Posts com Tag ‘Naomi Watts’

umsantovizinhoSt. Vincent (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Praticamente uma nova versão de Um Grande Garoto com o humor típico de Bill Murray, no lugar de Hugh Grant, e a pegada pop de Nick Hornby trocada pela canastrice do personagem politicamente incorreto e canastrão. Não há espaço para Melissa McCarthy, muito menos para a afetada interpretação de Naomi Watts, como uma protituta interiorana. Só há Bill Murray, interpretando o que Murray faz há muitos anos. O diretor Theodore Melfi não vai além do estigma da comédia dramática do loser antipático, que, no fundo, se descobre de um grande coração.

birdmanBirdman: or (The Unexpected Virtue of Ignorance) (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Exagero, extravagância, eloquência. Não faltam adjetivos capazes de rotular o novo filme de Alejandro González Iñarritu. O cineasta mexicano, que explorou o recurso das histórias que se entrecruzam até esgotar a paciência do público, vem agora, com o ego nas alturas, discutir a inesperada virtude da ignorância. O ator (Michael Keaton) que tenta na Broadway a redenção após o estigmar de ser o herói dos cinema (Birdman) é prato cheio para Iñarritu preencher com histerismo os bastidores de uma peça prestes a estrear.

O ego de Iñarritu começa pelo falso único plano-sequencia, a qual o filme ser apresenta. Personagens berrando o tempo todo, os nervos à flor da pele, é tudo capturado pelo exagero de discursos agressivos, e pela petulância de quem tenta resumir os males do mundo em meia-dúzia de personagens caricatos. É o cinema da demasia, da loucura calculada na pretensão de um estudo psicológico humano, que não vai além da arrogância da sátira do absurdo.

Diana

Publicado: novembro 11, 2013 em Cinema
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dianaDiana (2013 – RU) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Vamos combinar que não valeu, daqui alguns anos podem filmar outra cinebiografia para esquercemos esse trabalho completamente vazio e esquecível de Oliver Hirschbiegel. A história dos últimos dois anos de vida de Lady Di (Naomi Watts) se tornou uma drama romântico chato, capaz de tornar a mulher mais famosa do mundo numa adolescente romântica (só faltou ler Capricho antes de sair de casa). Estão lá o cirurgião paquistanês Hasnat Khan (Naveen Andrews) e o ricaço egípcio Dodi Al-Fayed (Cas Anvar), os paparazzi, e o roteiro pode até ter seguido a história de forma fiel, mas o retrato final é ridiculamente fútil. Não passa de um apanhado de cenas de choramingos e amor correspondido, porém “impossível” de ser vivido, aquela cara de telefilme feito nas coxas. Não basta um penteado para se fazer um filme.

oimpossivelLo Imposible (2011 – ESP)

Juan Antonio Bayona incorpora leves toques da atmosfera de filmes de terror (seu anterior foi o ótimo O Orfanato), nesse dramático filme-catástrofe baseado no recente Tsunami (2004) que devastou a Indonésia. Surpreende o realismo com que as ondas, corpos e objetos (incluindo veículos) são levados pela água, de uma veracidade absurda que incomoda, que te leva para bem perto do horror.

A ótica será de um casal de europeus (Naomi Watts e Ewan McGregor) passando férias com os três filhos, a água leva tudo, separa a família que, obviamente, se desespera, e se divide entre a sobrevivência de cada um, e encontrar os demais. Espero cenas de melodrama, espere reencontros, tristezas, drama, sofrimento, fora sangue e hematomas. Bayona não foge do esperado, insere esse clima de terror, mas faz um filme enxuto, realista, e cheio de emoção. Só de relembrar os fatos, os pobres locais e os turistas de sunga, completando devorados pela violência da natureza, traz um milésimo da sensação de enfrentar tudo aquilo.

J Edgar

Publicado: fevereiro 16, 2012 em Uncategorized
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J Edgar (2011 – EUA)

Clint Eastwood é um cineasta sóbrio e quadradão, sua cinematografia foi formada com coerência numa série de personagens e histórias que apontam um EUA de pequenos ou grandes heróis (sejam eles justiceiros ou não). E nesse quadro, traçar a biografia de J. Edgar Hoover, o mentor e homem forte por trás do FBI por 48 anos. Se há algo realmente de muito bom é a demonstração de envelhecimento de um personagem, quando jovem um idealista, visionário, que praticamente inventou os métodos de investigação, sempre focando no científico. Quando mais velho, tornando-se um perseguidor de congressistas e de “comunistas” negros como Martin Luther King e sua turma.

J Edgar (Leonardo DiCaprio) decide narrar sua biografia, mote para o filme trazer os flashback’s dessa vida que se mistura a alguns dos criminosos mais famosos dos EUA. A narrativa é equilibrada, os motimentos de câmera parecem desvendar cada cena. Ainda assim, mesmo com o discreto apelo homossexual, o filme peca por um excessivo tom sereno e um exagero melodramático em sua parte final. A coisa é excessivamente mecanica, o tom muito formal e solene, e falta emoção. Qual a necessidade de Naomi Watts num papel insignificante e da maquiagem carregada para envelhecer os atores quando poderiam ter sido utilizados outros de idade adequada.

You Will Meet A Tall Dark Stranger (2010 – EUA)

A rede de personagens e complexidades que Woody Allen consegue emaranhar em seus filmes chega a ser absurda de tão bem tramada, é verdade que alguns de seus filmes travam nessa mesma capacidade de criar complexidade e riqueza de características, já em outros a trama flui deliciosamente. Aqui temos um homem mais velho que trocou o casamento por uma vida de luxo e prazer (aquela que ele gostaria de ter aos 30, e eu, honestamente não tenho), a esposa trocada apega-se às visões de uma cartomante enquanto sua filha trabalha numa galeria de arte e vive um casamento desgastado com um escritor fracassado, de um único sucesso. O escritor vai se apaixonar pela mulher na janela, a esposa pelo chefe galanteador, e os encontros e desencontros amorosos seguem na temperatura Woody Allen, sempre regados a diálogos enrustidos de verdade homéricas, enquanto certa dureza em algumas interpretações (além desse requinte do texto) não permite doses exageradas de emoções. Entre o que há de mais introspectivo e as explosões raivosas, temos uma nova comédia desse homem que sabe brincar com seu público, que sabe conduzir um diálogo, e sabe mexer em alguns temas relacionado às relações humanas (a filha explodindo quando decepcionado por uma escolha da mãe, ou o olhar do escritor admirado pela bela moça loira na janela, são coisas admiráveis). E não se engane pelo título em português, que mal traduzido além de perder a piada contida no filme, assim faz referência a uma comédia romântico estilo Drew Barrymore.