Posts com Tag ‘Nicholas Hoult’

quandoteconheciEquals (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Romances futuristas são um tema que vem sido explorado em alguns filmes, mas os resultados são bastante questionáveis. A Ilha ou Não Me Deixe Jamais, e até mesmo um dos episódios da série Black Mirror, são alguns desses exemplos recentes, que naufragaram na tentativa de enxergar um futuro em que a humanidade viveria ludibriada por seus líderes, vivendo a vida entre ser um robô e gado. E em todos estes filmes, o amor é colocado como objeto da discórdia, da não-aceitação.

Foi a vez de Drake Doremus se aventurar, após o sucesso indie Like Crazy, que o colocou em destaque. E, tal qual os demais trabalhos do subgênero, seu filme peca pela excessiva preocupação com a frieza mecânica, em explicar apenas os mecanismos da nova sobrevivência social. São todos roteiros diferentes, mas quase filmes irmãos, como se houvesse uma convenção desse subgênero com regras claras e bem estipuladas (tons brancos por todos os lados, diálogos sem emoção, a revolta sentimental). Silas (Nicholas Hoult) e Nia (Kristen Stewart) são o casal às escondidas, que colocam em xeque o establishment para lutar pela sobrevivência de seus sentimentos. Quase sempre são filmes com final amargo, mas mesmo que eles tenham finais felizes, estão sempre presos dentro de uma estrutura que camufla qualquer assinatura autoral, gélidos como seus filmes-irmãos.

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madmaxfuriaemtodasMad Max: Fury Road (2015 – AUS/EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Tom Hardy não demonstra a mesma figura marcante de Mel Gibson, ao reviver Max, esse sobrevivente-vingador das estradas da saga. Eeis que surge Charlize Theron como a verdadeira personagem forte da trama. Uma presença mais forte de Hardy faz falta: suas poucas falas e muitos resmungos o transformam em um mero distribuidor de chutes e pontapés. Assim, sobre espaço para a heroína Furiosa (Theron) roubar-lhe o carisma, o protagonismo, o filme.

Dito isso, o novo Mad Max é estupendo e insano. Nessa época de enxurrada de franquias retomadas, em que os novos filmes tem perdido, de goleada, aos anteriores, George Miller retoma o mundo pós-apocalíptico de Mad Max com a mesma fúria, e mais recursos tecnológicos capazes de oferecer um dos filmes mais alucinante do cinema. A trama se aproveita da mesma configuração de mundo um desolador. Água e combustível são os verdadeiros ouros da sobrevivência. Plantas e verduras beiram a extinção. Praticamente um reboot do segundo filme, mas com elementos que sugerem uma unificação entre este segundo e o terceiro (a fuga do grupo contando com a ajuda de Max para escapar da gangue, a cidadela sob controle ditatorial).

Depois de uns vinte minutos alucinantes, onde a narração em off evoca o passado de Max e explica a sociedade capitaneada pelo extravagante e regupgnante Immortan Joe (Hugh Keayes-Barney) e seus vivos-mortos, temos um breve fade-out (primeira chance do público respirar) e começa a caçada alucinante pelo caminhão dirigido pela Imperatriz Furiosa.

Olhos grudados na tela, a ação só para no pequeno alívio cômico no melhor estilo Victoria’s Secret. Aliás, vale mencionar como o cineasta desenvolve tão bem alguns personagens, mesmo no meio de tanta adrenalina e ritmo acelerado. As parteiras, o passado de Furiosa, Nux (Nicholas Hoult) representando os mortos-vivos, e até mesmo relações românticas que surgem em momentos de tanta intensidade.

George Miller prefere cenas mais realistas. Há menos efeitos especiais e mais dublês. Tudo é estiloso: as roupas de couro e metal, a guitarra que cospe fogo, os homens amarrados em longos cabos (como numa apresentação circense). A caçada entre estradas de terra batida, as caveiras e muito, muito Rock N’Roll. Miller envolve o público nesse universo alucinatório, extrapola todas as possibilidades que a cabine daquele caminhão oferece, destrincha as máquinas enquanto trafegam no máximo de sua velocidade. É pura adrenalina e pulsação, e os enquadramentos endeusam esses “cavalos” de metal que fazem barulho e soltam fumaça.

O veterano diretor reinventa sua própria obra, como se fosse possível voltar no tempo e refazer o passado. O trailer prometia muito, a entrega do filme é ainda melhor, um dos melhores filmes de ação de todos os tempos. O cinema de autor chuta a porta e invade o mainstream.