Posts com Tag ‘Nicolas Cage’

Leaving Las Vegas (1995 – EUA)

O estranho casos dos solitários que se atraem, não que isso, necessariamente, possa trazer um final feliz. O diretor Mike Figgis tenta empregar sofisticação, seja pela trilha com trompete (que ele mesmo gravou), seja pela vista marcante de Las Vegas e seus cassinos. Mas, o que temos aqui é uma história de autodestruição e fragelo. De um lado o desempregado dramaturgo de Hollywood (Nicolas Cage) que se entregou à bebida, a ponto de abandonar tudo e ir beber até morrer em Las Vegas. De outro, a prostituta (Elisabeth Shue) envolvida com cafetões do leste europeu.

Um improvável romance a partir da fragilidades, afinal, um relacionamento não é só sexo, carinho, pagar as contas e eventos sociais, e sim o companheirismo, o dividir momentos, também preencher a sensação que a solidão poderia causar. Por mais que o filme de Figgis não seja desafiador, ao público, o algo diferente é a narrativa intercalada entre a cronologia e um depoimento (bem pessoal) de Sera, roteiro baseado num livro autobiográfico de John O’Brien (que se suicidou logo no início das filmagens), o desconsolo emocional pela completa desistência de lutar frente ao alcoolismo é sempre impactante: “não sei se bebo porque minha esposa me deixou, ou se ela me deixou porque bebo”.

Como muletas, os dois fragilizados se equilibram como podem, até quando a relação pode trazer mais preenchimento do vazio do que decepção. O tempo passou e o Oscar de ator vencido por Cage deixou a impressão que o filme é mais dele, o que não é verdade. Ele está sempre com um copo, ou garrafa, com as olheiras e o olhar mais e mais perdido, mas ela é quem está na roda gigante de sofrer por ele e sobreviver ao trabalho noturno. De ver uma vida escapando bem à sua frente, e pouco pode fazer além de deitar em seu ombro ou dividir um café da manha. E, sensação desse nível pode ser demolidora, além da fragilidade, a impotência.

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snowdenSnowden (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine tudo que você já sabe sobre Snowden e suas polêmicas acusações de espionagem e controle da vida particular de qualquer um, pelo governo americano. Agora, encene toda essa história com atores famosos, sem acrescentar nada, esperando que qualquer reflexão surja do material que já é tão conhecido do público. O resultado do trabalho de Oliver Stone é exatamente este. Se conhece as matérias publicadas pelo The Guardian e etc, e pior, se já viu o documentário Citizenfour, você não terá nada novo a absorver aqui.

Stone até flerta com o thriller de espionagem, mas constrói mesmo um drama político com viés romântico importante. Quer escancarar os desmandos do governo americano e suas agências de inteligência. O discurso é didático, a denuncia antiga. Aguardem a paranoia crescer em desavisados, estes irão creditar a Oliver Stone uma poderosa denuncia, não passam de desavisados lendo noticia velha.

Joseph Gordon-Lewitt vai se tornando um especialista em sotaques, percebe-se claramente a grande preocupação do ator em compor características que se assemelhem ao personagem. É um esforço justificado, afinal, todo mundo já viu parte do vídeo onde Edward Snowden faz suas denuncias. Porém, é esse pouco quando um material tão poderoso fica a mercê de uma direção tão insípida e incapaz de colocar qualquer ponto de vista particular. Incrivel como nesse universo de informações ultra-sigilosos, o que possa se descartar é a discussão entre jornalistas para que se conseguisse publicar a matéria, um jogo de bastidores e medos que poucos filmes retrataram. Stone entrega entretenimento puro e simples, faz jus à sua filmografia.

JoeJoe (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

David Gordon Green largou mão das comédias e voltou ao tom dos filmes do início de sua carreira. Sempre filmando o interior dos EUA, cidades ligadas ao mundo rural, o povo mais interiorano de famílias violentas e problemáticas. Green não pode reclamar das comparações com Terrence Malick, afinal, além de muitos pontos de congruência, ele escolhendo um ator que acabara de trabalhar com Malick (Tye Sheridan, em A Árvore da Vida) é pedir pelas comparações.

Vejo sempre como positivo um autor que tem uma marca autoral forte, e Green é dessa turma. A aridez que se mistura com a vegetação, os tipos, as roupas, essas cidades que são a raiz do povo americano, mas que estão tão distantes das grandes capitais, como New York. Green invade o íntimo dessas pessoas. Joe (Nicolas Cage) é um ex-presidiário que vive como capataz, sua missão é cuidar dos empregados que vão “envenenar” árvores para serem derrubadas, e ali plantar-se pinheiros (mais lucrativo).

No meio daquele mundo rural que ele conhece pai (Gary Poulter, um sem teto que morreu 2 meses após as filmagens) e filho (Sheridan). Um bêbado vagabundo, e o outro um garoto entusiasmado. A metáfora entre árvores e pessoas não funciona, a imprevisibilidade e explosividade de Joe também não são lá tão marcantes. Mas, é nessa irregularidade que o filme melhor se equilibra, onde se percebe seu charme. Afinal, as pessoas são tão frágeis e volúveis, e Green filma a marginalidade como rotina familiar.

Prostituição, cães, famílias fragmentadas, como se o ambiente fosse influenciado “pelo ar”. Coragem, ombridade, justiça, colocadas de lado por interesses mesquinhos e pessoais, a vaidade como lei suprema, e tantos Joe’s por ai, fazendo tanto mal a si próprios até encontrar alguém que eles finalmente acreditem que valha a pena investir valores que não sejam financeiros.

Seeking Justice (2011 – EUA)

Chamar de caça-níquel não é correto. Afinal, é possível identificar algumas razões que ligaram alguns nomes ao projeto. A estonteante January Jones, por exemplo, que trilhar carreira no cinema, e um filme de ação, com astros, é caminho mais que conhecido por loiras de Hollywood. Guy Pearce (que está muito bem) é aquele ator que teve suas chances, tem talento e não estourou, por isso, seguir para o lado dos vilões é boa oportunidade. Já Nicolas Cage, bom, esse ninguém explica, ou o cara gosta de estar em qualquer set, ou é alucinado por dinheiro e topa tudo, ou então, brinca de uni-duni-tê para escolher roteiros. Seu critério é a falta de critério.

Sob a direção de Roger Donaldson, esse thriller (que tem ritmo narrativo, temos que concordar) sai à caça de todos os clichês do gênero, aqueles bem fuleiros. A impressão é de que Donaldson acreditava ser capaz de juntar uma enormidade de coisas ruins e realizar algo bom. Não foi capaz. Excesso de foco em pequenos objetos que depois serão imprescindíveis, surpresinhas de personagens, e aquelas cenas de ação inverossímeis que ninguém mais consegue levar a sério. O pretexto até que não parecia tão ridículo, dura é sua execução, um grupo de justiceiros que faz o servicinho sujo quando você quer vingança, e depois você fica devendo uma a eles. “Coelho faminto salta”, e você quer sair correndo antes de esse filme-bomba exploda.

Olhos de Serpente

Publicado: maio 24, 2011 em Uncategorized
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Fim de uma série de 3 posts só com filmes de Brian de Palma!

Snake Eyes (1998 – EUA)

Se Brian de Palma é realmente o sucessor de Hitchcock, este talvez seja o filme de que mais dialogue com o estilo do mestre do suspense (O Homem que Sabia Demais é lembrança recorrente). Pouca importa se o herói é um policial corrupto ou certinho (Cage), ou se está ali para salvar o mundo ou apenas desvendar o mistério de um atentado a um dos representantes ao alto escalão do governo. As reviravoltas esperadas e personagens clichês ocupam boa parte da trama, além de um exagero caricato de Nicolas Cage em se fazer passar pelo policial malandrão de Atlantic City.

Esqueça tudo isso, apenas perfumaria, estamos diante de um exímio trabalho de total controle de um cineasta sob a sensação de tensão, sob o suspense que será exercido sob o público. Um show de travellings, planos-sequências de tirar o fôlego (o que abre o filme tem 8 minutos, um outro mostrando o que está acontecendo em vários quartos de hotel até chegar finalmente onde o protagonista está), Brian de Palma invade seu filme e desfila suas artimanhas cinematográficas a todos os cantos, encobrindo os problemas de seu filme com seu talento transformar em luxo o comum.

cidadedosanjosCity of Angels (1998 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O clássico alemão de Wim Wenders aterrissa em Hollywood, num remake adocicado e ultra-romântico. Foi o próprio cineasta quem assinou o roteiro, que foi dirigido por Brad Silberling. A busca por um amor puro, o amor na essência. Um sentimento tão contagiante e incontrolável, que mesmo um ser que não pode senti-lo, não consegue resistir a ele. Dentro do formato de cinema americano, com toda sua pieguice e melodrama exacerbado, o resultado atingiu em cheio muitas plateias. Dentro desse formato, chega a ser um belo filme de amor, tocante e sensível, com uma trilha sonora cheia de canções que explodiram nas rádios, colaborando ainda mais com o sucesso do filme. Silberling aproveita o auge de Meg Ryan e Nicolas Cage para abusar dos closes nos lindos olhos dos atores, buscando assina melancolia do amor transmitida através do olhar.

Seth (Cage) e Cassiel (Andre Braugher) são mensageiros (espécie de anjos), conduzem a alma dos mortos a outro plano espiritual. Eles não podem sentir nada em que tocam, e só podem ser vistos pelos humanos, se assim quiserem. Moram numa biblioteca e se encontram no nascer e no pôr do sol. Maggie Rice (Ryan) é cirurgiã, que trabalha em um hospital com seu namorado Jordan (Colm Feore). Ao ver os esforços de Maggie para salvar um paciente, Seth (que tinha ido buscá-lo) encanta-se pela moça, e percebe que ela pôde senti-lo na sala de cirurgia. Curioso ou fascinado, ele passa a persegui-la, e a manter contato. Lentamente os dois se apaixonam.

Surge Nathaniel (Dennis Franz), novo paciente de Maggie. Ele também sente a presença de Seth, e confidencia-lhe que também fora um mensageiro, mas que decidiu tornar-se humano. A ideia deixa Seth maravilhado, e lhe resta decidir entre seguir, ou não, este caminho e assim materializar esse amor que lhe consome. O final comovente nos faz pensar sobre alguns valores da vida, e conduz o público às lágrimas.

60segundosGone in Sixty Seconds (2000 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Remake de um filme homônimo de 1974. Dominic Sena dirige o filme entre muita fumaça, carros esportivos e testosterona. Uma gangue espetacular que rouba os carros, mais caros, em menos de 60 segundos, como se estivessem abrindo uma lata de sardinha. Entre tantos roubos e fugas alucinantes, uma lenga-lenga amorosa, longe de qualquer glamour que o original possa ter. O irmão (Giovanni Ribisi) do mais prolífero assaltante de carros, Memphis (Nicolas Cage), está em apuros, e a lenda convoca seu antigo time para ajudar. São 50 carros para serem roubados, numa única noite, incluindo Eleanor (cada carro ganho um apelido com nome de mulher, e esse é a pedra do sapato de Memphis). O filme vem antes de Velozes e Furiosos, que talvez seja mais honesto e competente no lidar com carros. Este 60 Segundos é só outro clichê caça-níquel dos filmes de ação.