Posts com Tag ‘Oliver Stone’

snowdenSnowden (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine tudo que você já sabe sobre Snowden e suas polêmicas acusações de espionagem e controle da vida particular de qualquer um, pelo governo americano. Agora, encene toda essa história com atores famosos, sem acrescentar nada, esperando que qualquer reflexão surja do material que já é tão conhecido do público. O resultado do trabalho de Oliver Stone é exatamente este. Se conhece as matérias publicadas pelo The Guardian e etc, e pior, se já viu o documentário Citizenfour, você não terá nada novo a absorver aqui.

Stone até flerta com o thriller de espionagem, mas constrói mesmo um drama político com viés romântico importante. Quer escancarar os desmandos do governo americano e suas agências de inteligência. O discurso é didático, a denuncia antiga. Aguardem a paranoia crescer em desavisados, estes irão creditar a Oliver Stone uma poderosa denuncia, não passam de desavisados lendo noticia velha.

Joseph Gordon-Lewitt vai se tornando um especialista em sotaques, percebe-se claramente a grande preocupação do ator em compor características que se assemelhem ao personagem. É um esforço justificado, afinal, todo mundo já viu parte do vídeo onde Edward Snowden faz suas denuncias. Porém, é esse pouco quando um material tão poderoso fica a mercê de uma direção tão insípida e incapaz de colocar qualquer ponto de vista particular. Incrivel como nesse universo de informações ultra-sigilosos, o que possa se descartar é a discussão entre jornalistas para que se conseguisse publicar a matéria, um jogo de bastidores e medos que poucos filmes retrataram. Stone entrega entretenimento puro e simples, faz jus à sua filmografia.

thedoorsThe Doors (1991 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A vida de um dos maiores astros do rock mundial contada por Oliver Stone. Jim Morrison (Val Kilmer), e seu ar de poeta da geração que transgrediu o mundo entre sexo, drogas e rock n’ roll, no estado mais letárgico possível. O roteiro é vago, repleto de lacunas, sem o menor esforço de compreender o biografado. Mais preocupado em agradar o público médio, dessa forma prende-se aos shows, viagens causadas pelo consumo de drogas, e a perversão sexual. Excêntrico e inteligente, Jim é retratado como um drogado contínuo cujas músicas fluíam com enorme facilidade.

O filme começa com Jim Morrison ainda garoto, e vê um acidente de carro, que marcou sua vida, a morte dos pais Um salto no tempo até a fase em que ele tem a ideia de formar uma banda com Ray Manzareck (Kyle MacLachlan). O relacionamento conturbado com Pamela Courson (Meg Ryan), o caso com a jornalista Patrícia Kennealy (Kathleen Quinlan), até a misteriosa morte numa banheira em Paris.

O temperamento explosivo, misturado com a fotografia de cores estourados, a todo momento Oliver Stone tenta captar indícios da sensação do Lagarto Rei sob as coisas, porém utiliza apenas o aspecto visual, concentrando em shows e acontecimentos mais conhecidos, sem nunca absorver realmente o personagem. Enquanto a abordagem é rala, a interpretação de Val  Kilmer é bárbara, incorporando totalmente o personagem, cantando bem, uma impressionante personificação do mito

 

 

 

platoonPlatoon (1986 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Esse foi um daqueles filmes que soavam como “clássicos” na minha memória de adolescente, mas que a história parece não ter lhe dado este status atualmente. Já pouco se fala de Platoon, mesmo tendo ganho Oscar de Melhor Filme e o Leão de Prata em Berlim. Oliver Stone também já dá sinais de estar na parte descente da curva de sua carreira. O mito foi quebrado ao finalmente  assistir, e temo que uma revisão em alguns anos possa ser ainda mais prejudicial.

Oliver Stone foi combatente na Guerra do Vietnã, ele retorna às suas memórias dos horrores da guerra. O filme é narrado segundo a visão de um jovem (Charlie Sheen) que se alistou, voluntariamente, no exercito norte-americano. Idealista, acreditava piamente no dever cívico de lutar por seu país. Seus olhos são as testemunhas de mutilações, massacres, estupros, e demais violências. Tom Berenger, em atuação impecável, encarna o sargento ambicioso, psicopata e sangue-frio que causa temor entre os recrutas. Seu contraponto é outro sargento, mais humanista e sensível, interpretado por Willem Dafoe. Este confronto perfaz um dos melhores momentos do filme. Eles comandam um batalhão que passa por vilarejos, e encara a guerra no corpo-a-corpo. Enquanto a violência assusta, o filme sai também em busca de questionamentos: da convocação apenas dos pobres para combaterem, o heroísmo americano e essa guerra de fome contra um povo já tão sofrido.