Posts com Tag ‘Natalie Portman’

Song to Song (2017 – EUA) 

Atualmente, é possível observar que A Árvore da Vida era o prenuncio da nova fase da carreira de Terrence Malick. Fase esta que testa a paciência de seus fãs, e pouco se esforça em angariar novos. Os três filmes a seguir (Amor Pleno, Cavaleiro de Copas e este novo) quase formam uma obra única, fechada nesse cinema sensorial, de narração em off com frases edificantes, enquanto a câmera baila por enquadramentos que buscam a intimidade máxima e elegante de corpos que se encontram ou que refletem o vazio.

Amor Pleno tinha o triângulo amoroso e a dor, já o Cavaleiro de Copas é ainda mais próximo que esse novo filme, ali um escritor (Christian Bale) vivia de festas luxuosas, sexo farto e grandes vazios. Malick mergulha seus personagens em Austin, o berço da cultura indie americana. Todos os personagens ligados a festival de rock, formando dois triângulos amorosos. Mesmo com a tendência de explorar a classe artística, não se nota em Malick a preocupação sua critica sobre o vazio existencial, a vida de luxos e luxúrias. Não, Malick parece mesmo sensibilizado pelo amor, pelas relações pessoais vindas do amor e do sexo. Além da separação, a dor, a reconciliação, o desprezo e a dependência. E seus filmes flutuam, sempre com as narrações em off que traduzem sentimentos, enquanto tentam ensinar (elucidar) ao público. Em todo esse contexto, surgem algumas cenas lindas, mas não deixa de ser um cinema cansado e circular.

todosdizemeuteamoEveryone Says I Love You (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Visto atualmente ele parece mais que um típico filme de Woody Allen, e sim um típico e atual filme do cineasta. Afinal, além do tom positivo, ele é filmado entre NYC, Paris e Veneza, quase um precursor dessa fase mais turista do diretor.

As inserções musicais, o humor padrão, o universo enorme de personagens e atores consagrados, as manias do personagem de sempre interpretado por Allen, está tudo ali. A trama principal sobre um romance nascido de uma falsa relação (o cara pega as dicas das lamentações da mulher na psicóloga e se mostra como o “homem dos sonhos”), divide muito espaço com os outros casais que se amam, se separam, vivem suas vidas de emoções. É Allen doce com o amor, vendo no brega a beleza, acreditando que nas aventuras que se tem certeza do amor.

Estreia amanhã nos cinemas!

No Strings Attached (2011 – EUA)

Comédias românticas têm aquela função específica, deixar os românticos alegrinhos e esperançosos que o romance em que vivem ou vão viver um dia tenha aqueles mesmos ingredientes que a tela está exibindo. Não que se espere as reviravoltas, mas as declarações românticas com platéia sim, e aquele amor exibido no brilho dos olhos. A partir daí, não importa a roupagem que será dada, não importa se pesa mais para o humor leve ou para aquele boboca, não importa a profissão ou onde vivem, não precisa nem ser crível, precisa te pegar pelo estômago. E o filme de Ivan Reitman agrada, sim, ele acerta nessa capacidade de fazer o público torcer pelo casal, e esse é o segredo do sucesso.

Temos aqui a médica que foge de relacionamentos (Natalie Portman a cada dia mais e mais linda), e o garotão (Ashton Kutcher, naquele mesmo papel simpático e cativamente de sempre) que acredita no amor e busca uma namorada para o resto da vida. Eles combinam de viver só de sexo sem compromisso, é óbvio que você já sabe onde isso vai parar, e entre os clichês do gênero e algumas pequenas decisões acertadas, o filme transcorre leve, divertido e com boa dose de paixão. Exageros no tom em algumas cenas (e principalmente em alguns personagens) nos fazem lembrar que essa é só mais uma história de amor para o cinema, que está ali para agradar seu público, se bem que por um momento ou outro você também gostaria de acordar abraçadinho, mesmo que de roupa.

Black Swan (2010 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O mundo do balé não é composto só de flores, dança, coreografias expressivas e boa dose de graça e sutileza. Por trás das apresentações encantadoras há jogos de ego intermináveis, muito suor e dor, superação. Não, Darren Aronofsky não traz um melodrama de uma bailarina tentando se superar, seu filme vai muito além disso. Ele flerta com os bastidores, as disputas internas. Dá uma esnobada na sutileza em prol de uma violenta invasão de privacidade Com o foco em Nina (Natalie Portman), o cineasta ganha armas para ousar, e aprofundar-se numa personagem meiga, doce. Garota inocente, educada com mão de ferro da mãe (ex-bailarina).

Uma nova adaptação de O Lago dos Cisnes, o novo diretor  (Vincent Cassel) a considera perfeita para o Cisne Branco (com sua doçura, ternura, leveza), mas totalmente incapaz de assumir a sensualidade e poder controlador do Cisne Negro. Sem dúvida, um filme sobre sexualidade, sobre libertação, Nina luta por uma transformação fundamental. Tenta, de todas as formas, se livrar de uma adolescência tardia, que a mãe a enjaulou. Pouco a pouco se entrega ao personagem, num misto de libertação sexual e paranoia, que a tira da realidade, aflorarando seu lado mais agressivo e autodestrutivo. É como se o Cisne Negro tomasse sua alma lentamente, Aronofsky flerta até com o horror, enquanto Portman brilha nessa mistura antagônica de filhinha da mamãe, e o mundo das artes, com toda a inveja, e poder de dominação, que as estrelas que transbordam sex appeal impõem.

O drama torna-se claustrofóbico, as tintas escuras tomam conta da tela, enquanto essa transformação de personalidade nos salta aos olhos, nos fazendo mergulhar num mundo de luxúria, de relações promíscuas, e de rara beleza nas formidáveis apresentações performáticas dos bailarinos.

starwars_epsisode3Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda que meio torto, por “n” motivos, nada tira o mérito de encerrar com dignidade, a mais bem sucedida saga cinematográfica de Hollywood. George Lucas usou como desculpa a tecnologia precária à época (anos 70) para filmar a história do meio para o fim, e só duas décadas depois, retomar ao início a saga. A estratégia não cronológica rendeu um dos maiores segredos do cinema, finalmente revelados: a origem de Darth Vader, Luke Skywalker e Princesa Leia. Com esse artifício, Lucas cultivou segredos, construiu a imagem de seu temível vilão, e levou Star Wars a esse fenômeno avassalador.

As seqüências de ação não nos deixam respirar. Os poucos momentos de descanso ao público são nas cenas, a sós, entre Anakin (Hayden Christensen) e Amidala (Natalie Portman). De resto são lutas nos mais longínquos planetas, batalhas espaciais e duelos com sabre de luz com os mais diversos participantes. Adrenalina pura. Todo o foco voltado na transformação de Anakin em Darth Vader. Se na interpretação, até consegue ser convincente, os motivos não chegam ao indiscutível. O desejo de poder colabora, mas Lucas escolheu o amor como forma de levar o jovem Jedi ao lado negro da força, simples e eficaz. Encontrar pequenos defeitos não é tarefa das mais difíceis, o desenvolvimento comprometido de Amidala, a pressa atropelante em fechar algumas arestas, a forçada de barra em algumas cenas, são inúmeros casos.

Enquanto Obi-Wan (Ewan McGregor) e Darth Vader duelam num planeta imerso em lava vulcânica, Yoda enfrenta Lorde Sidious numa batalha eletrizante, eram momentos como esses que os fãs da saga esperavam ansiosamente, nada daquela coisa mecânica de lutas coreografadas. George Lucas, enfim, resgatou um pouco do espírito dos filmes anteriores, o romantismo dos combates, a emoção dos confrontos entre espaçonaves, os duelos esgrimistas “com a faca entre os dentes”, e importânicia da disputa política e a sedução pelo poder.

Ao final, toda a história passa rapidamente pela cabeça, os seis episódios formam um compêndio altamente apaixonante. Ver a máscara preta sendo usada pela primeira vez causa emoção. Darth Vader talvez seja o grande vilão do cinema, comovido pelo amor, pela relação familiar, e ainda assim tão temível a ponto de descartar qualquer um.

starwars_episode2Star Wars: Episode II – Attack of the Clones (2002 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E a saga intergaláctica continua. Dez anos se passaram, o jedi Obi-Wan (Ewan McGregor) é o mestre responsável pelo aprendiz Anakin Skywalker (Hayden Christensen), Padmé Amidala (Natalie Portman) agora é senadora da República. No enredo político, intrigas, exércitos secretos de clones e uma forte movimentação separatista contra a República dão a tônica que desemboca em Amidala sofrendo constantes atentados, ao ponto de Anakin e Obi-Wan serem designados a protegê-la.

Aparentemente o diretor George Lucas não tem a menor preocupação com o lado dramaturgico de seu filme, impressão é de tamanho fascinio pelo apuro técnico. Com isso, as cenas transcorrem mal elaboradas, preguiçosamente filmadas, como se Lucas quisesse chegar rapidamente ao que interessa.

O lado romântico lembra as novelas brasileiras, são cenas de planos curtos, falas rápidas e finalização apressada, completamente ausentes de emoção. Não que os atores sejam muito culpados, Hayden Christensen bem que tenta alternar doçura e maquiavelismo, Natalie Portman é uma menina de talento. Só que Lucas filma suas cenas, que não são poucas, como filma os embates com sabres de luz.

E o filme insiste, Anakin vai atrás da mãe, o roteiro tenta explicar o comportamento que será firmado no derradeiro filme, porém, de tão mal acabadas, as seqüências não causam espanto, fúria, não causam nada. E pior ainda, os momentos que deveriam ser empolgantes, com os grandes embates, estão escondidos pela pomposa utilização dos recursos técnicos. Sequencias coreografadas e pouco apaixonantes, ficou fácil matar um jedi.

Quase no final do filme aparece alguma luz acalentadora, Yoda demonstra sua agilidade com o sabre de luz, finalmente o esperado momento glorioso aparece. Talvez falte ao filme humor, Jar Jar é mero coadjuvante, os robôs pouco espaço têm. São esses detalhes que fizeram da saga, algo fora dos padrões, se tornando a maior franquia do cinema. A dúvida entre ser Jedi, e se apaixonar. Os sonhos que perturbam a cabeça de Anakin. A tristeza pelos ocorridos com a mãe são pouco até aqui para Darth Vader. Os dois primeiros episódios dessa nova trilogia não fazem jus à saga.

pertodemaisCloser (2004 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

De um lado duas norte-americanas, de outro, dois ingleses, o palco é Londres. Paixões, infidelidades, jogos sexuais. Um tal de idas e vindas, trocas e re-trocas de casais, ao longo do tempo. Discutir relacionamento, expor desejos sem recriminação, saber detalhes sórdidos das relações, notar o momento em que o amor é pulverizado como pó. Sem contemporizar nesse jogo do amor, todos partem com o coração aberto despreparados para perder, as palavras variando entre o sincero e o dissimulado, porém sempre prontos para contra-atacar fulminantemente.

Em seu filme de estréia (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?) Mike Nichols conduziu com primor os diálogos interpretados com maestria por Richard Burton e Elizabeth Taylor, diálogos que possuíam uma acidez vibrante, cada qual buscava desestabilizar moral-psicologicamente ao outro numa disputa torturante. Perto Demais sonha em alcançar algo parecido, é também adaptação de uma peça teatral e onde o filme anterior mais possuía méritos é que este peca vertiginosamente. Os diálogos mais parecem jograis ensaiados onde cada personagem tem na ponta da língua a resposta sem raciocinar muito. Numa falsa honestidade atingem um ao outro de maneira leviana, expondo sentimentos, e abusando de detalhamentos sexuais. Essa artificialidade passional quebra a credibilidade das palavras proferidas por cada personagem.

O filme é basicamente falado, e pouco sentido (emocionalmente), detalhes minuciosos dos casos extraconjugais são narrados pelos próprios amantes, nunca assistimos a estes momentos, o filme prefere que seus personagens narrem fatos causando a torturante sensação da imaginação. Imaginação essa desnecessária, já que de tão detalhados, pouco se tem a imaginar sobre cada momento. E a dor do traído, o possível arrependimento do traidor? Nada disso merece cuidado, talvez pelas preguiçosas e nada contundentes interpretações de Julia Roberts e Jude Law, talvez pela excessiva carga de personalidade dissimulada no quarteto. Se bem que Law consegue criar um lado de seu personagem, um tanto maquiavélico, mas ele não sabe amar em cena, a maior parte de suas aparições parecem comida de doente, sem sal.

Há cenas entre Natalie Portman e Clive Owen mais atrativas. Toda a seqüência no clube é vivida com efervescência, jorrando sensualidade por parte de Portman e libido por parte de Owen. O trabalho de câmera, o sincronismo entre os atores, nem parece o mesmo filme em que desfila a outra dupla superstar. Clive Owen é bruto, correto na excessiva carga rude de ser, Natalie Portman não só rouba o filme como convence sua vítima a não requerer o que foi roubado, espetacular dos pés a cabeça, do início ao filme, vai de frágil a fatal chegando ao vil sem a menor força.