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The Shape of Water (2017 – EUA) 

O novo conto de fadas de Guillermo del Toro é romântico, da voz aos marginalizados, é bastante ousado sexualmente, algumas horas divertido, em outras canastrão com seus vilões. A atmosfera de O Labirinto do Fauno é transferida para um laboratório militar dos EUA em plena Guerra Fria. Espiões soviéticos infiltrados e um estranho anfíbio capturado das águas do Amazonas são as obsessões militares da base.

Nasce a improvável história de amor entre o monstro e uma faxineira muda, del Toro toma todos os cuidados com o tom romântico: da graça e leveza de Sally Hawkins, quase em hipnose, à trilha sonora aconchegante e a beleza com que a fotografia escura e de tons pesados (muito verde musgo) oferece num contraste entre sentimentos e ambientes.

O romance está lá, assim como todo o vilanismo da cúpula militar (Michael Shannon) em caricatura, violência e cegueira. Personagens periféricos são pouco desenvolvidos para que o romance comova, ainda que sempre envolto nesse universo da beleza impossível e dos marginalizados buscando seu espaço para encontrar sua felicidade.


Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

Prêmio: Leão de Ouro – Melhor Filme

fruitvale-stationFruitvale Station (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A sensação do cinema indie americano de 2013, vencedor de Sundance, presente em Cannes, e nas listas de melhores do ano. O diretor Ryan Coogler acerta no tom um pouco mais leve, situando o público na vida de Oscar (Michael B. Jordan), que já pagou pena por tráfico de drogas, vive relação levemente conturbada com a mãe da sua filha, e não parece querer se ajustar muito ao emprego, o que deixa sua mãe (Octavia Spencer) pouco empolgada.

O importante dessa história verídica é mesmo a cena inicial (filmada via celular por alguém) e que Coogler recria no final do filme. Entre elas, o cineasta narra de forma jovial, trazendo a tela do celular para dentro da imagem, fazendo o público se familiarizar com o ritmo divertido e malando de Oscar. Essa simpatia emblemática é que dará o tamanho do impacto, em cada um, quando o filme chegar no fatídico Reveillon de 2009, mais precisamente na Estação Fruitvale.

Em poucos minutos, o filme provoca a insatisfação contra a humanidade, o questionamento sobre a perda total de controle, os abusos de poder, e o quanto a justiça não pode chegar nem perto de ser justa. Revolta, ira, nossa fragilidade ao imponderante, Coogler não resiste e termina de forma bem sentimental, mas quem ainda estava congelado por aquela sequencia tão brutal (e, infelizmente, real, vide os vídeos via celular das testemunhas) nem vai se dar conta da escorregada.