Posts com Tag ‘Olivier Assayas’

WASP Network (2019 – EUA/BRA)

Olivier Assayas não conseguiu, dessa vez, realizar um thriller de espionagem daqueles. Adaptando o livro escrito por Fernando Morais, e entre tanta preocupação em contar mais e mais fatos da trama de espiões cubanos, em Miami, infiltrados para desmantelar grupos anticastristas, o que o filme deixou foi a sensação de faltar aquele punch. O todo é genérico, tal qual o elenco de estrelas latinas, de diversos países, tentando imitar o sotaque cubano.

O cineasta francês é sempre elegante na forma de filmar, e aqui realiza, talvez, seu filme mais radiante, influenciado pelo sol dos mares que separam EUA e Cuba. Porém, O resultado é um conjunto de fatos embaralhados em ordem não-cronologica, sem que você entenda muito bem o porquê de embaralhar tanto arcos e fatos que corriam paralelamente, mas são revelados tão a posterior. A trama era intrigante por si, afinal tantos agentes infiltrados, a Rede Vespa, e os arcos quase se fecham como capítulos, quase como um seriado. Destaque mesmo para Penelope Cruz e os dramas de uma esposa de militar envolvido em atividades de guerrilha.

Double Vies / Non-Fiction (2018 – FRA) 

As mutações do mercado literária frente o crescente avanço do digital. Olivier Assayas traz o debate ao cinema através das figuras centrais que protagonizam seu novo filme. O editor (Guillaume Canet) que tem dúvida quanto a modernidade editorial de abandonar livros e viver de e-books e áudiolivros, de perder a figura do critico em detrimento de algoritmos e robôs que indicam o que os leitores devem apreciar. A trama não cansa (o público talvez um pouco) em trazer a discussão à tona em casa, no escritório, em paletras, ou na cama com a amante. Em alguns momentos o discurso soa gasto, meio ultrapassado, em outros mais vívido e interessante frente a realidade que bate à porta dessa indústria cultural.

De outro lado há o autor (Vincent Macaigne), que só consegue escrever autoficção (ou seus relacionamentso amorosos com alguma licença poética). É ele quem traz o tem que vai se tornando central na segunda parte do filme, essa questão do desgaste dos casamentos, da infidelidade, do amor por mais que haja traição. Enfim, as vidas duplas do título. Nesse ponto a trama cai em mais estereótipos de como o mundo vê os franceses, além de tecer uma frágil convicção de que a monogamia está fradada ao completo fracasso e que os adultos são maduros o bastante para tais tipos de relacionamentos.

Assayas tenta intricar um pouco isso tudo, traz doses de humor mordaz (mas pouco usual), e desequilibra ainda mais com outros temas e complexidades: como Juliette Binoche como a atriz de teatro fazendo sucesso em uma série qualquer de tv. A vida e os caminhos econômicos da literatura são ainda mais complexos do que tudo isso.


Festival: Veneza 2018

Mostra: Competição

Personal Shopper (2016 – FRA) 

A sequencia mais sugestiva e facilmente comentada do novo filme de Olivier Assayas são os vinte tensos minutos de uma viagem de trem Paris-Londres-Paris, onde apenas acompanhamos as reações da protagonista, Maureen (Kirsten Stewart), à troca de mensagens durante o trajeto. É a arte de filmar a tela de um celular, de uma forma que possa causar tensão, dualidade, e a dúvida de quem é a (o) desconhecida (o). O ritmo e esse diálogo com a comunicação moderna, reinventando os limites da narrativa.

Desde o começo, o filme flerta com o fantasmagórico, e transforma essa atmosfera em seu próprio combustível para ascender as chamas do incêndio pessoal que vive a jovem americana de passagem em Paris. A qualquer um, ela afirma que está na cidade esperando. O namorado a aguarda no Oriente Médio, mas sua habilidade médium lhe faz tentar algum contato com o irmão gêmeo, que morreu repentinamente. Assayas se aproveita dessa tentativa de contato espiritual, aliado ao desconforto da garota de praticamente não viver sua própria vida no momento, não há nada reconfortante a seu dispor (apartamento dividido com alguém, a distância de todos, a dor da perda). Nisso tudo, o emprego temporário como assessora de compras de uma celebridade apenas corrobora nesse estranhamento/distanciamento.

A citada sequencia no trem é primordial, até lá já conhecemos os personagens, o mundo de Maureen já está claro ao público. Mas, outra cena parece ainda mais crucial, Assayas traduz os sentimentos e comportamentos reclusos de sua personagem. Influenciada, Maureen cruza os limites e faz algo proibido. O diretor a acompanha pelo apartamento num longo plano-sequencia, sensual e libertador, que brinca com o mistério pela câmera nem sempre conseguir focalizá-la por entre as paredes. Vendo uma cena desse tipo, é fácil compreender porque foi escolhido Melhor Diretor em Cannes. É outro exemplar da filmografia do cineasta francês com clima fantasmagórico, um thriller psicológico de personagens meramente fascinantes.

Os meus 25 filmes favoritos do ano de 2015. O critério é o mesmo do ano passado, filmes vistos ao longo do ano, e que foram produzidos até 2 anos atrás (portanto, limite é 2013). Eles formatam, na visão deste blog, o melhor do panorama do cinema, com toda a subjetividade que uma lista dessas possa ter. E, novamente, o top 10 comentado tenta captar um pouco da percepção sobre estes filmes e sobre o cinema contemporâneo.

assassina

  1. A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien
  2. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  3. Hard to be a God, de Aleksey German
  4. Carol, de Todd Haynes
  5. Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchialli
  6. Diálogo de Sombras, de Jean Marie-Straub e Danièle Huillet
  7. Phoenix, de Christian Petzold
  8. As Mil e Uma Noites: Volume 1 – O Inquieto, de Miguel Gomes
  9. Sniper Americano, de Clint Eastwood
  10. Spotlight, de Tom McCarthy
  11. O Tesouro, de Corneliu Porumboiu
  12. O Ano Mais Violento, de J. C. Chandor
  13. Três Lembranças da Minha Juventude, Arnaud Desplechin
  14. O Peso do Silêncio, De Joshua Oppenheimer
  15. Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson
  16. Son of Saul, de Laszlo Nemes
  17. A Terra e a Sombra, de César Augusto Acevedo García
  18. Os Campos Voltarão, de Ermanno Olmi
  19. A Vida Invisível, de Vitor Gonçalves
  20. Um Amor a Cada Esquina, de Peter Bogdanovich
  21. É o Amor, de Paul Vecchialli
  22. 45 Anos, de Andrew Haigh
  23. Mountains May Depart, de Jia Zhang-ke
  24. João Bérnard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Eu Amei, de Manuel Mozos
  25. Aferim!, de Radu Jude

 

A lista deste ano parece ter no amor, e na inquietude, suas vozes mais presentes. São filmes, que em sua maioria, tentam falar mais intimamente com seu público, causando reflexão ou estabelecendo conexão com o que esses corações possam reverberar. O amor é determinante no grande filme do ano, o aguardado e deslumbrante retorno de Hou Hsiao-Hsien. Tanto ele, quanto o lindo romance feminino de Todd Haynes, ofuscaram o fraco vencedor da Palma de Ouro, com narrativas sofisticadas e visualmente hipnóticas. O amor como uma âncora que afasta os protagonistas dos caminhos trilhados, a eles, pela sociedade. Num tom muito semelhante também esta o drama-romântico, do alemão Christian Petzold. Com o provável melhor desfecho do ano, seu filme vai de Fassbender a Hitchcock, quando trata genuinamente do amor e seus impactos.

Se Paul Vecchiali flerta com o cinema experimental, e adapta Dostoiévski, com seus dois personagens em encontros notívagos sobre vazios existências dos corações, o média-metragem de Jean Marie-Straub e Danièle Huillet versa sobre amor, religião, e até o tédio. Vecchiali tem o mar ao fundo, a dupla francesa o local bucólico. E em tons bem diferentes, ainda que com a semelhança do tom teatral, ambos filmes vagueiam entre o racional e o irracional.

O de Clint Eastwood está entre o amor e a inquietude. O apego à família e à pátria, e a inquietude causada pela guerra são temas latentes nesse drama de soldado. Como um todo, a trilogia de Miguel Gomes decepciona, ainda que tenha sido tão elogiada em Cannes, porém, exibidos em separado nos cinemas, o primeiro volume demonstra a força da inquietude por meio de críticas corrosivos ao cenário político português, em tom de humor debochado.

Aleksei German e George Miller criam (ou retomam) visões futuristas do caos regido pela irracionalidade. Miller e seu espantoso retorno a saga Mad Max beira a unanimidade, com surpreendentes chances reais no próximo Oscar nessa ventura alucinante pelo deserto pós-apocalíptico. Já o veterano russo recria a Europa feudal, lamacenta e exasperante, tendo na inquietude visual a grande desconstrução de seu protagonista semi-Deus.

O patinho feio da lista é o filme independente sensação da corrida ao Oscar. Mais do que um filme-denúncia, sobre acusações de pedofilia de padres católicas, Tom McCarthy realiza um empolgante estudo dos caminhos da imprensa investigativa.

 

E encerrando, os meus 10 filmes favoritos dentro do circuito comercial de 2015, sempre atrasado arrastando filmes que já estiveram no top do ano passado.

  1. Norte, o Fim da História, de Lav Diaz
  2. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  3. Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchialli
  4. O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takathata
  5. Phoenix, de Christian Petzold
  6. As Mil e E Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, de Miguel Gomes
  7. Dois Dias, Uma Noite, de Jean e Luc Dardenne
  8. A Pele de Vênus, de Roman Polanski
  9. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  10. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Nos últimos dias estava quebrando a cabeça, vasculhando nos filmes que entraram no circuito comercial, aqueles dez que seriam os meus preferidos do ano – doença de cinéfilo. E, simplesmente, não consigo fechar uma lista com dez merecedores-de-um-top-10. Talvez 5 ou 6, vá lá, mas o restante são apenas bons filmes, em que há outros 4 ou 5 que estão ali, no mesmo nível. Desse critério tão subjetivo (e maluco) que é classificar filmes. Conversando com meu amigo Superoito, realmente não parece haver sentido nessa lista, afinal, o circuito brasileiro vive atrasado. Se a oferta em quantidade tem crescido, ainda assim a quantidade de salas “alternativas” são tão restritas, que os filme permanecem nas prateleiras das distribuições, esperando melhor momento de estrear, muitas vezes perdendo seu “momento”.

Os cinéfilos que realmente acompanham a cena internacional de cinema, o que está sendo filmado, as novas tendências, novos limites que os cineastas quebram. Estes cinéfilos buscam os filmes por outras plataformas, de outras maneiras que não exclusivamente o circuito. Nesse ponto, os festivais tem ajudado muito, não só o Indie, Festival do Rio, e Mostra SP, como outros festivais menores, tem trazido grande parte da produção atualizada, cobrindo parte expressiva dessa produção. O resto chega através de outros formatos, viagens, Netflix, internet e etc. Estamos quase em 2015, hora de mudança.

Portanto, trabalhar numa lista de melhores, tendo o circuito comercial como critério, me parece abster-se do cinema que o próprio cinéfilo acompanha, discute, vive. Não, não vou esconder meus 10 preferidos, vou apenas deixá-los no final, apenas como referência, afinal eles serão meus votos para o Alfred da Liga dos Blogues Cinematográficos.

A lista mais importante é a que vem logo a seguir (comentada), são filmes que foram vistos em 2014, com produção de até 2 anos (que finalmente foram vistos, ou ficaram acessíveis). Eles formatam melhor o panorama do ano do cinema, os principais festivais, o que a imprensa especializada ou os grupos de cinéfilos discutiram, veneraram, xingaram, amaram. Há ausências, como toda lista, afinal, ela é subjetiva. Alguns filmes não foram vistos (a Godard a mais sentida, mais a versão em 3D precisa ser vista em tela grande), outros não agradaram tanto, mas ela indica caminhos, preferências, e, acima de tudo, é coerente com esse cinema atual.

O Top 10

doquevemantes

  1. Do que Vem Antes, de Lav Diaz
  2. A Imagem que Falta, de Rithy Panh
  3. A Princesa da França, de Matias Piñeiro
  4. Redemption, de Miguel Gomes
  5. Era Uma Vez em Nova York, de James Gray
  6. E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
  7. O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata
  8. A Pele de Vênus, de Roman Polanski
  9. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  10. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan / Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Olhando para essa pequena amostragem percebo que é uma lista heterogênea, grande parte dela da seleção dos dois últimos festivais de Cannes. Quase todos diretores consagrados, que apontam para dois caminhos: filmes grandiosos em temas e pretensões; ou pequeninos na pretensão, porém grandes na arte de filmar. São dois lados de uma mesma moeda, cineastas que enxergam suas próprias carreiras e tentam escapar dos caminhos fáceis do piloto automático.

Alguns destes filmes tem o aspecto moral como excelência, o perturbado conto de Ceylan ganhou a Palma de Ouro. O dos Irmãos Dardenne traz um melodrama nunca antes visto na carreira dos belgas. São filmes antagônicos na forma, ligados por essa questão da vida em sociedade, dos princípios. James Gray continua com poucos e fiéis fãs. Ele até flerta com o melodrama, mas seu estilo sofisticado deixa tudo tão chamuscado e charmoso que esse melodrama fica chique entre tão belos planos.

Há o lado teatral forte, é o segundo trabalho seguido de Polanski que remete ao teatro filmado, dois de seus melhores filmes em anos. O argentino Matias Piñeiro surge como uma descoberta, tardia deste blog, com uma construção irrepreensível, uma espécie de poesia teatral filmada. Assayas mergulha em seus filmes anteriores, e em Bergman, trilha novo caminho via metalinguagem.

De Portugal duas pérolas, o documentário autobiográfico de Joaquim Pinto e as biografias escondidas por Miguel Gomes num curta sobre doces fluxos de memórias. O cinema português segue produzindo pouco, mas muito bem. O japonês Isao Takahata promete ter entregue seu último trabalho, e o resultado é um primor ao refletir as tradições culturais orientais com leveza e sofisticação.

No topo da lista Pahn e Diaz, os dois revivendo cicatrizes dolorosas de seus países. Seja pelos bonecos do Cambodja, ou pelas florestas filipinas, os horrores das ditaduras sem que a violência precise ser exposta. Seus filmes são registros hipnóticos de um cinema rigoroso, que usa da simplicidade para aproximar-se de seus próprios personagens, e do virtuosismo de seus diretores para cativar os que enxergam novos rumos para o cinema. A conjunção exata entre fazer arte e contar histórias.

No Letterboxd deixo a lista mais completa com meus 25 filmes favoritos do ano.

O Top 10 do Circuito Comercial

  1. A Imagem de Falta, de Rithy Pahn
  2. Era uma Vez em Nova York, de James Gray
  3. Cães Errantes, de Tsai Ming-Liang
  4. Bem-Vindo a Nova York, de Abel Ferrara
  5. Mais um Ano, de Mike Leigh
  6. Amar, Beber e Cantar, de Alain Resnais
  7. Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater
  8. Vic + Flo Viram um Urso, de Denis Côté
  9. O Abutre, de Dan Gilroy
  10. O Ciúme, de Phillipe Garrel

38MostraSP

Menor quantidade de problemas com atrasos, cancelamento de filmes e etc (ainda houveram, é bem verdade). Um belo leque de clássicos recheando uma programação que destacou boa parte dos principais filmes que estiveram presentes nos grandes festivais de 2014. A Mostra SP volta a recuperar seu prestígio, filas, sessões lotadas. Foi a melhor edição após a opção pelo ineditismo. Ainda falta muitas coisas, o pecado mais grave continua sendo a Central da Mostra, ter que se deslocar fisicamente, quanto os que tem pacote deveriam escolher seus filmes via internet, sem dores de cabeça.

Foi a Mostra da eleição Dilma x Aécio, da propaganda da Folha vaiada em inúmeras sessões, foi a Mostra da retrospectiva de Pedro Almodóvar (que não veio ao evento), da falta de água em São Paulo. Dos filmes russos de ácida crítica à política, de confirmação da boa edição de Cannes 2014. Uma edição de menos holofotes e mais exibições. A volta das sessões da meia-noite que tem seu charme.

O mais importante são eles, os filmes, e quantidade de grandes, ou bons filmes, foi bem mais interessante. Como todo ano, abaixo destaque para os que mais me agradaram nessa edição da Mostra SP:

O Filme

doquevemantes

  • Do que Vem Antes, de Lav Diaz

Segundo ano consecutivo que o filipino emplaca meu filme preferido na Mostra SP.

 

Os Melhores:

  • Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
  • Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan
  • Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  • Leviatã, de Andrey Zvyaginstev
  • Relatos Selvagens, de Damian Szifron
  • A Professora do Jardim de Infância, de Nadav Lapid

acimadasnuvensClouds of Sils Maria (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Irma Vep encontra ecos de Ingmar Bergman. O prolífico Olivier Assayas reencontra a metalinguagem, a mistura de vida real/ficção, o espelho entre personagem e vida profissional de uma atriz. Maria (Juliette Binoche) é uma das grandes atrizes do cinema europeu, vive um momento delicado com divórcio, a morte do grande amigo dramaturgo e a pressão por voltar à peça de teatro que a consagrou há décadas, dessa vez no papel da protagonista mais velha.

Personagem-chave é sua assistente (Kristen Stewart) pessoal, que não só vive como companhia e babá, mas também a confronta, expõe opiniões, a ajuda nos ensaios. O texto é de grande complexidade, o confronto entre as duas se dá nos ensaios, e fora deles. Nas montanhas de Sils Maria passam nuvens que se parecem com uma cobra, entre as montanhas e a cabana a intensidade do relacionamento entre essas mulheres lembra Persona, porém regido por outros temas, por outras alternâncias.

Em seu filme, Assayas provoca a exposição na mídia de astros, as diferenças entre ser ator nos EUA e Europa, a arrogância e a futilidade, o mundo dos tabloides. Porém, principalmente, o jogo entre o jovem e o velho, a dificuldade de aceitação do envelhecimento. Jo-Ann Ellis (Chöe Grace Moretz) coloca mais lenha na fogueira das vaidades, nos confrontos femininos. Ela é a atriz que assumirá o antigo papel de Maria, a atriz do momento que debocha da mídia, que perde a linha, que enlouquece os adolescentes. Ingredientes preciosos para Assayas apimentar os dramas de Maria, expor suas vaidades e imperfeições.

Os ecos de Bergman ecoam pelas montanhas de Sils Maria, a intensidade sexual é substituída por conceitos pessoais, pela vida real que se mistura com o profissional (nisso, a assistente pessoal é a mistura da mistura), por essa vaidade de quem já tem tudo na vida e ainda tão carente.