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Rio, 40 Graus (1955 – BRA) 

O cinema nacional brasileiro em sua melhor forma. Naquele que é considerado o primeiro filme independente nacional, Nelson Pereira dos Santos retrata o povo carioca em suas mais genuínas formas. Dos garotos que vivem na favela e vivem entre a vontade de jogar pelada e a necessidade de pedir esmola, passando por toda a marginalidade à sua volta, até o sonho do trabalhador de casar e ter filhos, uma casa decente. A gravidez antes do casamento e todo o tabu em sociedade.

E o futebol, ah o futebol, o ópio das massas, aquele que unifica o roteiro com o desenrolar dos interesses escusos de empresários para que seus pupilos sejam escalados e assim rendam frutos. Enquanto isso, o povo carioca na arquibancada, discute, grita, se diverte com o esporte das massas, enfrentando o calor da Cidade Maravilhosa e toda a malandragem impregnada em seus cidadãos.


vidassecasVidas Secas
(1963) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Nelson Pereira dos Santos adaptando o clássico livro de Graciliano Ramos. A história de Fabiano (Átila Iório) e sua família se passa na década de 40, ainda poderia ser hoje. A saga dessa família de retirantes pelo nordeste, esfregando na cara do público a miséria, a fome, a exploração humana. O livro é perturbador, do desespero da família à cachorra Baleia, são páginas e mais páginas dilacerantes. O filme de Nelson Pereira dos Santos não fica muito atrás, recriando a aridez do terreno, da vida, e do trato dessa família com o patrão, a polícia ou agentes do governo. Tudo é exploração, tudo recai sobre a miséria dos miseráveis.

Talvez seja o filme que mais aproxima o Neo-Realismo italiano do Cinema Novo (a qual o diretor seria figura destacada), sempre num misto de candura e ingenuidade, versus a aspereza da vida. A seca, e a vontade de, ao menos, dormir numa cama “de gente”. Sempre filmado nessa sensação de urgência (principalmente na montagem) tornando ainda mais aflitiva cada uma das cenas dramáticas, Vidas Secas toca fundo na consciência de qualquer um, enquanto aquela gente segue caminhando rumo a um futuro que não deverá ser nada diferente.

A Música Segundo Tom Jobim (2012)

Nelson Pereira dos Santos fez o fácil, não inventou moda. A música não fala por si só? A carreira de um grande artista não representa melhor homenagem e resumo de sua obra? Se sim, vamos eliminar os depoimentos, as entrevistas, as declarações inflamadas de emoção. Vamos ficar apenas com Tom Jobim, sua música, seu sucesso, os grandes feitos e encontros.

O documentário é feito de colagens, são grandes interpretes (de Gal Costa a Frank Sinatra ou Sarah Vaughan), com o próprio Tom ou não, cantando suas canções em shows, especiais para tv, videoclips e etc. Vinicius, Elis Regina, as vezes algumas fotos, e você vagando por esse conjunto capaz de resumir e homenagear esse monstro sagrado da música brasileira. A inicial genialidade da ideia perde sua força, jamais seu encanto, afinal estamos falando de musica, por Tom Jobim.