Posts com Tag ‘Nathalie Baye’

eapenasofimdomundoJuste La Fin Du Monde / It’s Only the end of the World (2016 – CAN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quanto falta para Xavier Dolan deixar de ser histérico? Não fosse isso, seu novo filme poderia ser bem mais interessante, mas o histerismo é mais forte do que o ainda jovem diretor. Lá está ele com novos diálogos à flor da pele, planos bem fechados nos atores, e cortes e mais cortes com conotação de grande intensidade. Fica tudo a ponto de explodir, mas diferente de um Segredos e Mentiras, são apenas todas as cenas assim, apenas todas, e desse excesso histérico que o que há de melhor escapa-lhe pelas mãos.

Louis-Jean (Gaspard Ulliel) vem visitar sua família, após doze anos só por cartas. A visita não é à toa, ele é um doente terminal, e vem contar seu drama à família. Lá encontra todos amargurados pela distância, em discussões intermináveis e recorrentes, que nada resolvem e muito machucam. Com mais sensibilidade, esse encontro de Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard e Léa Seydoux poderia ser um filme não menos que inesquecível. Acabou sendo apenas estridente aos ouvidos.

faceVisage (2009 – FRA/TAW) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um diretor de cinema taiuanes (Lee Kang-Sheng) vai a Paris filmar, no Louvre, sobre o mito de Salomé. Falar que ele tem problemas de comunicação por não falar inglês/francês, que sua mãe morre durante as filmagens, ou que o ator protagonista é de um temperamento indomável (Jean-Pierre Léaud) é uma forma de tentar resumir a sinopse. Eu sei que acabei de fazer isso, mas é extremamente desnecessário.

Isso porque Tsai Ming-Liang segue com seu estilo narrativo (posionamento de câmeras em ângulo, a água que inunda um apartamento, inserções musicais, o sexo como forma de desejo primitivo), mas, dessa vez, num nível ainda mais elevado do abstrato. Um conjunto de cenas que seguem uma ordem lógica, mesmo que pareçam não se esforçar no contar uma história. Trata-se de seu maior trabalho de percepção, um encontro com o mundo das artes, um flerte com a cultura europeia (um quê de Truffaut aqui e ali).