisaríamos e perde a oportunidade de fechar com coragem essa trilogia.

Um filme de super-herói que pretende ser “humano”, fora das possibilidades tecnológicas, que deseja acreditar em superação, em insistir no sombrio e apostar na moralidade, Nolan vai muito bem quando enlouquece com cenas de ação impressionantes, e se enrola nos meandros da história.

The Dark Knight (2008 – EUA) 

Christopher Nolan dirigiu um filme alucinante. O assalto a banco, da primeira cena, é apenas o prefácio de um filme longo, que passa num tiro. Duas horas e meia que não se dá conta que se foram, tamanha agilidade na narrativa e capacidade de entreter. O cineasta britânico esquematizou seu filme em dois alicerces: roteiro e cenas de ação. No roteiro criou uma série de acontecimentos que oferecem ramificações, não só para esse filme, como para suas continuações, explicações para as origens dos vilões, pequenas aparições de vilões anteriores, isso sem perder o foco no homem da vez: Coringa.

Contudo, Gotham está infestada de mafiosos, e surge um promotor incorruptível que pretende colocar atrás das grades os bandidões, eis a figura de Harvey Kent. No meio disso, a continuação tão frágil do caso de amor de Bruce e Rachel, dessa vez um triângulo.

Se o roteiro dá cabo de toda essa série de coisas acontecendo, as seqüencias de ação são realmente eletrizantes, porém Nolan acelera tanto que há cenas em que se torna impossível distinguir o que está acontecendo, é pancadaria deliberada sob a noite sombria de Gotham. Aliada a canastrice cada vez mais exagerada de Christian Bale, temos um terreno completamente livre para Heath Ledger brilhar, e como brilha. Seu Coringa é um debochado, um genioso e astuto ladrão, daqueles que nunca tem nada a perder, e suas idéias infalíveis parecem vindas dos HQ, e dos desenhos infantis que marcaram minha infância. A lentidão no modo de falar, as expressões, Ledger barbarizou. A cena do interrogatório, desde já antológica, coloca todas as cenas de ação no bolso (isso sem falar nele vestido de enfermeira).

Há ainda duas discussões que Nolan teima incessantemente, uma é a discussão do herói, a necessidade da população em ter figuras cristalinas para focar suas esperanças, e essa lenga-lenga cansa. Outro ponto são as bombas colocadas em dois navios que tenta coloca um alento na discussão da alma humana, o egoísmo, e tantos outros valores que, num momento tão “delicado”, como aquele, são colocados a prova de maneira tão leviana, e com um resultado tão clichê.

A verdade é que O Cavaleiro das Trevas é uma epopéia épica inesquecível, um exemplo típico da magnitude que seu cineasta vem tomando, mas cuja interpretação de Ledger torna-se algo tão indescritível e atordoante, que mesmo seus tons exagerados são engolidos pela capacidade de criar sequencias de um exímio apuro técnico.

Batman Begins (2005 – EUA) 

Christopher Nolan reinicia a saga de Batman no cinema, pautando a história sob o medo, conduzindo o super-herói pelo processo de desmistificação de seus pesadelos. A lenga-lenga (para alguns) do início, que compreende a morte dos pais e a fase em que Bruce Wayne aprende artes marciais, e principalmente o processo de autoconhecimento, por mais bem colocada no contexto, chega a ser aborrecedora. Muito da culpa é do próprio Christian Bale, e sua face de canastrão. O rapaz equilibra-se entre o preciso e o não convincente, além de algumas das razões de seu personagem serem inconsistentes. Outra opção de Nolan foi a descentralização do vilão, temos três em níveis diferentes, o Espantalho, que deveria ser o principal, perde terreno para o carismático personagem de Liam Neeson, e por mais aterrorizante que possa parecer deixa o embate derradeiro para o líder da Liga das Sombras na cena do metrô.

A preocupação em rechear o filme com coadjuvantes de luxo tem acertos e exageros, Ken Watanabe entra apenas com seu nome, enquanto Michael Caine esbanja desenvoltura, e um típico humor britânico impagável (que não funciona com outros atores). Katie Holmes é um poço de graciosidade, porém em momento algum o romance com Wayne decola (não por culpa da moça). São essas pequenas coisas que diminuem o impacto do filme que promete reiniciar com sucesso a história cinematográfica do homem-morcego.

No quesito ação, não há nada a se queixar de Nolan. O diretor oferece esse lado extremamente humano de Batman, essa ausência de superpoderes que é substituída por armas mirabolantes, tornando assim o personagem mais próximo do público, quase algo crível. O batmóvel aparece para arrepiar os fãs, com um estilo bem diferente daquele usual, quase um tanque de guerra. As lutas têm cortes bruscos demais, mesmo assim funcionam com precisão milimétrica na arte de entreter. Nolan se notabilizar por ums dos maiores criadoes de entretenimento do cinema atual. O clima dark de toda a narrativa oferece aos morcegos função  chave para o surgimento de Batman, mas pode representar o tom dessa criação autoral de Nolan.

Menina de Ouro

Publicado: fevereiro 14, 2005 em Cinema
Tags:, , ,

meninadeouroMillion Dollar Baby (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Comentar sobre Menina de Ouro é de um perigo traiçoeiro. Qualquer informação pode dar pistas que estragarão o impacto das cenas, a surpresa é essencial. O filme boxeia com o público o tempo todo. Em seu início, aplica alguns jabs e outros golpes duros, depois lentamente insiste em socos na altura do fígado tentando minar a resistência, até partir, nos momentos finais, na busca do definitivo nocaute. É uma metáfora clichê, afinal a trama se cerca do mundo do boxe, mas Clint Eastwood não deixa de transformar a narrativa num grande ringue.

A nova fase na carreira do cineasta vem marcada por personagens humanos, cercados por dores incuráveis e feridas não-cicatrizáveis. A morte, ou o medo dela, são temas constantes. No filme, o treinador de boxe (Frankie Dunn – o próprio Clint) insiste que o primordial é proteger-se, mas fala isso de maneira genérica, não se refere exclusivamente aos ringues. Ele pede a seus pupilos que se protejam como quem diz: “sejam espertos, estejam sempre de olhos abertos”.

Dunn vive amargurado, há muito não se relaciona com a filha, carrega a culpa nas visitas diárias à Igreja. Questionar dogmas e crenças traz alívio momentâneo, apenas momentâneo. Scrap (Morgan Freeman) é o fio narrativo da história, o boxeador aposentado que auxilia Dunn na academia é mais que um colega. Por conhecê-lo tão bem é o único que consegue manter diálogos de cunho pessoal, que sabe falar as coisas na hora certa.

Maggie (Hilary Swank) trabalha como garçonete, pretende ajudar a família no interior, mas passa fome. Dona de uma boa pegada de esquerda e de uma garra muito maior que o seu franzino físico, ela sonha com sucesso no boxe, seu objetivo é ser treinada por Dunn e a teimosia é sua arma para convencê-lo.

Mais do que um filme sobre boxe, Menina de Ouro constitui uma competente trama sobre a amizade sob qualquer condição. Até que grau a afetividade e a cumplicidade podem ser atingidas num relacionamento. Clint está novamente adaptando um livro (neste caso foi em um dos contos de Rope Burns: Stories from the Cornier de F. X. Toole), mas nota-se algo de autoral em cada movimento, em cada ponto do drama denso, duro até o extremo.

A fotografia acinzentada, a trilha sonora (composto pelo diretor) que acentua os momentos mais dolorosos, as atuações impecáveis, realmente impecáveis. Menina de Ouro é de tirar a respiração. Clint sabe disso, e para criar ênfase, coloca uma câmera lenta aqui, tira uma lágrima ali, até exagera um pouquinho em alguns momento – como no desnecessário e ridículo personagem Danger. Mas, nada que diminua o poder de sua obra, tanto pelo prisma dramático, quanto a crítica à sociedade americana. O filme é de uma nota só, segue o mesmo ritmo, o mesmo batimento cardíaco e desmonta o público em seu final.