Posts com Tag ‘Olivier Assayas’

Neste e no próximo sábado, infelizmente, não será possível o post regular com os links da semana. Estou em viagem, e por aqui o WordPress é bloqueado. Mas não ficaremos sem atualizações. E como o Festival de Cannes está chegando, e em breve saberemos quais filmes será escaladas para a Mostra Competitiva, e demais mostras paralelas. Resolvi realizar uma pequena pesquisa e postar links sobre alguns dos mais interessantes filmes que devem estar escalados para Cannes. Portanto, divirtam-se e ficaremos na expectativa.

Clouds of Sils Maria (de Olivier Assayas) dizem já estar confirmado em Cannes. [IonCinema] [Omelete] [Wikipedia]

Fairyland (de Sofia Coppola) [Variety] [Empire] [Ipsilon] [Deadline]

Maps to the Stars (de David Cronenberg) [Website do Filme] [Collider] [IndieWire]

Two Days, One Night (de Jean-Pierre e Luc Dardenne) [Pipoca Moderna] [Wild Bunch] [The Film Stage]

The Assassin (Hou Hsiao-Hsien) [David Bordwell] [Filmbiz.Asia] [Next Projection]

Horizontal Process (Abbas Kiarostami) [IndieWire][Variety]

Après Mai (2012 – FRA)

O ano é 1971, a geração estudantil que fervilhou em Maio de 1968 (ou os mais jovens que assistiram a tudo) tenta encontrar seu rumo, acredita que pode mudar o mundo enquanto experimenta o diferente (drogas, o Oriente). Olivier Assayas mergulha em suas lembranças, utiliza um alter-ego que se destaque entre tantos personagens. O diretor deixa seu filme vagando entre o nada e o lugar nenhum, as tendências políticas e artísticas, o ímpeto de fazer, mas sem nem saber como, os amores.

O que vem depois de um momento histórico nem sempre é algo grandioso, depois da tempestade vem a rotina e os próprios destinos, Assayas tira um pouco do brilho e do romantismo, restam jovens, se descobrindo ou ao mundo, dúvidas e separações, inseguranças e desejos.

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O dia foi todo de Olivier Assayas e a famosa efervescência oriunda de 1968. A chuva de elogios traz um novo candidato ao Leão de Ouro, que até então parecia certo para The Master. ‘Apres Mai’ traz algo das lembranças da época do próprio cineasta, o jovem protagonista cola cartazes, entrega jornais de protesto, vive e discute a política pelas ruas enquanto enfrenta a melancolia e os amores da juventude.

Críticas: Press PlayEl PaísScreen DailyHollywood Reporter

Termômetro: obrigatório

Takeshi Kitano volta com a continuação de Outrage, que agradou alguns depois de fracassos seguidos nos filmes anteriores. Com linguagem pop, ultra-violento, divertido e, dizem, despretensioso, Kitano apresenta ‘Outrage Beyond’, novamente envolto no mundo da Yakuza, e todos os clichês que o filme de gênero possa apresentar.

Críticas: Cine-VueScreen DailyÚltimo Segundo

Termômetro: morno

Na prestigiosa mostra Orrizonti, bons elogios ao britânico ‘Boxing Day’, terceira parte de uma trilogia de adaptações contemporâneas de obras de Tolstoi, adaptadas pelo diretor Bernard Rose e protagonizadas por Danny Huston. Um comerciante ambicioso, uma viagem pela neve,um denso conto moral.

Crítica: The GuardianHollywood Reporter Screen Daily

Termômetro: de olho

Amos Gitai conta a história de seu pai no documentário ‘Lullaby to My Father’, encena o julgamento dos Nazistas por traição e sua vida como arquiteto. Há um tempo que Gitai optou por um cinema minusculo, pessoal, misto de documentário e ficção (e tedioso para muitos), e, dessa vez, não parece diferente.

Críticas:  Hollywwod ReporterÚltimo Segundo

Termômetro: morno

Água Fria

Publicado: maio 2, 2011 em Uncategorized
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L’Eau Froide (1994 – FRA)

Talvez tenha sido o único a encontrar diálogo entre este filme e a obra-prima de François Truffaut, Os Incompreendidos. Talvez quisesse eu, um filme da saga Doinel, que explicasse a fase realmente adolescente do personagem, não ficando com esse hiato que foi o salto para a doce comédia Beijos Roubados. Olivier Assayas pega emprestado uma rebeldia jovem, uma inquietação irresistível, um sentido de movimento, de se manifestar, que muito me remete ao Doinel pueril. Aqui os personagens são um casal de adolescentes, o ato ilícito que abre o filme é determinante para o restante da história (roubo de vinis dos Stones e Deep Purple), uma separação anunciada, contra vontade. Utilização maciça e preciosa de uma trilha rock, a manifestação desse senso de liberdade reprimido, a festa rebelde determinante para esses jovens tão aflitos quanto pouco conseqüentes. Assayas nos oferece um filme de espírito, vivemos os anos setenta e toda uma necessidade aguçada de polemizar a si próprio, entre o balé das câmeras, uma demonstração concisa de uma juventude conflitante.

horasdeveraoL’Heure d’eté (2008 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Hélène (Edith Scob) dedicou grande parte de sua vida à preservação da memória de seu tio-avô. Com carinho e dedicação exemplar as obras do pintor foram conservadas pela sobrinha e decoram a requintada “casa de campo” da família. Ponto de encontro familiar onde os três filhos e netos encontram-se com assiduidade cada vez mais rara. Olivier Assayas filma com delicadeza e amplitude a discussão sobre o espólio, sobre o valor de cada objeto, a preocupação de Hélène com o fim que será dado a cada objeto, cada móvel. Preocupa-se também com convicções e diferenças entre os filhos, Frédéric (Charles Berling) o mais velho, não deseja que a família se desfaça dos bens, enquanto seus irmãos Adrienne (Juliette Binoche) e Jérémie (Jérémie Renier) não têm interesse algum nessa preocupação de resgate das memórias.

A trama gira de maneira sorrateira e pouco inspirada, sobre esses pontos de vista diferentes. Lembranças e revelações enquanto a família se reúne, provavelmente pela última vez, (a matriarca vive no alto de seus setenta e cinco anos). O trabalho do diretor de fotografia Eric Gautier mostra-se crucial, se Assayas narra seu filme de forma bonita e discreta, é o trabalho de Gautier, intensificando o clima bucólico e nostálgico em cada um dos ambientes, objetos, personagens e sentimentos, o verdadeiro alicerce da história. Partilhas sempre guardam momentos dolorosos, opiniões distintas, frustrações e necessidades (ainda mais com os proprietários em vida). As crianças brincam no jardim, os pais tratam de amenidades, e o filme trata do tempo e das coisas tão valiosas afetivamente a uns e meros objetos sem significado aos demais.

Demonlover (2002 – FRA)

Ainda não sei o que é, e para falar bem a verdade pouco importa, mas tem alguma coisa no jeito de filmar de Olivier Assayas que me atrai bastante. A maneira como a câmera acompanha os personagens quase como uma sombra, a fotografia que exalta a noite e suas nuances, a trilha sonora suave, presente e evasiva (as músicas do filme são da banda Sonic Youth). Gosto quando é possível notar com certa facilidade a mão do diretor no filme, quando o cineasta consegue uma roupagem própria que o caracteriza, e no que vi até agora de Assayas percebo esse talento.

Vamos falar de Demonlover, um thriller que mistura espionagem industrial, animações japonesas e sites milionários com conteúdo pornográfico, promete um filme apimentado. O início é muito satisfatório, para não dizer intenso, quando trata os ambientes comerciais como espaços vazios, repleto de desconhecidos, ambientes gélidos. É assim nos aviões, nos aeroportos, escritórios e estacionamentos. Diversos interesses empresariais recheiam de espiões uma empresa francesa que está acertando um contrato com uma promissora empresa japonesa de animação, cada um dos envolvidos responde aos interesses de terceiros.

O roteiro traz poucas pistas durante grande parte da história, a personagem principal é fria até o último fio de cabelo. O filme se apimenta quando entramos realmente no mundo desses sites pornográficos, começa então o lado mais thriller, e se assume como um filme B. Personagens sem escrúpulos, a tensão sexual, a violência, as inserções visuais, é um fim inusitado para tantos personagens que nenhum cumpre o espaço do mocinho. Um mundo de interesses ilimitáveis.