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Marriage Story (2019 – EUA) 

O tema da separação, do fim do matrimônio, é um tema caro a Noah Baumbach, e ele está de volta, dessa vez, provavelmente, com mais alcance do que nunca. Scarlett Johanson e Adam Driver formam o casal de atriz e diretor de teatro cujo em processo de separação. Muitos tentam comparar o filme com o clássico Cenas de um Casamento, do Bergman, não façam isso, por favor.

Temos aqui um filme que se equilibra na irregularidade dessa fase de separação. A dor da separação, sentimentos misturados, a imposição de vontades próprias, a descoberta do outro em momentos de fúria, ou de egoísmo. Mas, algumas escolhas do roteiro beiram à vilanização de personagens e situações, ou de criar algumas cenas necessárias para dar palco a interpretações mais explosivas. Há risos e choros, há longas cenas com advogados, e outras com o filho ou com a família que deixa de ser sua. Quando um casal se separa, todos se separam de alguma forma, família, círculo social, e mais adiante, tudo se reestabelece. Mas o filme de Baumbach, talvez seja, condescendente demais com a persona masculina, e o desequilíbrio na balança atrapalha. Ainda assim, é o tipo de filme que não temos visto atualmente, não dessa forma, e com um tipo de situação que segue sendo mais que rotineira. Afinal, esse amor da alma gêmea só se vive mesmo nas músicas pop e nas comédias românticas.

mistressmaericaMistress America (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A nova parceria da dupla Noah Baumbach (direção) e Greta Gerwig (atuação e roteiro) é clara continuação de Frances Ha. Não da história em si, mas do clima, do universo, e até da personagem que só ganha outro nome de batismo e alguns anos de idade. Greta, ou melhor Frances, ops, desculpe, Brooke é a mesma personagem perdida, divertida, que corre para todos os lados e não sai do lugar. Aqui ela ganha sua versão mais jovem, a aspirante a escritora Tracy (Lola Kirke), que torna Greta/Frances/Brooke em sua guru para preencher as desilusões e inseguranças de seu primeiro semestre na universidade.

Novamente Baumbach e essa geração Sundance aproveitando-se dos hipsters, sempre com humor melancólico e sequencias que flertam com catarse e só parecem inverossímeis, mas devem agradar muita gente, pelo visto. O falso humor puro que encontra na bagunça o seu modus-operandi, tal qual Brooke, tal qual Baumbahch e essa geração Sundance resolveram vender a seu público.

Frances_HaFrances Ha (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Depois do fiasco retumbante de seu filme anterior (Greenberg), o cineasta Noah Baumbach tenta fugir um pouco da cena indie americana, buscar refugio na Nouvelle Vague francesa. Na maneira de filmar temas com um quê de fugaz, juventude, Na presença constante da trilha sonora francesa, e até mesmo o preto e branco da fotografia. Em dado momento do filme, a citação a Jean-Pierre Léaud, no fundo Frances Ha (Greta Gerwig) quer ser o célebre Antoinel Doinel de Truffaut, com aquele jeito atrapalhado e o retardar do amadurecimento.

Resta saber o quanto de Greta Gerwig há em Frances Ha, a protagonista escreveu o roteiro com Baumbach, mas pode, muito bem, estar falando dela mesma. Essa nouvelle vague, à americana, para mulherzinha, guarda pouco do frescor pretendido, e sobra muito do histerismo e de uma imaturidade à la Peter Pan. Frances não quer crescer, e os a sua volta não conseguem desenvolver diálogos que possam encontrar a magia do movimento frances de décadas passadas. Os jovens continuam em festas, se embebedando para falar das aflições, se apaixonando, tentando se estabelecer profissional e pessoalmente, mas Noah Baumbach não tem a tarimba de Godard, aquela de transformar o simples no belo e inspirador.

alulaeabaleiaThe Squid and the Whale (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Talvez seja um dos mais celebrados filmes da recente safra dos indies americanos (se bem que não é tão recente assim). Estão lá todos os cacoetes, como personagens desregrados, um quê loser, o espírito da comédia dramática. Além, é claro, de muita câmera na mão e planos fechados, mostrando um face a face entre atores e público.

Basicamente Noah Baumbach está tratando de um divórcio, da maneira como cada um dos membros da família se relaciona com a nova situação, e a gama de personagens que orbita a volta dos Berkman. Guarda compartilhada, divisão de pertences, e o desgaste da rotina de encontros são apenas os pormenores, o diretor está mais ligado em aspectos psicológicos e comportamentais.

O filho mais novo (Owen Kline) é muito ligado à mãe (Laura Linney), enquanto o adolescente (Jesse Eisenberg) é fã incondicional do pai (Jeff Daniels), e essa é a base da relação familiar que sofre ruptura com a separação. Noah Baumbach e seu roteiro inteligente consegue desenvolver bem essas interrelações pessoais, e trazer à tona a verdade sobre cada um deles. Desfazendo mitos aos próprios personagens, é um pouco cruel, mas, a vida é assim, cheia de pequenas decepções, e da descoberta de que nossos ídolos são feitos de carne, osso e imperfeições.