Posts com Tag ‘Nikolaus Geyrhalter’

Homo Sapiens

Publicado: janeiro 28, 2017 em Cinema
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homosapiensHomo Sapiens (2016 – AUT) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É incrível como o ser humano tem essa enorme capacidade de abandonar. Simplesmente deixar largado o que ele próprio construiu quando interesses econômicos ou pessoais se sobrepõe a sua criação. Guerras, desastres naturais, falências, são inúmeros os motivos que explicam os locais, as quais Nikolaus Geyrhalter registra, pelo mundo, um retrato impactante dessa arquitetura em desconstrução. Um shopping center nos EUA, um hospital em Fukushima, prédios grandiosos no Oriente Médio, sempre em silêncio e com planos fixos e gerais, o documentário registra o abandono completo, locais tomados por aquela antiga definição de cidade fantasma. É um retrato forte e vigoroso, não só das regras de sobrevivência do capitalismo, mas do poder de destruição que causa essa bizarra configuração de destroços e matagal tomando máquinas caras ou o logo do McDonalds.

Ao Longo dos Anos

Publicado: novembro 3, 2015 em Cinema, Mostra SP
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aolongodosanosÜber Die Jahre / Over the Years (2015 – AUT) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Engana-se quem olha para a Europa imaginando lá ser um mar de rosas do emprego e da vida financeira confortável. Prova disso é o novo trabalho do experiente documentarista austríaco Nikolaus Geyrhalter. São entrevistas, ao longo de dez anos, com alguns dos últimos funcionários da, praticamente falida, fábrica têxtil Anderl. Foi uma empresa centenária que conseguiu sobreviver até 2004, agora vive em frangalhos. Por meio de planos fixos e enquadramentos inquietantes, Geyrhalter permanece estabelecendo contato com o mesmo grupo de pessoas. As crianças crescem, os personagens envelhecem. Alguns reencontram novas profissões, outros dependem de auxilio do governo e vivem com receitas ultra reduzidas. É um retrato do interior da Áustria (cidade de Waldviertel), mas pode representar outros países europeus.

É um retrato desolador, que a longa jornada do cineasta intensifica, com rigor de quem não se deixa levar por sentimentos. A globalização criou um grupo de pessoas que poderiam ser economicamente ativas, porém não há oferta para essa mão-de-obra. São os sinais do desgaste do capitalismo. A maior dificuldade é o emprego, cada vez mais restrito. Poucas possibilidades aos jovens e nenhuma aos mais experientes. Da mulher que vende tupperware, ao homem que cuida do jardim ou escreve poemas inofensivos com a sobrinha. Lá se vão três horas de vidas cheias de aflições, de um povo ávido por soluções inencontráveis, num documentário que só não é um escândalo por seu ritmo tão low profile e formal a ponto de se afastar um pouco do público.