Posts com Tag ‘Nicholas Ray’

In a Lonely Place (1950 – EUA)

Realmente se trata da história de um roteirista (Humphrey Bogart) sendo investigado pela morte de uma jovem que foi vista poucas horas antes saindo de sua casa? Não sei ao certo, vejo mais como um filme quase inclassificável, a perfeita simetria de gêneros sob os contornos do noir. Mais do que a simples transformação de um homem durão num louco apaixonado, Nicholas Ray utiliza uma habilidade vigorosa em construir a teia capaz de reter o público. São rompantes romanticos, declarações ásperas e inteligentes frente à polícia, e a criação de uma atmosfera de insegurança que não traz apenas dúvidas sobre o real assassino, como também transborda em medo e preocupação a mulher amada (Gloria Grahame).

Até o final apoteótico (sem dúvida uma das melhores e mais emocionantes sequencias finais da história do cinema) temos um trabalho em dupla de Ray-Bogart nessa construção minuciosa e poderosa de uma persona riquíssima, curiosa, explosiva, quase apocalítptica e cruel, e, ainda assim, doce e terna. Porém, acima de tudo, há uma essencia, romantic, nosso roteirista não se interessava por história alguma e de repente passa a escrever compulsivamente, de momento inspirador nasce “eu nasci quando ela me beijou, morri quando me deixou, e vivi algumas semanas enquanto ela me amou”, Ray já estava ali resumindo seu filme, o restante trata-se apenas da forma magistral com que o cineasta resolveu conduzir toda essa trama, como um calculista namorado que enche de presentes a namorada na noite de Natal, mas guarda para o momento da despedida aquele que ela nem esperava, porém mais queria. Terminamos o filme assim, atonitos, acreditando que aquele final era possível, factível, e acachapante.

Born to be Bad (1950 – EUA)

Nesse despretensioso filme por encomenda, Nicholas Ray nos delícia com uma narrativa aconchegante entre personagens milionários da alta sociedade e artistas galgando seu lugar ao sol. No fundo, o filme, trata de uma alma diabólica, uma garota interesseira (Joan Fontaine) que prefere arriscar o amor que sente pela possibilidade de casar-se com um marido rico (mesmo que este seja o namorado de sua prima e grande amiga).

As tramóias e o jogo de palavras poderia cair facilmente no inverossímel, mas Ray consegue captar a personagem e tornar factível e principalmente elevar a capacidade de persuasir. Dessa forma, o deleite com as artimanhas dessa vilã loira e encantadora dialogam sensivelmente com os filmes da época, com uma ingenuidade do cinema Americano dos anos 40-50, sem que pareça algo improvável. Na doçura do olhar está toda a capacidade de dissimilar.

Johnny Guitar

Publicado: julho 9, 2011 em Uncategorized
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Johnny Guitar (1954 – EUA)

Quase sua totalidade se passa dentro de um modesto cassino. Não é um faroeste de grandes duelos, de armas empunhadas. Ao contrário, Nicholas Ray opta pela ameaça, pelas acusações, e por aquela mania masculina de provar ser o mais forte, o melhor, ser o tal. O foco é a dona do cassino (Joan Crawford), odiada por parte da cidade (principalmente pela outra mulher forte da história, dona de uma raiva e inveja que a impulsionam), adorada pelo suposto vilão. Nesse cenário chega um forasteiro tocando violão, Johnny Guitar tem uma língua felina, o poder da ironia desnorteia os machões de arma na cintura. Além disso, há a delicadeza do amor, as explosões de sinceridade, toda a sequência varando a madrugada onde os amantes se acertam. Ray foge da realidade compulsiva, flerta com o feminismo, causa impacto com cores fortes e berrantes, e assim se diferencia do convencional, em todos os sentidos.

Juventude Transviada

Publicado: fevereiro 3, 2003 em Cinema
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juventudetransviadaRebel Without a Cause (1955 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Clássico marcante, da década de cinquenta, praticamente sinônimo da temática da dificuldade de relacionamento entre pais e filhos adolescentes. As atitudes rebeldes dos jovens confusos que não conseguem encontrar nos pais uma figura que lhes sirva de apoio, e ajude a enfrentar esta fase de transição na vida de cada um.

O adolescente Jim Stark (James Dean), personagem símbolo da juventude da época, tem causado muitos transtornos para seus pais. Na esperança de solucionar os problemas a família muda de bairro, para afastá-lo das amizades (acho que já vi esse filme atualmente). O pai é submisso, a autoritária é a esposa. Jim sempre se revolta com as atitudes do pai (típico) e as discussões em casa são freqüentes. No novo bairro, ele conhece sua vizinha Judy (Natalia Wood), que também tem suas dificuldades de relacionamento familiar, e participa da gangue da escola. A gangue não vai com a cara de Jim de cara, e o líder deles arruma briga com Jim que acaba desafiado a um perigoso racha num penhasco.

Nesse dia conturbado, Jim ainda tem tempo para fazer amizade com o estranho Platão (Sal Mineo), um garoto que vive com a empregada, já que seus pais estão sempre viajando. Ele tem diversos problemas e trata-se com um psiquiatra. Platão vê na figura de Jim um mito (não só ele, como o mundo todo), tudo o que ele gostaria de ter em seu pai.

James Dean personifica o personagem rebelde que tanto agradou a uma juventude pós Segunda Guerra Mundial. Seu charme e coragem contagiaram homens e mulheres espelho para tantos rebeldes sem causa. O roteiro simples é confuso no desenrolar da história, tudo acontece muito rápido, o que o torna artificial. Os personagens são bem criados em sua essência, os problemas em casa são autênticos e nos fazem lembrar nossas próprias casas. Mesmo tão emblemático, está longe de estar entre os melhores trabalhos do diretor Nicholas Ray. Uma das piores passagens é a garota que na mesma noite em que o namorado morre, já se engraça com outro, sem derramar uma lágrima sequer. James Dean o tornou este clássico absoluto.